Rio -  O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) disse, em nota, que durante vistoria realizada nesta sexta-feira, com a presença do vice-presidente Jaques Sherique, os técnicos identificaram que os vergalhões que caíram de uma obra não estavam bem amarrados quando foram içados, descumprindo as normas de segurança do Ministério do Trabalho.
Um dos vergalhões perfurou a cabeça do operário Eduardo Leite, 24 anos, que não teve seguelas, mas poderia ter ficado tetraplégico por apenas três centímetros.
Foto: Reprodução
Os fiscais do Conselho verificaram ainda que, no momento do acidente, não havia responsável técnico de segurança, que deveria isolar a área quando o vergalhão foi içado, o que evitaria o acidente.O CREA convocará, nas próximas semanas, a engenheira responsável pelas obras.
Ela vai prestar depoimento na Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes (CAPA) e também terá uma das ARTs (Anotação de Responsabilidade Técnica) cancelada, já que foi verificado que a profissional assumiu a responsabilidade técnica tanto pela obra quanto pela segurança da mesma, o que é vedado pela Câmara Especializada de Segurança do Trabalho.
Operário quase fica tetraplégico
O acidente não deixou Eduardo tetraplégico por apenas três centímetros. O jovem trabalhava em obra de prédio em Botafogo, na quarta-feira de manhã, quando foi atingido pela barra de ferro, que caiu do quinto andar do edifício.A estrutura atravessou o capacete do trabalhador por trás, atingiu a área direita do cérebro e saiu pelo rosto, entre os olhos.
Os bombeiros socorreram a vítima às 9h15 e cortaram um metro do vergalhão. Às 10h30, Eduardo chegou ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, e, às 11h, foi para o centro cirúrgico, onde passou por delicada cirurgia durante cinco horas.
Segundo os médicos, ele chegou consciente e contou o que havia ocorrido. Na unidade de saúde, o caso foi considerado um milagre.
“Nunca tivemos um caso desse aqui. Se o vergalhão tivesse entrado três centímetros ao lado, atingiria a parte responsável pela coordenação motora. Ele não poderia mexer pernas e braços. Se fosse a um centímetro, poderia atingir o globo ocular e afetar a visão”, declarou Esinger.
Médicos mostram tomografias computadorizadas de Eduardo | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Médicos mostram tomografias computadorizadas de Eduardo | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Três médicos participaram da operação. Eles tiveram de raspar parte do crânio e abrir a meninge — membrana que reveste o cérebro —, para retirar, pela frente, o vergalhão. Depois, cauterizaram os vasos sanguíneos afetados.
Segundo médicos que atenderam o operário que teve o crânio perfurado por um vergalhão e sobreviveu sem sequelas, Eduardo Leite, de 24 anos, a família dele tem histórico de milagres. Quando andava de moto, o irmão quase foi degolado por linha de pipa com cerol.

Fonte: Portal A Tarde