sábado, 3 de agosto de 2013

Delegado intima policial para confirmar se Amarildo foi morto por traficantes

O delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro e responsável pelas investigações sobre o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, decidiu neste sábado intimar a prestar depoimento o policial militar Juliano da Silva Guimarães, que faz parte da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.

O policial contou que um tio dele, que trabalha como motorista de um caminhão de lixo na comunidade, foi obrigado por traficantes a levar um corpo para o depósito de lixo localizado no bairro do Caju, na região portuária. A informação sobre a convocação do militar foi confirmada pela assessoria da Polícia Civil e o policial deve prestar depoimento na próxima semana.

Amarildo está desaparecido desde o dia 14 de julho, quando foi levado por PMs à sede da UPP da Rocinha e depois não foi mais visto. O comandante da UPP, major Edson dos Santos, disse que o pedreiro deixou a unidade caminhando, após prestar esclarecimentos.

Manifestantes que acamparam em frente à casa do governador Sérgio Cabral perguntam pelo pedreiro desaparecido  Foto: Alessandro Buzas / Futura Press
Manifestantes que acamparam em frente à casa do governador Sérgio Cabral perguntam pelo pedreiro desaparecido 

Duas câmeras de monitoramento da base da UPP, que poderiam confirmar a versão do oficial, não estavam funcionando naquela noite. Os equipamentos de GPS (Sistema de Posicionamento Global, por satélites) das viaturas da UPP também estavam desligados, impedindo de se conhecer o trajeto dos carros.

Parentes do pedreiro e moradores da comunidade têm feito manifestações frequentes pedindo informações sobre o paradeiro dele. O governador do Rio, Sérgio Cabral, disse em entrevista que também quer saber onde está o pedreiro.

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, disse na sexta-feira que, se for comprovado envolvimento de policiais no desaparecimento de Amarildo, eles serão expulsos da PM e levados à Justiça.

Fonte: Terra

Avião cai em pista marginal da Anhanguera, em Jundiaí, e mata quatro

Um avião monomotor caiu em uma pista marginal da rodovia Anhanguera , em um dos trevos de Jundiaí, na altura do km 61, por volta dos 12h20 deste sábado (3). Os quatro ocupantes da aeronave - dois homens e duas mulheres - morreram carbonizados, segundo o Corpo de Bombeiros.  
O monomotor, modelo Beech Baron, decolou do Aeroporto de Jundiaí, que fica próximo do local, minutos antes e caiu na marginal. Segundo testemunhas disseram ao Bombeiros, o avião subiu, fez uma curva e caiu. Assim que atingiu o chão, a aeronave pegou fogo e a Anhanguera teve que ser fechada no sentido interior-capital.
Durante quase uma hora, a concessionária da rodovia, AutoBAn, registrou congestionamento do km 57 ao 61, por causa do fechamento da rodovia. Participam do resgate equipes dos Bombeiros, Polícia Rodoviária, AutoBAn e Samu.

Os acessos às rodovias Dom Gabriel (SP-300) e João Cereser (SP-360) ficaram interditados por causa do acidente, sem previsão de serem abertos.
Fonte: Último Segundo

Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

Um júri popular formado por sete pessoas condenou na madrugada deste sábado (03), no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, 25 policiais militares a 624 anos de prisão cada um pela morte de 52 detentos no 3º pavimento do Pavilhão 9 da extinta casa de detenção. O episódio, que terminou com 111 pessoas assassinadas no dia 2 de outubro de 1992, entrou para a história como Massacre do Carandiru.
Foram considerados culpados por homicídio qualificado, já que não houve chance de defesa das vítimas. Os condenados, no entanto, podem pedir recurso da decisão em liberdade.
No total, foram cinco dias de julgamento com depoimentos de sobreviventes, autoridades e peritos. Este foi o segundo júri do caso. O primeiro, em abril, condenou 23 PMs a 156 anos de reclusão.


Corpos de detentos do Carandiru mortos no massacre de 1992
Foto Retirada do site O Tempo

O julgamento
O último dia de júri popular foi marcado pelo embate entre as teses da acusação e da defesa, que tiveram espaço para as suas falas finais, com direito a réplica e tréplica. A advogada de defesa, Ieda Ribeiro de Souza, tentou provar que os policiais foram recebidos a tiros quando invadiram o Pavilhão 9. Ela afirmou que o trafico de armas de fogo no presídio era tão fácil quanto a entrada de drogas.
"Sete dias depois da rebelião, foram encontradas oito bananas de dinamite, uma granada e uma submetralhadora no Carandiru”, afirmou a defensora, que também projetou uma série de reportagens de crimes sem relação com a morte no Pavilhão 9, o que causou bate-boca com o promotor de Justiça Eduardo Olavo Canto, que perguntou à Ieda qual era a relação entre os vídeos e o massacre. “Em 1992, não tinha como documentar um sequestro, um assassinado, mas hoje sim. O que eu mostrei é o dia a dia dos policiais”, respondeu ela.
Já a promotoria surpreendeu ao revelar o número de assassinatos em serviço que cada réu responde sob alegação de legítima defesa, mesmo argumento defendido para justificar o massacre no 3º pavimento.

De acordo com o promotor, 300 pessoas foram mortas nestas circunstâncias até o ano 2000. Apenas um dos réus não responde por nenhum homicídio. Pelas contas do promotor, há policial com até 33 mortes sob justificativa de legítima defesa.

O massacre e o coronel
O massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992. Durante uma rebelião, a Polícia Militar resolveu invadir o local e matou 111 presos. Nenhum policial morreu. A invasão foi comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, que chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, mas em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão e o absolveu. Ubiratan acabou morto no mesmo ano, em setembro de 2006, com um tiro na barriga, em seu apartamento nos Jardins, região nobre de São Paulo.
Depois de ter sua história manchada, a casa de detenção foi desativada no começo de 2002 e demolida no final do ano. No lugar, foi construído o Parque da Juventude.

Fonte: Último Segundo