terça-feira, 2 de abril de 2013

Pena máxima dos estupradores da turista é de 29 anos

O delegado titular da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (DEAT), Alexandre Braga, afirmou que a pena do trio envolvido no roubo de um casal de estrangeiro e o estupro da turista, dentro de uma van, ocorrido no último sábado (30), poderá chegar a 29 anos. Na mesma noite, Jonathan Foudakis de Souza, 20 anos, e Wallace Aparecido Souza Silva, 22 anos foram presos. Já o terceiro acusado, Carlos Atmando Costa dos Santos, 21 anos, foi capturado no fim do dia desta seguna-feira (1).
De acordo com o delegado, o roubo teve "aumento de pena com três causas": o uso de arma, no caso a barra de ferro, que foi "interpretada" pelo delegado como tal; o concurso de pessoas, que "corresponde à associação de duas ou mais pessoas, mas difere do conceito de quadrilha", como explicou o titular, e a privação da liberdade dos dois estrangeiros.
Além do crime de roubo, que pode condenar os jovens a até 15 anos de prisão, eles também foram acusados de estupro, que chega a até dez anos e a corrupção de menores, com pena máxima de quatro anos. A última, pelo fato das vítimas terem relatado que um garoto com idade inferior a 12 anos foi orientado a recolher os pertences roubados do casal, antes de deixar o carro.

Vítimas reconhecem os prisioneiros
Apesar de não informar o número de vítimas que já compareceram à DEAT, o delegado confirma que novos casos estão sendo denunciados graças à divulgação das imagens dos prisioneiros, "que teriam facilitado o reconhecimento". Até então, foram divulgados pela polícia o reconhecimento dos bandidos por uma brasileira, pelo casal de estudantes estrangeiros e outro turista, que teria sido roubado por eles.
Com o fim do caso, Alexandre Braga diz que começa, agora, o "trabalho de pesquisa" para identificar crimes "pretéritos" que possam ter relação com este último, cruzar dados, entre outros trâmites. Ainda conforme o delegado, o registro de ocorrências documentados continuarão sendo tratados nas respectivas DPs. Apenas no caso de crimes contra turistas serão tratados na DEAT.
O delegado não confirma a nacionalidade dos turistas como americana da garota e francesa a do rapaz, mas informou que ambos tinham idade em torno de 20 anos. A moça já retornou aos EUA e o namorado permanece no Brasil.
Para Braga, a colaboração das duas vítimas foram fundamentais. "Eles souberam descrever com precisão os criminosos, bem como suas características físicas. Isto ajudou muito", disse.

Frieza e espanto
Alexandre classificou os três jovens que cometeram o crime como "indiferentes e frios". Ele disse também que os presos "não demonstram arrpendimento" dos atos e que "aparentemente" a "escolha" pelos estrangeiros seria "aleatória".
Policiais que retornaram, imediatamente, de seus recessos da Páscoa para investigar, recolher provas e prender os acusados, disseram que o crime assustou até mesmo a eles. Para o delegado titular da DEAT, este crime "abominável" contra os turistas "não é comum" na cidade do Rio.

O caso
Na noite de sexta-feira (29), o casal pegou a van em Copacabana com destino à Lapa. No trajeto, dois ocupantes obrigaram os demais passageiros a desembarcarem e em outro ponto, entrou um terceiro comparsa. Em seguida, eles tomaram a direção de São Gonçalo. Durante mais de seis horas, eles agrediram com barras de ferro o homem, que foi algemado, e violentaram a mulher, que levou um golpe no rosto, no qual fraturou o nariz. Além disso, os bandidos fizeram vários saques e compras com os cartões bancários dos turistas, totalizando cerca de mil reais, o que fez com que a polícia colhesse provas com certa facilidade. O casal foi solto na manhã de sábado, na BR 101, entre São Gonçalo e Itaboraí. Lá, eles conseguiram chegar até um consulado que o encaminhou para a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo.
A vítima ainda contou que o trio voltou com a van ao Rio de Janeiro e parou em frente ao apartamento da americana, que alegou aos bandidos ter outro cartão de crédito em casa. A moça foi até o imóvel sozinha e voltou para o veículo sem ligar para a polícia porque temia pela vida do companheiro que a aguardava dentro da van.

Prisão de Carlos Armando foi mais difícil
O titular considerou a prisão do último criminoso mais difícil, pelo fato de que os dois primeiros detentos não davam detalhes sobre o colega e se referiam a ele como Tiago, quando na verdade se chamava Carlos, o que trouxe certo obstáculo à investigação.

Van era alugada
Braga confirmou nesta terça-feira (2) que a van que transportava os rapazes e os turistas era alugada. Segundo ele, é quase certo que o carro tinha permissão para transitar com passageiros na região de Niterói e São Gonçalo. "Mas, não há dúvidas de que não tinham autorização para circular no Rio de Janeiro", avalia.
O titular também adiantou que a polícia não conseguiu estabelecer nenhum vínculo do dono do veículo com o crime. Além disso, segundo ele, o proprietário alegou que "não sabia que a van vinha sendo utilizada para a prática de crimes, nem que ela circulava fora do local permitido".
"Até o momento, os policiais não receberam informações e/ou denúncias dos passageiros que foram obrigados a descer da van", disse Alexandre. Segundo ele, ainda hoje o trio será encaminhado à Secretaria de Administração Penitenciária.

Fonte: Jornal do Brasil