sexta-feira, 21 de junho de 2013

Morre em Belém gari que inalou gás em protesto

A gari Cleonice Vieira de Moraes, de 51 anos, que trabalhava para a prefeitura de Belém varrendo ruas da área do mercado Ver-o-Peso, no centro, morreu na manhã desta sexta-feira (21) no Pronto-Socorro do Guamá após sofrer duas paradas cardíacas.
Cleonice foi uma das pessoas intoxicadas por gás lacrimogêneo durante manifestação na cidade na quinta-feira (20). É a segunda morte na onda de protestos pelo País. Em Ribeirão Preto (SP), um jovem de 18 anos foi morto por um motorista que avançou com o carro sobre a manifestação .

Igor Mota/Futura Press
Manifestantes vão às ruas em Belém (PA) contra o aumento da passagem de ônibus e contra várias outras bandeiras como a cura gay e a corrupção (20/06)
Cleonice era hipertensa e teria morrido de infarto fulminante, segundo o diretor do PS, Dionísio Monteiro. A mulher estava no local onde 25 mil realizavam, no fim da tarde de quinta, manifestação em frente à prefeitura pedindo redução da tarifa de ônibus e passe livre para os estudantes.
Parentes da gari contaram que ela, na hora do tumulto que envolveu manifestantes e a Polícia Militar, correu para refugiar-se dentro de um bondinho, juntamente com outras pessoas. Nesse momento, um policial atirou uma bomba de efeito moral no local onde todos se abrigavam. Muitas pessoas, intoxicadas pela fumaça, passaram mal, inclusive Cleonice, que chegou a desmaiar.

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Socorrida no local, as primeiras tentativas de reanimá-la não surtiram resultado. Levada de ambulância até o PS, ela ficou durante a madrugada sob cuidados médicos, mas o quadro se agravou e ela morreu por volta das 7 horas.
O secretário Municipal de Saneamento, Luiz Otávio Mota Pereira, atribuiu a morte da gari a uma "grande fatalidade". Segundo ele, Cleonice trabalhava na varrição da praça perto do palácio Antonio Lemos, juntamente com outros garis. Quando o clima entre os manifestantes e os policiais ficou tenso, os garis suspenderam o serviço. Pereira acredita que a mulher se assustou com o barulho das bombas e na correria teria sofrido uma queda. O médico que a atendeu no PS informou que não havia traumatismo na paciente.
A manifestação foi pacífica até o momento em que um grupo passou a atirar pedras contra o prédio da prefeitura, cobrando a presença do prefeito Zenaldo Coutinho, que chegou a descer do gabinete para conversar na calçada com os manifestantes. Ficou decidido que um grupo seria formado para falar com Coutinho, mas a maioria descartou, dizendo que o prefeito deveria falar com todos. Diante do impasse, Coutinho retornou para seu gabinete.
Em represália, um grupo ameaçava invadir a prefeitura, quando a PM interveio, atirando bombas de efeito moral e fazendo disparos com balas de borracha sobre a multidão. Alguns manifestantes revidaram, disparando rojões contra o prédio. A PM informou que mais de 70 pessoas foram presas. Todos já foram soltos.

Fonte: Último Segundo

Jovem morre atropelado durante passeata em Ribeirão Preto

Uma mulher morreu nesta sexta-feira (21) em Belém depois de ter passado mal após a explosão de uma bomba na quinta-feira. Ela trabalhava como gari, na região. No interior de São Paulo, um jovem morreu atropelado durante a passeata em Ribeirão Preto.
Muita gente acompanhou nesta sexta-feira (21) o enterro do corpo do estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O jovem e outras 12 pessoas foram atropelados durante a manifestação de quinta-feira (20) à noite, em uma avenida da Zona Sul da cidade.
A polícia procura o motorista, o empresário Alexsandro Ishisato de Azevedo, de 37 anos, que avançou sobre os manifestantes e depois fugiu. O delegado responsável pelo caso pediu a prisão preventiva do empresário.
Em Belém, a violência dos protestos atingiu até quem não participava da manifestação. Uma gari que trabalhava aqui próximo à prefeitura passou mal e desmaiou na quinta-feira (20) após a explosão de uma bomba.
A confusão começou quando um grupo tentou invadir o prédio. Um rapaz atirou um objeto contra a prefeitura e foi contido por um manifestante contrário ao vandalismo. A polícia reagiu com balas de borracha e spray de pimenta.
Cleonice Moura Vieira, de 54 anos, estava perto da região do conflito. Ela não sabia que por causa da manifestação estava dispensada do trabalho. A gari foi socorrida, mas, hipertensa, teve duas paradas cardíacas e foi levada para um hospital. Nesta sexta-feira, pela manhã, ela não resistiu ao terceiro ataque do coração.

Fonte: Jornal Nacional

Datafolha: Joaquim Barbosa lidera corrida presidencial entre manifestantes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, lidera a corrida eleitoral entre os manifestantes de São Paulo para ocupar o lugar de Dilma Rousseff na Presidência da República, segundo pesquisa do Datafolha realizada na quinta-feira. Segundo o levantamento, o ministro do STF é o preferido de 30% dos entrevistados, seguido da ex-senadora Marina Silva, com 22%. As informações são da Folha de S.Paulo. 
Dilma está em terceiro lugar, com 10% da preferência. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), com 5%, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com 1%, vêm em seguida. A margem de erro da pesquisa, que entrevistou 551 manifestantes durante o protesto de ontem, é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

 O presidente do STF, Joaquim Barbosa, tem 30% da preferência entre os manifestantes de SP Foto: AFP

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: TERRA

Ressarcimento para FIFA sairia do Tesouro, explica professor

São Paulo – A possibilidade de cancelamento da Copa das Confederações, que está acontecendo neste mês, ou da Copa do Mundo, marcada para daqui um ano, é remota. Mas especulações sobre o assunto surgem em meio aos protestos que tomaram o país.
A FIFA já informou que isso não deverá acontecer. “Em nenhum momento a FIFA, o Comitê Organizador Local (COL) ou o Governo Federal discutiram ou sequer consideraram o cancelamento da Copa das Confederações da FIFA”, afirmou a federação por meio de sua assessoria de imprensa.
Se o fato se consumasse, porém, o governo precisaria ressarcir a federação. A possibilidade é prevista pela Lei Geral da Copa. No artigo que trata da responsabilidade civil, a lei prevê que no caso de cancelamento de qualquer um dos torneios (Confederações ou Copa do Mundo), a União deveria arcar com os prejuízos e pagar tudo à FIFA. “A lei prevê que essa despesa seria corrente do Tesouro Nacional”, explica Inaldo Soares, auditor e professor especializado em licitação e contrato.

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Outra possibilidade, como ressalta o professor, é a contratação de um seguro, inclusive internacional, para cobrir possíveis despesas. “Não sabemos se foi feito seguro de garantia para cobertura de tal situação comentada”, ressalta Soares.

Ressarcimento completo

Segundo explica o professor, a lei prevê que o governo pague qualquer despesa à FIFA no caso de cancelamento da Copa das Confederações ou Copa do Mundo. “Por meio de processo administrativo, seriam mensurados todos os prejuízos, desde bilheteria do jogo até outras gerações de receita interrompidas”, explica.
Esse prejuízo viria mesmo se a decisão de cancelar a Copa partisse da FIFA.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Advocacia-Geral da União (AGU) confirmou a responsabilidade da União, que poderia reaver prejuízo em alguns casos. "Eventuais danos causados por terceiros poderão ser cobrados regressivamente pela Advocacia-Geral da União, a exemplo do que ocorre hoje em questões previdenciárias e acidentárias trabalhistas", afirmou a AGU por meio de nota da assessoria de imprensa.
A responsabilidade civil é um dos pontos mais questionados da Lei Geral da Copa. Mesmo com um dos torneios já acontecendo, o item é um dos questionados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o item.
Para a procuradoria, fazer com que o governo assuma qualquer risco sem defini-los bem é inconstitucional.
“Parece que o estabelecimento desta situação contra o Estado configura-se num direito generoso em favor da FIFA, deixando a União Federal numa situação compulsória embaraçosa nas realizações dos eventos em questão”, opina Soares.
Fonte: Exame Aprille

Dilma convoca governadores para 'grande pacto' de melhoria dos serviços públicos

Um dia após a onda de manifestações que levou mais de 1 milhão às ruas, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (21) em pronunciamento à nação que está ouvindo as vozes da rua que pedem mudança e condenou a violência de uma minoria. “Meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Estou ouvindo vocês, mas não vou transigir com a violência”. A presidente também anunciou um Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo, defendeu os gastos da Copa de 2014 e convocou governadores e prefeitos a somar esforços e selar um "grande pacto" para melhorar os serviços públicos no País.
"A mensagem direta das ruas é pacífica e democrática. Ela reivindica um combate sistemático à corrupção e ao desvio de recursos públicos. E disso eu não abro mão. Esta mensagem exige serviços públicos de mais qualidade, ela quer escolas de qualidade, ela quer atendimento de saúde de qualidade, ela quer um transporte público melhor e a preço justo, ela quer mais segurança. Ela quer mais. E para dar mais as instituições e os governos devem mudar", disse Dilma em cadeia nacional.
Sobre a Copa, a presidente afirmou que o dinheiro gasto nas arenas é fruto de financiamento e será pago pelas empresas e governos. “Jamais permitiria que esse dinheiro saísse do governo federal. Ampliamos os gastos em saúde e educação”, defendeu.
Dilma disse também que é um erro prescindir de partidos como muito se defendeu nas manifestações e defendeu a reforma política com maior participação da sociedade. "Quero contribuir para reforma política para ampliar a participação. É equívoco achar que um país pode prescindir de partidos e do voto popular. Precisa ter mais mecanismos de controle", afirmou.
A presidente afirmou que irá receber os líderes das manifestações pacíficas.
O pronunciamento foi decidido após reunião de Dilma com ministros ao longo do dia para avaliar a violência dos últimos protestos. Ela chegou ao Palácio do Planalto às 9h15 e pouco depois começou a reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que estava marcada para as 9h30. Dilma se reuniu também com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o da Educação, Aloizio Mercadante.
Mais cedo, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, disse nesta sexta-feira que Dilma estava preocupada com os atos de vandalismo. “As manifestações acabam sendo palco de vandalismo. É triste ver a Esplanada como amanheceu”, disse o ministro se referindo aos estragos provocados no Palácio do Itamaraty e em outros prédios públicos. “Não iremos aceitar e no momento oportuno a presidente irá se manifestar”, disse o ministro.
Na quinta-feira, mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas em várias capitais - Brasília , São Paulo e Rio de Janeiro entre elas - e em várias cidades em protestos tensos que terminaram com a morte de um adolescente em Ribeirão Preto, diversos feridos e locais depredados e saqueados.
A invasão ao Palácio do Itamaraty deixou as autoridades palacianas "assustadas" e "chocadas". Elas consideraram este fato "muito grave". Houve episódios de violência em cidades como Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém e Campinas.

Fonte: Último Segundo