segunda-feira, 11 de março de 2013

Brasil tem 13 milhões de pessoas com doenças raras, diz pesquisa

Brasil tem 13 milhões de pessoas com doenças raras, diz pesquisa
"Laboratório, em foto de arquivo Getty"

Há estimados 13 milhões de pessoas com doenças raras no Brasil, número superior à população da cidade de São Paulo, informa pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), em um seminário sobre o tema realizado na capital paulista.
O estudo diz ainda que diante da falta de uma política nacional para lidar com esse tipo de doença - cujo conceito, ainda que não seja unânime, é de doenças que atingem uma parcela pequena da população -, pessoas afetadas muitas vezes têm dificuldades em obter o tratamento adequado ou precisam recorrer à Justiça para ter acesso a medicamentos.
Entre as doenças raras estão males como a esclerose lateral amiotrófica (doença degenerativa dos neurônios motores), o hipotireoidismo congênito, a doença de Pompe (mal genético que causa hipertrofia cardíaca na infância), a fibrose cística do pâncreas ou do pulmão e até mesmo a doença celíaca (intolerância ao glúten).
Estima-se que haja 7 mil doenças raras diagnosticadas, sendo 80% delas de origem genética. Outras se desenvolvem como infecções bacterianas e virais, alergias, ou têm causas degenerativas. A maioria (75%) se manifesta ainda na infância dos pacientes.
'Se individualmente atingem um número restrito de pessoas, em conjunto elas afetam uma parcela considerável da população mundial - entre 6% e 8%, ou 420 milhões a 560 milhões de pessoas', diz o levantamento.
'O desafio é considerável, levando-se em conta que 95% das doenças raras não possuem tratamento e dependem de uma rede de cuidados paliativos que garantam ou melhorem a qualidade de vida dos pacientes.'
'Barreiras'
No Brasil, pacientes com doenças raras enfrentam 'diversas barreiras' para conseguir tratamento especializado e medicamentos, afirma a Interfarma. Como não existe uma política integrada de tratamento desses males, o atendimento ocorre de forma 'fragmentada', na opinião da associação.
Dados do Ministério da Saúde citados pelo estudo apontam que há 26 protocolos clínicos para doenças raras no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde) - esses protocolos são a 'porta de entrada' para a assistência para doenças raras na saúde pública.
O Ministério contabiliza 45 medicamentos, tratamentos cirúrgicos e clínicos para doenças raras, 70 mil consultas realizadas e mais de 560 procedimentos laboratoriais para tratamento e diagnóstico, a custos de mais de R$ 4 milhões por ano.
Mas, segundo a Interfarma, além de algumas doenças não estarem inseridas em nenhum protocolo, apenas um dos 18 protocolos (o da doença de Gaucher, mal em que restos de células envelhecidas se acumulam sobre órgãos como fígado, baço e medula óssea), prevê o uso de 'drogas órfãs', que são medicamentos específicos para doenças raras ou negligenciadas.
Com isso, muitos pacientes do SUS acabam tendo acesso apenas a medicamentos paliativos, 'que amenizam os sintomas das doenças, mas não interferem em sua evolução'.
O estudo contabiliza 14 doenças raras que têm medicamentos órfãos já registrados na Anvisa (agência de vigilância sanitária) e comercializados no país, mas não disponíveis no SUS. Muitos pacientes recorrem então à Justiça, numa espécie de 'corrida de obstáculos' para obter o tratamento adequado.
Segundo o estudo, 'o fato de o Brasil não possuir uma política oficial específica para doenças raras não significa, porém, que os pacientes não recebam cuidados e tratamento. Os medicamentos acabam chegando até eles, na maioria por via judicial. E o SUS, de uma maneira ou de outra, atende essas pessoas - porém, de forma fragmentada, sem planejamento, com grande desperdício de recursos públicos e prejuízo para os pacientes'.
Outro problema é o déficit de geneticistas para desenvolver pesquisas a respeito e o fato de a maior parte dos centros de estudo de doenças raras se concentrarem apenas nas áreas mais ricas do Brasil.
Nos cálculos do estudo, faltam ao país 1800 geneticistas.
'Faltam pesquisas e informações sobre essas doenças; os profissionais da área carecem de treinamento e capacitação - o que compromete ou retarda o diagnóstico - e, muitas vezes, o próprio sistema de saúde não oferece meios para que seja realizado a tempo.'

Fonte: MSN
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Estudo aponta que múmias de 4 mil anos tiveram problemas cardíacos

Uma pesquisa sobre múmias de mais de 4 mil anos aponta que os humanos da pré-história já sofriam de arteriosclerose, doença que provoca ataques cardíacos que era relacionada até então com o estilo de vida moderno. A revista científica britânica The Lancet publicou nesta segunda-feira os resultados de um grupo internacional de cientistas que realizaram uma pesquisa com 137 múmias de diferentes lugares do mundo.

Mais de um terço das múmias examinadas com tomografia axial computadorizada (TAC)  mostravam sinais de calcificação vascular, causa da arteriosclerose, hoje associada à obesidade, ao tabaco e à falta de exercícios. Além disso, os cientistas descobriram, através da análise da estrutura óssea das múmias, que a idade no momento da morte estava relacionada com a presença e o alcance da arteriosclerose.

A descoberta sugere que "nosso entendimento das causas da arteriosclerose é limitado e que a doença pode ser inerente ao envelhecimento humano", segundo Randall Thopmson, do Saint Luke's Mid America Heart Institute no Kansas, Estados Unidos.

As múmias estudadas eram de regiões diferentes do mundo, como o Egito, o Peru, o sudoeste dos Estados Unidos e as Ilhas Aleutianas, no Alasca. "O fato de termos encontrado níveis semelhantes de arteriosclerose em todas as culturas que analisamos indica que a doença pode ter sido mais comum na antiguidade do que tínhamos imaginado", ressaltou Thompson.

Nem todas as múmias investigadas conservavam a estrutura arterial, mas em algumas havia uma placa calcificada no local onde ficavam as artérias, por isso os especialistas apontaram a um caso provável de arteriosclerose.

Apesar de estudos anteriores encontrarem sinais dessa doença em múmias egípcias, essa é a primeira pesquisa que busca sinais de arteriosclerose em culturas assentadas em diferentes lugares e com estilos de vida diferentes.

Pelo menos um terço das múmias sofria de um endurecimento nas artérias que provoca ataques no coração e derrame Foto: AP
Pelo menos um terço das múmias sofria de um endurecimento nas artérias que provoca ataques no coração e derrame
Foto: AP
O descobrimento refuta a ideia segundo a qual a prevalência de arteriosclerose nas múmias egípcias tinha a ver com o alto status social dos indivíduos, cuja dieta poderia haver sido rica em gorduras saturadas, elevando o risco de padecer a doença.

"As múmias não egípcias que estudamos haviam sido preservadas naturalmente devido às condições meteorológicas, por isso assumimos que estas múmias representam praticamente todos os setores da população, ao contrário da elite social que era mumificada no Antigo Egito", disse Thompson.

Fonte: Terra

BC segura dólar acima de R$1,95 e moeda sobe 0,51% ante real

Chung Sung-Jun/Getty Images
Notas de Dólar - dinheiro
A divisa norte-americana encerrou a sessão com sua maior alta desde 20 de fevereiro

O dólar fechou com a maior alta frente ao real em quase três semanas nesta segunda-feira após o Banco Central intervir no mercado, segurando a divisa norte-americana acima do nível de 1,95 real, considerado por boa parte do mercado como o piso de uma banda informal para a moeda.

O dólar avançou 0,51 por cento, para 1,9570 real na venda, após atingir 1,9424 real na mínima e 1,9630 na máxima do pregão, com alta de 0,82 por cento. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 3,015 bilhões de dólares.
Foi a maior alta no fechamento desde 20 de fevereiro, quando a moeda avançou 0,56 por cento, cotada a 1,9660 real na venda.
"O que aconteceu foi exatamente aquilo que o mercado esperava. Em determinado momento, o Banco Central já entrou e sacramentou o dia", disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.
O BC anunciou que faria um leilão de swap cambial reverso --contrato derivativo que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro-- pela manhã, quando a moeda norte-americana era negociada a 1,9455 real na venda, apenas ligeiramente abaixo do fechamento anterior.
Foi a primeira operação desse tipo desde 15 de fevereiro, quando o BC também atuou para conter a queda do dólar após ameaçar testar patamares abaixo de 1,95 real. Analistas especulavam se o governo permitiria que a moeda recuasse para abaixo desse nível para conter pressões inflacionárias e baratear importações de bens de capital.
O dólar fechou abaixo do nível de 1,95 real pela primeira vez em 10 meses na sexta-feira depois que dados de inflação acima das expectativas aumentaram as apostas em alta da taxa básica de juros, o que tornaria ativos denominados em reais mais atraentes para investidores internacionais.
Desde então, investidores negociavam com extrema cautela no mercado cambial, no aguardo de uma possível atuação da autoridade monetária.
Segundo operadores, entretanto, a tendência é que o mercado volte a testar patamares mais baixos para o dólar, diante da perspectiva de maiores entradas de moedas estrangeiras na economia brasileira.
Fatalmente o mercado vai testar esse piso", acrescentou Galhardo. "Aumentou um pouco o fluxo de entrada de dinheiro, isso tem levado a uma certa liquidez e está pesando diariamente no mercado".
Embora o fluxo cambial --balanço de entrada e saída de divisas estrangeiras do país-- tenha fechado fevereiro negativo em 105 milhões de dólares, o país registrou entrada líquida de 3,151 bilhões de dólares na última semana do mês.
Alguns analistas mostravam-se incertos sobre a existência de um chão para a divisa.
"O BC está sinalizando que não vai deixar o real se fortalecer muito, não que haja necessariamente um piso", disse o especialista em câmbio da Icap Corretora, Italo dos Santos.
A moeda norte-americana quase 4,5 por cento desde o início do ano com apostas de que o BC quer um real mais valorizado para baratear o custo de produtos importados e ajudar na luta contra a inflação.
Na sexta-feira, dados mostraram que a inflação pelo IPCA, índice que baliza o sistema de metas oficial, chegou a 6,31 por cento nos últimos 12 meses --acima das expectativas de economistas e muito próximo do teto de 6,5 por cento estabelecido pelo governo.


 Fonte: Exame Abril

Justin Bieber cancela show após baixa venda de ingressos, diz site

Foto: DivulgaçãoCom dois shows marcados em Lisboa, em Portugal, para esta segunda-feira e terça-feira, Justin Bieber pode fazer apenas o primeiro. Segundo o "Daily Mail" os ingressos para a segunda apresentação teriam encalhado, o que fez com que a produção do cantor cancelasse a apresentação.
O site informa ainda que a informação sobre a baixa venda de bilhetes para o show não foi confirmada pela produção do evento e nem mesmo pela equipe de Justin Bieber.
O cancelamento da apresentação foi anunciado no site do Pavilhão Atlântico, onde aconteceria o show. "Devido a circunstãncias imprevistas, Justin Bieber foi forçado a cancelar a segunda apresentação em Portual, 12 de março", diz o comunicado.

Fonte: S. Rezende

Irmão de Mércia Nakashima, biólogo e engenheiro falam ao júri no 1º dia

O depoimento do irmão de Mércia Nakashima, de um biólogo e de um engenheiro marcaram o primeiro dia do júri popular do policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, realizado no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. A sessão foi encerrada pelo juiz às 20h30 desta segunda-feira (11) e será retomada nesta terça-feira (12), às 9h.
Em um depoimento de mais de quatro horas em que chorou várias vezes, Márcio Nakashima alinhou os argumentos que sustentam sua desconfiança em relação a Mizael, ex-namorado de Mércia, disse não se conformar "com a cara de pau" dos advogados do réu e apontou o ex-cunhado como possessivo.
Também foram ao plenário nesta segunda o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo que apontou indícios de que Mizael esteve na represa onde o corpo de Mércia foi encontrado. E o engenheiro Eduardo Amato Tolezani, que apresentou a metodologia usada na análise das ligações feitas pelo celular de Mizael e do posicionamento do carro do réu na noite do crime.
Mércia Nakashima foi vista pela última vez com vida em 23 de maio de 2010, após sair da casa dos pais, em Guarulhos (SP). Depois de vários dias de investigação e buscas, bombeiros encontraram, no dia 10 de junho de 2010, o carro da vítima – um Honda Fit prata – no fundo de uma represa em Nazaré Paulista, vizinha a Guarulhos.
Na manhã seguinte, o corpo de Mércia foi localizado. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou morte por afogamento em 23 de maio, depois da vítima ter sido baleada de raspão no rosto e nas mãos e sofrer um desmaio.
À polícia, um pescador afirmou que, em 23 de maio, quando se preparava para pescar na represa, viu um carro ser abandonado na água. Ele contou que ouviu gritos antes do veículo submergir e que no local estava um homem alto, cuja face não conseguiu enxergar.

Com o inquérito concluído, a Justiça pediu a prisão de Mizael, ex-namorado da vítima, e do vigilante Evandro Bezerra Silva, que teria encontrado com o suspeito na noite do crime e, posteriormente, tentado vender informações sobre o caso para a família da vítima. Dias depois, no entanto, a decisão foi revogada e ambos puderam responder o processo em liberdade.

Irmão
Márcio Nakashima pontuou a deterioração no relacionamento entre Mércia e Mizael. "No início era um relacionamento normal. Depois ele se transformou, virou um sujeito possessivo", afirmou. Segundo Márcio, Mizael foi o único namorado que Mércia teve na vida.  Ele contou que os dois já haviam se desentendido muito quando trabalharam no mesmo escritório de advocacia, em razão de honorários que Mizael devia para ela. O irmão disse que a vítima abriu então um novo escritório e relatou ameaça que teria sofrido do réu. "Um dia Mizael chegou [no escritório novo] muito nervoso e chegou a ameaçar ela de morte", afirmou.

O irmão de Mércia também apontou as razões de sua desconfiança em relação a Mizael.  Ele afirmou que pediu ajuda de Mizael para encontrar Mércia porque acreditava que a ela tinha sido sequestrada. Ele disse que o acusado se recusou a ajudar. "Ele não quis me atender, mas até ai eu achei normal, porque nessa época eu já não falava com ele".

Ele disse ainda ter visto Mizael arrancar cartazes espalhados pelas ruas pela família, pedindo informações sobre Mércia. Também afirmou que soube que Mizael tentava o arquivamento do boletim de ocorrência de desaparecimento, registrado pela família no 6º Distrito Policial de Guarulhos (SP), o que motivou a família de Mércia a buscar ajuda no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na capital.

Biólogo
Com mestrado em Michigan e doutorado pela Universidade de São Paulo  (USP) em taxonomia de algas,  o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo analisou as lâminas com restos de sedimentos do sapato e do tapete do carro de Mizael.  Para o especialista,  trata-se de uma alga aquática e subaquática que exige substrato (rochas, plantas) para se fixar.  Segundo ele, normalmente são plantas que ficam às margens da represa.   "Tudo indica a presença dele [Mizael, na represa]", afirmou.

Bicudo contou que ao analisar as lâminas sabia que se tratava do caso da morte de Mércia Nakashima e posteriormente, soube que alga foi encontrada na sola do sapato de Mizael.  Quando questionado sobre a possibilidade de Mizael ter pisado na beirada da represa, o biólogo afirmou: “de outra forma não sei como essa alga ia parar na sola do sapato dele.”u.
O especialista disse que alga pode aparecer em diferentes represas, mas nunca em uma poça d´água tal como a defesa chegou a mencionar ao longo dos anos. A alga, encontrada já morta mas com características preservadas, estava fixada em uma planta. Na terra, essa alga não poderia se fixar. Segundo ele, o elemento de reprodução precisa de algum lugar que tenha solidez.

O promotor Rodrigo Merli Antunes aproveitou para fazer questões sobre o relatório produzido por Osvaldo Negrini, que contestam os resultados da perícia que incriminam os acusados. “Conteúdo científico- biológico não tem”, declarou.
"Há quanto tempo aderida ao sapato?", questionou o advogado Samir Haddad, que defende Mizael. “Deu [para analisar] tinha características internas das células. Se tivesse mais de quatro semanas no sapato seria impossível identificar. Podia estar até umas três semanas", respondeu o biólogo.

Engenheiro
O terceiro a falar nesta segunda-feira foi o engenheiro Eduardo Amato Tolezani apresentou, em projeção na parede do plenário do Fórum de Guarulhos, a metodologia usada na análise das ligações feitas pelo celular de Mizael e do posicionamento do carro do réu na noite do crime. Durante a apresentação, advogados de defesa e promotor discutiram. 

Para baixar o calor do momento, o juiz Leandro Bittencourt Cano pediu calma. "Vamos nos conter sobre as ofensas pessoais."

5 mulheres e 2 homens formam júri
O júri popular do advogado e policial reformado Mizael Bispo de Souza, 45 anos, começou por volta das 10h40. No início da sessão, o corpo de jurados foi formado com cinco mulheres e dois homens. O julgamento será o primeiro do país a ser transmitido ao vivo, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo.

Mizael chegou ao fórum às 8h20 e, durante os trabalhos preparatórios para o início de seu julgamento, já sem algemas e sentado junto a advogados, chorou no plenário do Fórum de Guarulhos. Ele teve de deixar a sala por ordem do juiz Leandro Cano, a pedido do Ministério Público, para que as testemunhas do caso começassem a serem ouvidas. A mãe de Mércia, Janete Nakashima, também chorou neste momento.
O réu responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima). De acordo com a denúncia, Mizael matou a ex-namorada, então com 28 anos, porque ela não queria reatar o relacionamento.
O policial reformado afirma que não estava na cena do crime e que passou a noite em que Mércia Nakashima desapareceu com uma garota de programa. A Promotoria, no entanto, diz ter provas que derrubam a versão do acusado, como o laudo que mostra que o sapato dele tinha alga compatível com as da represa de Nazaré.
O vigia Evandro Bezerra Silva, que também é réu do caso, só será levado a julgamento no dia 29 de julho. Seu advogado, Aryldo de Paula, esteve no Fórum de Guarulhos, mas teve seu pedido para participar da audiência indeferido pelo juiz.

"Eu entendo que é perfeitamente cabível minha presença dentro do plenário até para evitar o excesso de acusação. Podem surgir fatos neste plenário que podem prejudicar meu cliente e estarei ali para contradizer essas versões", justificou. O defensor disse que vai apresentar um pedido de habeas corpus para a desembargadora Angélica de Almeida, relatora do caso, para participar do plenário.
A expectativa é que o julgamento dure cinco dias. Com os jurados definidos, começaram a ser colhidos os depoimentos das testemunhas. Em seguida, o réu será interrogado. Depois, tem início a fase de debates.
O promotor Rodrigo Merli Antunes e o assistente da acusação Alexandre de Sá Domingues, advogado contratado para defender os interesses da família Nakashima, irão apresentar aos jurados o que consideram ser as provas de que Mizael matou Mércia. Deverão ser exibidas fotos e vídeos da vitima em vida e de quando foi encontrada morta. A gravação que mostra o réu batendo na mesa durante um interrogatório também deverá ser usada. A defesa também apresentará seus argumentos. No final, os jurados se reúnem na sala secreta para decidir se absolvem ou condenam o réu. A sentença caberá ao magistrado.

Conheça as principais provas reunidas pela acusação e o que alega a defesa de Mizael:

ANTENA DE CELULAR
Laudo mostra que foram feitas pelo menos seis ligações para o celular de Mizael. Exame identifica que, pelas Estações Rádios Bases (ERbs) é possível indicar que o ex-namorado de Mércia estava perto saindo de Nazaré Paulista e indo para Guarulhos perto do horário em que a vítima foi morta em 23 de maio de 2010. O que diz a defesa - alega que nesse dia as ERBs estavam congestionadas e deslocaram a chamada para o telefone de Mizael para outras antenas mais distantes.

RASTREADOR DO CARRO
Laudo demonstra que Mizael circulou ao redor da casa de Mércia e que veículo dele ficou parado das 18h37 às 22h12 no estacionamento de um hospital em Guarulhos no horário do crime. Para a acusação, o ex havia ido com Mércia no carro dela para Nazaré nesse horário. O que diz a defesa: alega que Mizael estava com uma garota de programa nesse horário e que o rastreador estava com problema.

ALGA NO SAPATO
Biológo detectou que alga achada no sapato de Mizael é compatível com a encontrada no fundo da represa de Nazaré Paulista, onde Mércia foi morta. O que diz a defesa: a alga existe em qualquer lugar úmido. Portanto não dá para concluir que seja exclusiva da represa.

SANGUE NO SAPATO
Exame não é conclusivo para saber de quem é material genético, mas indica que a substância é humana. O que diz a defesa: resultado é inconclusivo.

PARTÍCULAS DE OSSO
Estilhaços de material que seria osso humano foram achados no calçado e veículo de Mizael. Quando Mércia foi baleada, teve fratura nos ossos da face e da mão. O que diz a defesa: resultado é inconclusivo.

PARTÍCULAS DE LATÃO
Parte de material metálico, que seria de bala, foi encontrada no calçado e veículo de Mizael. Acusação suspeita que seja parte das balas que atingiram Mércia. O que diz a defesa: resultado é inconclusivo.

Os advogados Samir Haddad Júnior e Ivon Ribeiro, que defendem Mizael, contestam as provas apresentadas pela acusação. “Não há nada no processo que coloque Mizael na cena do crime”, disse Haddad Júnior. "E isso será provado diante dos jurados".

Fonte: G1