segunda-feira, 15 de maio de 2017

Dilma Rousseff critica cobertura política da Globo: “jornalismo de guerra”


R7 - A ex-presidente Dilma Rousseff publicou neste sábado (13) uma carta em que critica a cobertura jornalística das Organizações Globo a respeito das investigações da Operação Lava Jato. Para a presente, a empresa de mídia quer “substituir o Judiciário” pelo “escândalo midiático”. “Julgam e condenam”, afirma Dilma.
A revolta da ex-presidente é generalizada com o trabalho da empresa, mas é direcionada principalmente ao jornalista Merval Pereira, que sugeriu a prisão da petista em coluna publicada neste sábado no jornal O Globo.
“Não é exagero dizer que a ex-presidente Dilma corre o risco de ser presa por obstrução da Justiça a qualquer momento”, escreveu Pereira.
O jornalista faz referência aos depoimentos de Mônica Moura e João Santana aos Ministério Público Federal. O casal de marqueteiros foi responsável pelas duas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff (2010 e 2014).
Os vídeos das delações vieram à tona nesta quinta-feira (11), após o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspender o sigilo.
Segundo Mônica Moura, na véspera da prisão do casal, a petista alertou os dois sobre os mandados de prisão por meio, supostamente, de um e-mail secreto criado especificamente para troca de informações privilegiadas.
Mônica disse aos procuradores que Dilma ligou para a República Dominicana, onde o casal estava, para avisar Santana que eles seriam presos. Segundo a empresária, Dilma tinha informações privilegiadas por meio do então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. As acusações dos publicitários ainda precisam ser confirmadas por meio de documentos.
Santana e Mônica Moura foram presos na 23ª fase da operação Lava Jato, em fevereiro do ano passado, por determinação do juiz federal Sérgio Moro, mas foram soltos após pagarem fiança de R$ 31,4 milhões e ficarem proibidos de atuar em campanhas eleitorais até uma nova decisão sobre o caso.

Decisão tardia
Dilma disse na quinta-feira (11) lamentar o que chamou de decisão "tardia" do Supremo Tribunal Federal de acabar com o sigilo dos depoimentos dos ex-marqueteiros do PT. A petista enfrenta um processo de cassação da chapa dela e do então candidato a vice-presidente, Michel Temer, nas eleições de 2014, por suposto abuso de poder político e econômico na campanha.
Os advogados de Dilma já apresentaram as alegações finais no processo. Segundo nota da assessoria de Dilma, há semanas a defesa requereu acesso às delações dos marqueteiros ao ministro-relator da ação movida pelo PSDB no Tribunal Superior Eleitoral, Herman Benjamin. "A defesa foi prejudicada pela negativa do relator. Não foi possível cotejar os depoimentos prestados pelo casal à Justiça Eleitoral e na Lava Jato", afirmou o comunicado.
Na nota, a assessoria de Dilma também reafirmou que "João Santana e Mônica Moura prestaram falso testemunho".

Leia abaixo a carta completa publicada hoje por Dilma:

“Globo promove justiçamento e incita à prisão”
O jornalismo de guerra promovido contra mim e o presidente Lula é a prova de que a escalada autoritária contaminou radicalmente os formadores de opinião pública, como Merval Pereira, que hoje sugere, no Globo, a minha prisão.
A cobertura das Organizações Globo, defendendo o justiçamento de adversários políticos, quer substituir o Judiciário – e todas as demais instâncias operadoras do Direito – pelo escândalo midiático. Julgam e condenam.
Buscam se constituir numa espécie de poder judiciário paralelo sem as garantias da Justiça, base do Estado Democrático de Direito. Fazem, assim, verdadeiros linchamentos, tentando destruir a biografia e a imagem de cidadãos e cidadãs. Nesse processo, julgam sem toga e promulgam sentenças sem direito de defesa.
Ferem de morte a liberdade de imprensa pois não respeitam a diversidade de opinião e a Justiça. Selecionam alvos e minimizam malfeitos. Seu único objetivo é o maior controle oligopólico dos meios de comunicação, para impor um pensamento único: o seu.
Em outros tempos, em outros países, tais práticas resultaram na perseguição política e na destruição da democracia levando à escalada da violência e do fascismo.
Não adianta a intimidação. Não vou me curvar diante dessas ameaças e muito menos do jornalismo de guerra praticado pela Globo. Nem a tortura me amedrontou.
Repito o que tenho dito, dentro e fora do país: o Golpe de 2016 não acabou. Está em andamento. Não foi contra o meu governo, apenas. Foi contra o povo brasileiro e o Brasil. Está sendo executado todos os dias pela Globo, pelo governo golpista e todos que tentam desesperadamente consolidar o Estado de Exceção e a destruição de direitos.

Não vão me calar!

Dilma Rousseff