sábado, 29 de dezembro de 2012

'Doce de mãe': um brinde ao talento inesgotável da diva Fernanda Montenegro

Bendito é o clichê quando usado para retratar uma realidade fascinante. Como, por exemplo, imaginar o quão mais interessante seria a programação da TV aberta brasileira, caso houvesse, diariamente, pelo menos uma atração de qualidade (em vários aspectos) similar ao do telefilme 'Doce de mãe', exibido na noite desta quinta (27) pela Globo.
Dirigida por Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, a trama, em seus pouco mais de 70 minutos, apresenta ao telespectador Dona Picucha, uma espevitada senhorinha interpretada por Fernanda Montenegro, em mais uma performance arrebatadora. E dá-lhe clichê!
Ao revelar aos seus quatro filhos (vividos pela quarteto de ouro formado por Matheus Naschtergaele, Marco Ricca, Louise Cardoso e Mariana Lima) que sua empregada e fiel escudeira, após 27 anos, estaria deixando sua casa, Picucha dá início à série de peripécias que levam Fernanda Montenegro a se divertir em cena, comandando piadas cortantes e interagindo de modo delicadíssimo com seus quatro filhos. Uma sintonia cênica de dar gosto.
Sintonia marcada pelo regionalismo típico de Jorge Furtado e sua Casa de Cinema de Porto Alegre, parceira da Globo na produção do filme. A ambientação explicitamente gaúcha, com coadjuvantes de forte sotaque e figurino encasacado, reforçam a estética do homem por trás de obras-primas do cinema brasileiro contemporâneo, como 'Saneamento básico: O filme' e 'Houve uma vez dois verões'.
'Esquecer é uma dádiva. Já pensou lembrar de tudo, que desespero?', diz Dona Picucha, em 'Doce de mãe'. Interpretação, como de praxe, impecável de Fernanda Montenegro em telefilme da Globo
'Esquecer é uma dádiva. Já pensou lembrar de tudo, que desespero?', diz Dona Picucha, em 'Doce de mãe'. Interpretação, como de praxe, impecável de Fernanda Montenegro em telefilme da Globo
'Doce de mãe' foi gravado durante três semanas e registra o primeiro encontro de Fernandona e Furtado. Um primeiro encontro que, nos acréscimos de 2012, brinda o público com belas interpretações, um texto eficiente e uma direção de pulso firme. Torcemos apenas para que a ideia do telefilme evolua rumo a um seriado em 2013, como ainda se cogita pelos lados da cúpula de programação da Globo. Tomara. O telespectador merece.

Fonte: Heloísa Tolipan (Jornal do Brasil)

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