quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Mentes Perigosas: Suzane Von Richthofen e os irmãos Cravinhos


O Mentes Perigosas de hoje vai relembrar mais um caso que chocou o Brasil: o assassinato do casal Marísia e Manfred von Richthofen, ocorrida em 31 de outubro de 2002 em São Paulo(SP). Os responsáveis são a filha mais velha, Suzane Louise Von Richthofen, e os irmãos Daniel e Christian Cravinhos de Paula e Silva. Leia a biografia de cada um e como tudo aconteceu.


A FAMÍLIA von RICHTHOFEN:


Era uma das famílias que pertencia à nobreza e à classe média alta de São Paulo, oriunda da Alemanha.
Manfred Albert von Richthofen, o pai de Suzane, nasceu em 3 de fevereiro de 1953 na cidade alemã de Erbach, e veio para o Brasil após um convite de trabalho. Foi acusado de corrupção pelo Ministério Público Estadual, que estava investigando o engenheiro por enriquecer ilicitamente por causa de obras da Rodoanel, obra localizada na região metropolitana de São Paulo. A investigação havia sido arquivada, mas foi reaberta em 2006 porque o Ministério Público recebeu de forma anônima documentos sobre a movimentação de uma empresa de engenharia em seu nome, a M.A.V.R., com sede localizada próxima à casa da Família von Richthofen.
Foi acusado de desviar dinheiro público da DERSA, estatal que cuida das estradas de São Paulo. O dinheiro foi parar em sua conta na Suíça.
Marísia von Richthofen nasceu Marísia Silva Abdalla, morou quatorze anos na cidade paulista José Bonifácio. Saiu de lá em 1966 com os seus avós para São Paulo, e se formou em psiquiatria na USP. Era a mais extrovertida da família von Richthofen.
Os dois se conheceram na década de 70, se casaram e foram estudar na Alemanha. Na volta, ele começou a trabalhar para empresas privadas até chegar à DERSA; e sua esposa abriu um consultório de psiquiatria. O casal era descrito como discreto. Da relação, tiveram Suzane, nascida em 3 de novembro de 1983, e Andreas, nascido em 26 de abril de 1987.
Suzane e Andreas eram muito próximos e nunca foram vistos brigando, sempre se dando bem. Os dois estudaram no Colégio Humboldt e no Colégio Vértice. Andreas tinha um temperamento reservado, como o de seu pai. Recebiam dois mil reais de mesada. Ele guardava a maior parte do dinheiro, já Suzane, gastava.
Suzane e Daniel Cravinhos conheceram-se em agosto de 1999 e começaram a namorar pouco tempo depois. Eles se tornaram muito próximos, mas o namoro não foi aceito por nenhuma das famílias, principalmente os Richthofen, que proibiram o relacionamento. Esse foi um dos motivos que levou ao assassinato. O outro pode ter sido a herança.

Suzane e Daniel
OS IRMÃOS CRAVINHOS

Christian (à esquerda) e Daniel
Christian nasceu em 1975 em São Paulo (SP). Era usuário de drogas na época do crime e chegou a ser internado em uma clínica de reabilitação. Daniel nasceu em 1981 na mesma cidade.
Até pouco tempo, os dois eram muito chegados, e embora permaneçam na mesma penitenciária, não dividem cela e não se falam. O motivo da discórdia dos irmãos é a estratégia de defesa. Christian virou evangélico e compõe músicas na prisão, casou-se e teve uma filha.
Em fevereiro de 2013, receberam o direito do regime semiaberto, em que pode sair pra trabalhar e voltar à cadeia para dormir.

Os pais
Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva nasceu em 1945 em São Paulo (SP) e é um escrivão aposentado. Foi usado por Suzane como estratégia de se livrar de ser presa ao afirmar que foi ele o mandante do crime. Na década de 70, o pai, Astrogildo, foi condenado por falsidade ideológica e uso de documento falso, carteira da Ordem dos Advogados do Brasil. Mais tarde, ele cursou direito, mas nunca advogou.
Nadja Quissak Cravinhos de Paula e Silva nasceu em 1946 em São Paulo (SP) e é professora de pintura em tela. Ela só deu uma entrevista, publicada em 2002 pela Revista Crescer.

O CRIME E COMO ELE FOI PLANEJADO:

Suzane foi a mentora do crime
Dias antes do crime, cometido em 31 de outubro de 2002, Suzane e os irmãos Cravinhos fizeram um teste de barulho causado por disparos de uma arma de fogo, e por isso decidiram não usar uma. O plano do assassinato dos pais da moça, feito por Suzane, foi repassado no dia do crime durante a tarde. Para que não fossem desmascarados, a estudante desligou os alarmes e as câmeras de vigilância da casa onde moravam.
Na noite do dia 30, Andreas, na ocasião com quinze anos, foi levado por Suzane e seu namorado para um cyber café. O menino havia acreditado que o aniversário de namoro da irmã seria comemorado num motel, enquanto ele passaria o dia numa LAN House e Suzane iria convencer os pais a deixar o irmão faltar à escola no dia seguinte.
Às 22h50, o casal deixa Andreas no cyber café e sai para pegar Christian perto do estabelecimento e vão até a mansão de Manfred e Marísia em um Volkswagen Gol da moça. Chegaram na mansão quase meia-hora depois. Ela confessou em depoimento que, ao chegar em casa, se dirigiu ao quarto dos pais e viu que estavam dormindo. Ao voltar à sala, autorizou a subida dos irmãos, armados com barras de ferro. Daniel seguiu em direção ao engenheiro Manfred; Christian em direção à psiquiatra Marísia. Na execução do crime, Manfred morreu na hora, e Marísia, ao ser atacada, tentou se defender com as mãos e por isso teve três dedos fraturados.
Christian disse à polícia que colocou um lenço na boca de Marísia, pois implorava que eles não atacassem os filhos, que para ela estavam dormindo, e bateu nela cinco vezes. Enquanto ela agonizava, segundo Christian, Marísia emitia sons parecidos com um ronco, e, para tentar silenciá-la, ele pegou uma toalha do banheiro do casal e empurrou-a pela garganta da mulher, quebrando um dos ossos do pescoço.
Depois de confirmar que Manfred e Marísia estavam mortos, Daniel colocou uma arma que era propriedade do engenheiro perto de seu braço, ao lado da cama, e cobriu o rosto dele com uma toalha. O corpo de Marísia foi envolvido em um saco plástico de lixo deixado por Suzane na escada, e que seria usado para os irmãos colocarem suas barras de ferro e as suas roupas, manchadas de sangue.
Após o assassinato, Suzane simulou uma tentativa de assalto à propriedade. Na biblioteca, foram encontrados vários papéis, todos espalhados por ela. Ela e Daniel deixam Christian perto da casa dele e vão para um motel. No caminho, jogam fora o saco de lixo com as barras de ferro, luvas cirúrgicas (para não deixar rastro) e roupas, e voltam para buscar Andreas.
Suzane, Daniel e Andreas voltaram para casa horas após o crime. Os dois fingem surpresa e ligam para a polícia, que encontra os corpos.

APÓS O CRIME:

Quarto dos pais de Suzane, horas após o crime; os corpos continuaram ali (Foto: matéria do Jornal Nacional de 8 de novembro de 2002)
Em depoimento à polícia, Suzane contou que roubaram dinheiro e jóias da família para parecer que realmente houve um assalto na mansão.
O primeiro policial que entrou na casa, Alexandre Paulino Boto, classificou o assassinato como crime de amadores. Largaram as jóias, celulares e deixaram a arma do casal assassinado na cama. "Se alguém quer roubar, furtar, não deixaria isso no local", afirmou o policial em 2006.
Boto disse ter estranhado o comportamento de Suzane, que lhe perguntou quais seriam os procedimentos que a polícia iria seguir. Em seguida, ela perguntou como estavam os pais. "Quando eu disse que estavam bem, ela ficou espantada".
As cenas do crime levantaram mais suspeitas. Os rostos cobertos podiam ser um sinal de que as vítima conheciam seus algozes. O alarme curiosamente não funcionou e os papéis que estavam na biblioteca deram a impressão de que foram espalhados propositalmente.
“Percebemos várias coisas estranhas no local do crime. Isso fez com que desde o início suspeitássemos de que não se tratava de latrocínio”, disse o delegado Daniel Cohen.
As suspeitas em torno de Suzane e Daniel cresceram depois que, dois dias após o crime, investigadores voltaram à casa dos Richthofen e viram eles, Andreas e um casal de amigos na beira da piscina, ouvindo música e tomando cerveja. No dia 3 de novembro, Suzane foi com o namorado para o sítio dos Richthofen, onde comemorou friamente os seus 19 anos de idade.
Outro fator que colaborou para que a polícia duvidasse que os três não tiveram nada a ver com o assassinato foi uma moto que Christian comprou 10 horas após o crime, pois ele não trabalhava.
Sem saída, Suzane, Christian e Daniel confessaram o crime no dia 8 de novembro.
A relação dos dois acabou em 2004.
O enterro de Manfred e Marísia ocorreu no dia 1º de novembro, e ela fez questão de ir com a maior cara de pau.

Suzane e o irmão durante o enterro

ENTREVISTA AO PROGRAMA FANTÁSTICO (REDE GLOBO):


O Fantástico entrevistou Suzane em 2006, quando estava com 22 anos. Ela falava e se vestia feito uma criança, com uma camiseta da Minnie, pantufas de coelho nos pés e franja nos cabelos. Começou a entrevista mostrando fotos da família. Estava ao lado do seu advogado-tutor, Denivaldo Barni.

Suzane com Denivaldo Barni
Percebeu-se então que o comportamento da jovem diante das câmeras era uma farsa, pois ela estava sendo orientada por Barni a chorar na entrevista e pelo advogado de defesa, Mário Sérgio de Oliveira, sobre como se comportar em rede nacional e o que falar de seu ex, Daniel. "Acabou (a relação). Mais nada. Começa a chorar, fala: "Não quero falar mais desse assunto, que me faz muito mal". Assista:


CONDENAÇÃO:
Na noite de 20 de novembro de 2002, Suzane foi levada para a Penitenciária Feminina do Carandiru, numa cela só para ela mesma.
Em dezembro de 2004, Suzane teve seu pedido de habeas corpus negado. Em junho de 2005, ele foi aceito e Suzane foi solta no final do mês. A Justiça voltou atrás da decisão em abril de 2006, após a polêmica entrevista que ela concedeu ao Fantástico ter ido ao ar. O pedido de prisão foi feito pelo promotor Roberto Tardeli.

O julgamento dela e dos irmãos Cravinhos ocorreu nos dias 17, 18, 19, 20 e 21 de julho de 2006.
Veja o que as pessoas que compareceram ao julgamento para depôr disseram:
  • Fábio de Oliveira (agente penitenciário);
  • Hélio Artesi (pai de uma ex-namorada de Christian), que confirmou o bom comportamento dos irmãos;
  • Ivone Wagner, vendedora de imóveis, amiga da família Richthofen, testemunha de que a relação entre Suzane e a mãe não era nada boa;
  • Alexandre Boto;
  • Fernanda Kitahara, ex-colega de faculdade de Suzane, que afirmou o uso da maconha feito por Suzane e Andreas, droga comprada pelo ex-namorado;
  • Cíntia Tucunduva Gomes, delegada que apresentou outra tese sobre como aconteceu o assassinato.

Suzane, em depoimento, arrumou um meio de encrencar o irmão. Ela mentiu, alegando que a arma do crime era dele.
O Tribunal do Júri condenou Suzane e Daniel a 39 anos e seis meses de prisão, mas tiveram a pena reduzida em um ano. Suzane, por ser menor de 21 anos na época em que tudo aconteceu, e Daniel por ter confessado. O Christian foi condenado à 38 anos e seis meses, tendo também a sua pena reduzida em um ano por ter sido o primeiro a entregar todo o jogo.
A sentença foi anunciada na madrugada do dia 22 de julho, às 3hrs. Os condenados ainda podiam recorrer.
Mesmo tendo pegado quase 40 anos de pena, a Lei brasileira permite que o condenado fique até 30.

ANDREAS:
Andreas viveu na Vila Congonhas, Zona Sul de São Paulo, com o tio materno Miguel e a avó materna Lourdes, falecida em 2006. No ano passado, ele decidiu falar pela primeira vez sobre o assassinato dos pais, classificado por ele de 'nojento'. Deixou claro não pretendia ter filhos por achar que ser pai é muita responsabilidade (fato dos fatos!). Planejou deixar o Brasil porque seu nome tem "muito peso" no país, e que se sente ferido toda vez que a imprensa divulga informações sobre a morte dos pais.
Ele defende o pai na acusação de desvio de dinheiro.

A MANSÃO:


A mansão que era propriedade dos pais da Suzane ficou abandonada por 12 anos. Desde o dia do crime até 2014, quando foi reformada e vendida, os vizinhos se revezavam no cuidado da fachada do imóvel, que já foi pichada com xingamentos à moça.

Depois da reforma
HERANÇA:
O valor estimado da herança dos Richthofen girava em torno de 11 milhões. Após o assassinato, deu-se início à briga pela partilha do dinheiro entre Andreas e Suzane, e no dia 8 de fevereiro de 2011, a justiça decidiu que a jovem é "indigna" de receber a herança por ser uma matricida. Ela tentou ainda ter uma pensão alimentícia dos bens dos pais, mas a justiça também negou. O veredito final foi que a herança deveria ser entregue apenas à Andreas.

Suzane Von Richthofen em entrevista para o Programa do Gugu (2015)
SANDRÃO, A EX-ESPOSA DE SUZANE:


'Sandrão' é o apelido da detenta Sandra Regina Ruiz Gomes, condenada a 24 anos de prisão por sequestro e homicídio de um adolescente de 14 anos em Mogi das Cruzes (SP). O crime aconteceu em 2003.


Antes das duas se casarem, a Sandrão teve um affair rápido com Elize Matsunaga, condenada por matar e esquartejar o marido, o empresário Marcos Matsunaga.
Sandrão e Suzane anunciaram que iriam se casar em outubro de 2014. O casamento rolou, mas elas se separaram em 2016. "A Su é um enigma. Nunca se sabe o que está sentindo de verdade. Digo só que ela desgraçou a minha vida", afirmou Sandrão sobre a ex.
O motivo da separação foi uma máquina de costura dado por Gugu Liberato como presente de casamento. O objeto vale R$12 mil.



Com o fim do relacionamento, Suzane está noiva do marceneiro Rogério Olberg, de 37 anos, e deve se casar com ele em abril de 2017. Em maio deste ano, a matricida saiu temporariamente da prisão por causa do Dia das Mães, mas foi presa novamente antes do fim do benefício ao fornecer endereço errado. A Justiça absolveu a ré, que segue presa em Tremembé (SP).

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