terça-feira, 11 de outubro de 2016

Acessem o blog de Odele Souza; mãe da garota Flávia, que está em coma há 18 anos


O nome do blog se chama Flávia Vivendo em Coma, e foi criado por Odele Souza, mãe da moça de 28 anos que vive em coma desde janeiro de 1998 (quando tinha 10), quando brincava com seu irmão numa piscina e teve seu cabelo sugado. Sofreu danos cerebrais e está em coma até os dias atuais. Em seu blog, ela mostra a vida de Flávia com a cabeça completamente desligada do mundo, seus desabafos por não tê-la visto se desenvolvendo, seja na escola ou na vida íntima. Leia um trecho:

Quanta coisa foi subtraída da vida desta menina!
... a primeira menstruação;
... o garoto bonitinho;
... aquela roupa linda, aquele sapatinho, aquela boneca e o batom; 
... o primeiro beijo, o primeiro namorado!!!! 
... as fofocas com as amigas no telefone, cinema, pipoca e sorvete no shopping
... a escolha do vestido de 15 anos;
... o boletim, as provas, passar de ano;
... o stress do vestibular, do que-vou-ser-quando-crescer
... os torras da mãe, a hora marcada prá chegar;
... baladas, passeios, novidades... 
... enfim, a vida foi roubada da Flavia.

Flávia em foto de 2009
Flávia em 2014, com a cadeira de rodas 'stand up'
Leia também a carta que ela escreveu para a filha, em maio deste ano:

Carta para minha filha em coma, Maio de 2016


Querida filha,

De novo é Dia das Mães. De novo assumo o seu lugar, no envio desta carta que você fazia questão de escrever para mim, todos os anos, no Dia das Mães. Você sabe que não dou importância a dia disto ou daquilo e, tenho cá pra mim querida, que essas datas são feitas mais para aquecer o comércio. Que seja, mas você dava importância ao Dia das Mães, e só por isso a carta que você me escrevia, eu escrevo pra você, todos os anos na data de hoje.
E só para te relembrar: Já faz 18 anos filha que você vive em coma. Você estava com 10 anos e quando brincava e nadava em uma piscina que funcionava fora dos padrões de segurança, você teve os cabelos sugados pela sucção do ralo e se afogou. Era o dia 06 de Janeiro de 1998, um dia que jamais vai sair de minha memória. As lembranças daquele dia Flavia, vão estar me assombrando para sempre. Para sempre.
Filha, você está com 28 anos, completados em Dezembro. Me desculpe se você não precisar que eu relembre sua idade e mesmo assim eu estar te relembrando, me desculpe. Mas sabe filha, é que eu, apesar de todos esses anos em que venho cuidando de você, pouco sei sobre o misterioso estado de coma, esse brutal sono sem despertar que te mantém tão perto e tão longe de mim, O que eu sei, ou melhor, o que eu sinto filha, é que o estado de coma é algo intermediário entre a vida e a morte, entre o ir e o ficar, entre eu ter e não ter você aqui participando ativamente de minha vida. De nossas vidas.
Sobre a Lei Federal para Segurança nas Piscinas pela qual eu e você, por anos a fio, tanto temos lutado, lamento te dizer Flavia que essa Lei ainda é um sonho em nosso país. O projeto dessa tão importante Lei que poderia evitar que outras crianças e outras mães venham a ter destinos idênticos ao nosso, o projeto dessa lei avançou alguns passos, mas continua enfrentando burocracia, morosidade e falta de atenção por parte dos políticos que poderiam decidir sobre a votação da Lei.
O que posso te dizer de positivo filha, é que felizmente, algumas pessoas continuam se empenhando para que lá em Brasilia, o enrosco se desfaça e a Lei possa vir a existir. Daqui a quanto tempo? Não sei te dizer filha, mas saber que existem pessoas que estão dispostas a trabalhar para que a Lei Federal para Segurança nas Piscinas venha a ser uma realidade no Brasil, já me faz sentir esperança Flavia. E filha, preciso dessa esperança para ter um mínimo de paz, preciso dessa esperança para sentir que o seu estado de coma e que a nossa luta não terá sido em vão. Preciso dessa esperança filha.

Beijos,
Mainha

Odele Souza
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