sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Banda punk Pussy Riot é setenciada a dois anos de prisão por 'vandalismo'

Uma juíza sentenciou as três integrantes da banda Pussy Riot a dois anos de prisão cada por "vandalismo" motivado por ódio religioso nesta sexta-feira (17) em Moscou na Rússia. As três foram presas, processadas e agora declaradas culpadas porque cantaram uma "oração punk" no altar da catedral de Cristo Salvador em fevereiro, pedindo para que a Virgem Maria "livrasse" a Rússia de Vladimir Putin, o então primeiro-ministro e hoje presidente. Pena deverá ser cumprida na prisão.
A juíza Marina Syrova afirmou que o ato das três foi "cuidadosamente planejado". Em sua decisão, a juíza Syrova repetiu em grande parte os argumentos da promotoria em suas alegações contra Nadejda Tolokonnikova, de 22 anos, Ekaterina Samutsevitch, de 30, e Maria Alejina, de 24.
Além disso, indicou que as três acusadas "não expressaram arrependimento por seus atos, violaram a ordem pública e ofenderam os sentimentos dos crentes". Promotores pediram a condenação das três mulheres à pena de três anos de prisão para cada uma.
As integrantes da Pussy Riot Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevich durante audiência nesta sexta-feira (17) em Moscou (Foto: Reuters)As integrantes da Pussy Riot Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevich durante audiência nesta sexta-feira (17) em Moscou (Foto: Reuters)
As acusadas estão detidas desde logo depois de sua apresentação, que ofendeu muitas pessoas no país de maioria cristã ortodoxa. Os críticos do governo russo encaram o julgamento como parte de uma crecente repressão a dissidentes, quando Putin começa o seu novo mandato de seis anos como presidente.
O Pussy Riot decidiu realizar o protesto na catedral depois que o patriarca ortodoxo russo, Kirill, pediu voto para Putin às vésperas das eleições presidenciais de março, um fato que indignou não somente as integrantes do grupo, mas toda a oposição.
Durante o julgamento, uma das jovens chegou a afirmar que se trata de um processo político e que se tivessem cantado a favor de Putin não estariam diante dos tribunais.
Jogador de xadrez russo Garry Kasparov é detido pela polícia do lado de fora do tribunal onde banda Pussy Riot foi julgada, em Moscou (Foto: Andrey Smirnov/AFP)Jogador de xadrez russo Garry Kasparov é detido pela
polícia do lado de fora do tribunal onde banda Pussy
Riot foi julgada, em Moscou (Foto: Andrey Smirnov/AFP)
Protestos
Durante e após o veredito ser anunciado, muitos protestos aconteceram tanto do lado de dentro, quanto de fora do tribunal de Moscou.
O ex-campeão mundial de xadrez e líder da oposição Garry Kasparov foi detido pela polícia por apoiar a banda, e gritos de "vergonha" foram disparados por alguns presentes. Muitos também foram às ruas de cidades como Hamburgo (Alemanha), Kiev (Ucrânia), Barcelona (Espanha) e Londres (Reino Unido) vestindo as tradicionais máscaras usadas pela banda pedindo a libertação das integrantes.
Apoio do Femen
Um dos principais protestos foi realizado pelas ativistas do grupo feminista Femen. O apoio contou com mulheres do Femen usarando uma motosserra para cortar uma cruz ortodoxa erguida em memória às vítimas da repressão política em Kiev.
Integrante do grupo Femen corta cruz ortodoxa (Foto: AFP)Integrante do grupo Femen corta cruz ortodoxa (Foto: AFP)
O processo tem gerado as mais diversas manifestações desde seu início. De Madonna ao ex-Beatle Paul McCartney, as estrelas pop do mundo pediram publicamente pela libertação das três integrantes.
Red Hot Chili Peppers foi um dos primeiros grupos que prestou apoio às jovens - campanha que foi imediatamente seguida por Sting, Peter Gabriel, The Who e Bjork, entre outros.

Fonte: G1

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