sábado, 24 de novembro de 2012

Democratização da moda: o hype, o poder das novelas e as tendências nas ruas

Mundo da moda empírico, conceitual, hermético, moda vanguardista para poucos, que adoram sair na frente usando esse ou outro acessório. Em uma outra vertente, no nosso país, novelas ditando tendências, bastando que um personagem apareça na trama com um mimo marcante para que versões e inspirações de suas produções se transformem em febre nas ruas. Na nossa cara, a democratização da informação globalizada fazendo com que pessoas das classes A a Z tenham acesso ao que será tendência. Com esses três pensamentos é fascinante contemplar a multiplicidade de lançamentos para o outono-inverno 2013 na Zero Grau - Salão de Tendências em Calçados e Acessórios, realizada esta semana em Gramado, no Rio Grande do Sul, reunindo 600 grandes expositores para apresentar as novidades para lojistas nacionais e internacionais de 12 países. Uma indústria milionária de criações.
Os Bekket high-top sneakers (tênis com salto interno embutido) - que a francesa Isabel Marant lançou e que se tornaram hype com o videoclipe "Love on top", da cantora Beyoncé, e celebridades internacionais usando para cima e para baixo - vão estar em milhares de lojas. Assim como creepers (tênis com solado mais alto e reto), releitura dos anos 50 e que Karl Lagerfeld  tirou do baú; ankle boots, com tachas, dobrinhas e detalhes em dourado; cap toe, aquele modelo clássico com a ponteira metálica ou com uma cor diferente do restante do calçado; peep toes, botas de cano alto ou cowboy com tachas mil, os confortáveis loafers com apliques. Um exercício de imaginação e diversas possibilidades.
Já escrevi aqui sobre a questão da passarela lançadora de tendência X a moda da novela. É um fenômeno incrível e bem característico do nosso Brasil. O exemplo mais recente é a personagem Carminha, vivida por Adriana Esteves em 'Avenida Brasil'. A sua bolsa Michael Kors dourada e repleta de monograma virou febre de Norte a Sul do país e a Central de Telespectador da Globo registrou que era o acessório da novela mais procurado. O estilista americano veste celebridades como Jennifer Lopez, Rachel McAdams, Heidi Klum e a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. E sua bolsa foi parar até em camelôs nas ruas do Rio.
Quando Carolina Dieckmann, em Fina Estampa, viveu a Teodora, mesmo com aquele caráter duvidoso, muitas mulheres queria ser como ela e, consequentemente, se vestir como tal. Nunca as lojas venderam tantas peças de lycra pink. As novelas competem diretamente com as passarelas como lançadoras de tendências. Atrizes se transformam em top models das telinhas e são presença garantida nos desfiles em qualquer semana de moda por aí, seja na fila A ou na passarela. Uma abastece a outra, apesar de serem 'vitrines' bem diferentes. Quando conversamos com a designer Claudia Arbex, que teve algumas de suas peças usadas por Alexia, a personagem de Carolina Ferraz em Avenida Brasil, ela afirmou: "Na novela, tudo é mais imediato, tanto na geração de desejo no consumidor, quanto na compra direto nas lojas. Em uma semana de moda, o trabalho é diferente, mas é só uma peça recém-saída da passarela aparecer no horário nobre, que uma fila de espera é formada. É mesmo uma febre". Vamos esperar para ver o que vai dar o que falar no nosso outono-inverno 2013 nas TVs. As cartas estão sendo dadas em semanas de moda e feira calçadista, como a Zero Grau.
Os compradores que estiveram em Gramado sabem disso como ninguém. E sabem muito bem o que é a democratização da moda. O discurso é esse, porque é o consumidor quem manda, tem muito acesso à informação e deglute e orienta a indústria com o que ele está desejando.

Fonte: Heloísa Tolipan (Jornal do Brasil)

Nenhum comentário: