sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Com a escolha de O Palhaço para o Oscar, Brasil tira violência do primeiro plano

O cinema nacional acordou com uma boa notícia ontem (19): O Palhaço, segundo longa-metragem com Selton Mello no papel de diretor (o primeiro foi Feliz Natal, de 2008), foi escolhido pela Secretaria do Audiovisual, vinculada ao Ministério da Cultura, para representar o país na disputa pelo Oscar 2013.
Depois da concorrência interna com produções como À Beira do Caminho, de Breno Silveira, Heleno, de José Henrique Fonseca, Xingu, de Cao Hamburger, e Billi Pig, de José Eduardo Belmonte, O Palhaço conquistou a preferência da comissão formada por especialistas da área. O objetivo é que o filme seja selecionado, no dia 10 de janeiro, entre os representantes de outros 59 países, para entrar no páreo na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, na 85ª edição do Oscar, que será realizada no dia 24 de fevereiro.
'O Palhaço', de Selton Mello, foi o filme escolhido para representar o Brasil no Oscar!
'O Palhaço', de Selton Mello, foi o filme escolhido para representar o Brasil no Oscar!
A última vez que o Brasil concorreu ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro foi com Central do Brasil, obra-prima do diretor Walter Salles, em 1999. Pela sua atuação no road movie, Fernanda Montenegro também ganhou uma indicação à categoria de Melhor Atriz. Depois disso, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, e o documentário Lixo Extraordinário, de João Jardim, foram as produções brasileiras com mais destaque na maior premiação do cinema mundial.
Cidade de Deus, que foi indicado a quatro categorias do Oscar, em 2004, mostra o crescimento do crime organizado no Rio de Janeiro e, por esse motivo, é um filme violento. Já Lixo Extraordinário, indicado para o prêmio de Melhor Documentário, em 2011, versa lindamente sobre a produção de obras de arte por catadores de lixo a partir do material coletado no aterro do Jardim Gramacho, um cenário de extrema pobreza e sofrimento.
Tanto um quanto outro são longas-metragens primorosos, repletos de qualidades e merecedores de todos os louros que ganharam, mas é maravilhoso ver o Brasil tentar ser representado no Oscar, desta vez, por um filme tão leve e lúdico, que mostre o nosso país sob um prisma diferente daquele visto em longas como Tropa de Elite, de José Padilha, por exemplo, que mostra uma realidade nossa que não é única - nem a nossa preferida.
É bom assistir à alegria nas telonas, em atuações irretocáveis como a de Paulo José e a do próprio Selton Mello, vivendo palhaços que só desejam ver os outros felizes. O Palhaço foi visto por mais de 1 milhão de pessoas no Brasil e deve (tomara!) impressionar a Academia de Hollywood. Esperamos que, por lá, eles percebam que aqui existe miséria e violência, mas felicidade não falta. Que essa estatueta dourada seja nossa!

Fonte: Jornal do Brasil

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