domingo, 30 de setembro de 2012

Vendas para o Dia das Crianças devem chegar a R$ 43 milhões

Uma das melhores datas do varejo se aproxima, e os comerciantes se preparam com novidades e muita variedade para atender ao gosto dos pequenos. Após um Dia das Crianças “morno” em 2011, os lojistas querem agora reverter o baixo crescimento e emplacar bons resultados, onde os brinquedos (56,8%) serão as maiores vedetes da data comercial.  O presidente do Sindicado dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), Ronaldo Sielichow, estima crescimento de vendas da ordem de 11,4% em relação ao ano passado.
“É uma data emotiva, então normalmente o pessoal não deixa de comprar um presente, até porque as lojas têm modalidades que caberão no bolso dos clientes”. Neste ano, a média de gasto por presente prevista é de R$ 54,73, conforme levantamento realizado pelo Sindilojas em parceria com a CDL-Poa. Com este aumento, a estimativa das entidades do setor é que o 12 de outubro vai movimentar R$ 43,8 milhões no varejo porto-alegrense.
Em 2011, Márcia Galante desembolsou R$ 399,00 para presentear o neto. Como é o menino quem escolhe o que quer ganhar, geralmente brinquedos grandes, a conta também aumenta. Nesta semana, a dona de casa aproveitou o tempo para passear com Miguel, seis anos, e escolherem juntos o presente. A caminhada também serviu para uma pesquisa de preços, além de avaliar os preços. “O que ele escolhe é sempre na faixa dos R$ 300,00”, conta a avó.
Mesmo quem sai sem a intensão de comprar, acaba espiando e pesquisando os preços das mercadorias. Rosilaine Melo da Luz entrou em uma loja à procura de uma sombrinha, mas a exposição de brinquedos atraiu a vendedora para uma rápida pesquisa de preço. Tia de quatro sobrinhos, ela não pode deixar passar em branco o Dia das Crianças. Com a grande variedade de preços e produtos que ocupam as prateleiras, ficou impossível não presentear. “Não tem como não levar nada, sempre encontramos alguma coisa em conta”, afirma.
Em contrapartida ao movimento reduzido de setembro, as primeiras semanas de outubro devem ser de grande agitação no comércio. E Sielichow garante que as lojas estão preparadas para receber os clientes. A rede Big Center Festa aumentou 50% do seu estoque para se prevenir da grande demanda. 
Além do volume das mercadorias, a loja investiu na contratação de 50 funcionários temporários. “O Dia das Crianças é muito movimentado. Então, procuramos temporários para atender aos clientes e manter o bom atendimento”, comenta Pepita Ortiz, diretora da rede. A previsão é de que as vendas da empresa aumentem 45%, em comparação com o ano passado.  
Já Eliseu França, proprietário das Lojas França, não está otimista com as vendas de 2012. “O comércio está fraco neste ano, estamos com uma dificuldade muito grande de vendas. Espero que haja uma reação neste 12 de outubro, mas estamos temerosos e preocupados”, confessa. Segundo o comerciante, o endividamento das famílias e a espera para o fim do ano intimidam as compras neste mês. “Se estão muito endividadas, as famílias acabam dando um presente mais barato, mas depois capricham no Natal”, explica.
Entre tantos lançamentos da indústria de brinquedos, um dos destaques, pelo menos para as meninas, é a boneca Monster High, versão horrorizada da Barbie. Nas prateleiras desde o ano passado, a novidade da Mattel faz sucesso ao redor do mundo. As Monsters High são filhas dos mais diversos monstros, como o Drácula, Abominável Homem das Neves e Frankenstein. Sua pintura carregada e roupas exóticas se adequam à estrutura articulada. Voltada para o público feminino a partir de seis anos, seus preços variam entre R$ 80,00, as mais simples, e R$ 350,00, os modelos com os kits rebuscados.

Indústria de brinquedos cresce, apesar da concorrência chinesa

A indústria de brinquedos do País vivencia uma época de desenvolvimento. A competitividade com artigos chineses não desacelera o  crescimento da fabricação nacional. Apesar de a maioria dos produtos comercializados serem importados, os brinquedos brasileiros ganham destaques cada vez mais importantes nas prateleiras. A solução é apostar em personagens conhecidos, qualidade e diferenciação da produção estrangeira.

Conforme Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), os chineses ocupam 70% do mercado nacional, os outros 30% abraçam as diversas empresas nacionais. “Para o fim do ano, a nossa expectativa é chegar a 40% de participação”, acredita Synésio Batista da Costa, presidente da entidade. Para atingir essa estimativa, o setor aumentou a escala econômica de produção. A associação também busca medidas para reduzir os preços em 2%. “Fazemos uma ampla movimentação de brinquedo bom, bonito, barato e brasileiro”, comenta.

Neste ano, o setor registra um crescimento de 8% em relação a 2011. Para 2013, a estimativa é de que a participação dos produtos internos chegue a 50%. Uma das explicações é a alta do dólar, que deve intimidar as importações. “A expectativa é boa, estamos animados. O dólar não vai estar a favor do importador como esteve em 2011 e início de 2012”, celebra Costa. Somente neste ano, mais de mil brinquedos novos, fabricados no Brasil, estarão à disposição para as vendas de outubro. Até o Natal, mais 800 serão lançados para alavancar comercialização do fim do ano. 

Segundo Costa, a solução para se destacar é inovar e investir em produtos que não competem, mas sim, se sobressaem em meio aos importados. Para Gustavo Arruda, gerente de marketing da Grow, os artigos chineses têm conquistado um espaço cada vez maior no mercado brasileiro. Para concorrer com os gigantes orientais, é preciso fazer o diferente. “Temos tentado diferenciar os produtos, trabalhando principalmente com licenças fortes”, explica.

Conhecida principalmente pela linha de produtos cartonados, como jogos de tabuleiro e quebra-cabeças, há cinco anos a Grow aumentou a sua linha de bonecos. Conforme o gerente, a empresa investiu na modalidade, com base na oportunidade que enxergaram no mercado. Conforme dados da Abrinq, as bonecas representam a maior parte do negócio no País, cerca de 40%. “Percebemos que existe um espaço e demanda grandes, principalmente associada a personagens de sucesso”, justifica Arruda, ao afirmar que a venda destes brinquedos tem participação significativa na receita da empresa.

Até agosto, a fabricante de brinquedos gaúcha Xalingo registrou um crescimento de 9% das suas vendas. “A nossa meta é chegar a 10% no fim do ano, e esperamos conseguir, porque o movimento está muito bom”, conta Alexandre Marques, gerente de vendas da marca. Apesar da competição com o produto chinês, Marques acredita que a participação do produto nacional aumentou no mercado. Nos últimos seis anos, a empresa expandiu o seu catálogo, e hoje conta com 630 produtos. Apesar da acirrada concorrência com a China, o dragão vermelho também pode ser um aliado no momento da fabricação. Alguns recursos utilizados para diferenciar os brinquedos brasileiros, como peças eletrônicas, utilizadas para incrementar um boneco, são importados do maior concorrente. “Você pode olhar chinês como um concorrente ou como um aliado. Para algumas linhas de produtos eles estão do nosso lado, e para outras linhas são nossos adversários”, esclarece Marques.
 
Fonte: Jornal do Comércio

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