quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tchecos vão às urnas para eleger primeiro presidente por voto direto

Os tchecos vão às urnas nesta sexta-feira (11) e no sábado (12) para participar no primeiro turno das eleições presidenciais com voto direto, algo inédito no país, e terão que escolher o sucessor de Vaclav Klaus entre nove candidatos.
Os presidenciáveis incluem dois ex-ministros e um artista que tem seu corpo coberto de tatuagens.
O segundo turno, previsto para os dias 25 e 26 de janeiro, apenas ocorrerá se nenhum dos candidatos obtiver neste sábado a maioria absoluta.
Propagada eleitoral é vista na cidade de Praga nesta segunda-feira (7) (Foto: AFP)Propagada eleitoral é vista na cidade de Praga nesta segunda-feira (7) (Foto: AFP)
Os dois favoritos na disputa são Milos Zeman, ex-primeiro-ministro entre 1998 e 2002, e Jan Fischer de centro que já dirigiu um gabinete provisório entre 2009 e 2010.
As últimas sondagens indicam entre 20% e 25% das intenções de votos para os dois candidatos com um ligeira vantagem para Zeman.
Embora a preferência de muitos jovens tchecos seja pelo compositor e pintor Vladimir Franz, que exibe várias tatuagens em seu corpo, para ocupar o Castelo de Praga, sede do governo.
"Quero mobilizar a sociedade civil para que as pessoas reflitam e saibam ler nas entrelinhas", afirmou o artista que oscila entre o terceiro e o sexto lugar nas pesquisas de intenção de votos.
"Não acredito que as pesquisas sejam absolutamente verdadeiras nesta primeira eleição presidencial através do sufrágio universal direto", declarou à AFP o cientista político Tomas Lebeda, da Universidade Carolina de Praga.
"Nas eleições legislativas, os eleitores escolhem de forma racional e de acordo com o programa econômico dos partidos. Mas tudo indica que esses fatores terão um papel menos importante nesta eleição presidencial", acrescentou.
Os partidos políticos são representados pelo vice-ministro dos social-democratas CSSD, Jiri Dientsbier; o ministro das Relações Exteriores Karel Schwartzenberg, do partido de direita TOP 09; e o vice-presidente da outra organização de direita ODS, Premysl Sobotka.
Vladimir Franz não possui experiência polícia, mas é doutor em direito (Foto: Divulgação)Vladimir Franz é um dos candidatos a presidente na República Tcheca (Foto: Divulgação)
Três mulheres aspiram ainda alcançar ao posto de chefes de Estado: a presidente do movimento eurocético "Soberania", Jana Bobosikova; a atriz e ex-deputada Tatana Fischerova; e a eurodeputada da democracia cristã Zuzana Roithova. Entretanto, as candidatas têm poucas possibilidades de serem eleitas.
A probabilidade maior é que Fischer e Zeman se enfrentem no segundo turno. Enquanto isso, o país discute sobre a possível adesão de Zeman ao Partido Comunista KSC antes da "Revolução de Veludo" de 1989.
Ele foi membro do KSC durante a "Primavera de Praga", em 1968, mas expulso dois anos depois durante os expurgos ocorridos na ocupação do país pelas tropas soviéticas.
O novo presidente será o terceiro a assumir o mandato depois da independência da República Tcheca em 1993, seguido do ex-dissidente Vaclav Havel, falecido em 2011, e do eurocético Vaclav Klaus, que tem seu segundo mandato de cinco anos prestes a terminar no dia 7 de março.
Ambos foram eleitos pelo parlamento em um procedimento questionado na ocasião. Em fevereiro de 2012, os deputados decidiram eleger, a partir dessa data, o novo presidente por meio do voto direto.
Embora o presidente tcheco não tenha amplos poderes como nos Estados Unidos ou na França, tem o poder de nomear ou destituir o primeiro-ministro e outros membros do governo, além de ratificar ou vetar leis aprovadas no parlamento.
O chefe de Estado também pode escolher membros para integrar o conselho de política monetária do banco central, nomear juízes e generais do exército.
A República Tcheca tem uma população de 10,5 milhões de habitantes e foi criada no dia 1ºde janeiro de 1993 da separação pacífica da então Tchecoslováquia em dois Estados independentes.
O país aderiu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1999 e à União Europeia em 2004, mas não pertence à zona do euro.
Em 2011, a República Tcheca registrou um crescimento de sua economia de 1,7%, após ter crescido 2,7 em 2010. Em 2012, o país entrou em recessão devido à crise econômica.
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Fonte: G1

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