segunda-feira, 29 de maio de 2017

Em show, filho de Arlindo Cruz exalta a carreira do pai, que está internado

A carreira de Arlindo Cruz sempre foi reverenciada por todos, mas tem um admirador muito especial do sambista. Este sentimento é tão grande que fez a pessoa criar um show especialmente montado para exaltar as músicas de Arlindo. O fanático é nada mais nada menos que o próprio filho do cantor, Arlindinho. Neste domingo, dia 28, será exibido, pela segunda vez, no espaço Renascença o projeto ‘Arlindinho canta Arlindo’ com participação dos músicos Sombrinha, Ronaldinho e grupo Bom Gosto. A ideia do trabalho é trazer uma releitura da obra unindo estilos velhos e novos. ”É maravilhoso poder fazer parte desse trabalho, homenageando a pessoa e o artista. Estou cantando a história do meu pai, do cara que me deu a vida. Vai ser uma tarde e noite muito especial que vai marcar a minha vida e acho que a de quem for lá também. Conheci um pouco mais do Arlindo e vou mostrar o artista que está sendo gerado ali que, no caso, sou eu mesmo”, conta o rapaz.


Infelizmente, o famoso não poderá comparecer devido a problemas de saúde. Arlindo teve um AVC e, no momento, está indo para a unidade semi-intensiva. “Deus sabe de tudo. Ele está reagindo bem aos tratamentos, vai dar tudo certo”, lamenta. Durante o momento de necessidade, o filho pôde contar com a ajuda de vários amigos do pai que lhe estão dando assistência. “A galera do samba é muito unida, principalmente agora que estou precisando de apoio com a doença do meu pai. Todos estão do meu lado, me apoiando”, informa.
Foi por causa dessa fatalidade que Arlindinho resolveu mudar seus planos. Ele queria lançar apenas um disco que pudesse representar seu pai. “Inicialmente, queria regravar o disco que o meu pai fez para mim com tudo mesmo, faria novas bases e arranjos. Depois do AVC e da internação dele, decidi manter aceso o repertório que já está eternizado. Além disso, queria cantar músicas que as pessoas não conhecem tanto e foi nesse momento que criei o projeto. Tinha músicas que nem eu sabia que era dele. Quero mostrar para todos quem é o Arlindo Cruz”, explica o mais novo.
No entanto, deixa claro que não quer mudar a obra de seu pai, apenas relembrar às pessoas o artista quem ele é. O show é composto por releituras feitas exclusivamente pelo mais novo. Durante a pesquisa que foi feita para tornar a apresentação uma realidade, foram selecionadas mais de duzentas músicas que foram reduzidas para trinta e cinco. “Ouvi vários sambas para formar esse repertório”, lembrou.


A síntese de seu trabalho será exibida nos palcos, mas ele adianta que não alterou nada na obra. Para ele, não havia necessidade de atualizar as músicas. “O samba do meu pai já é muito atualizado porque acho que ele é a ligação da música de raiz e dos novos estilos. Já gravou com o Bom Gosto, Belo e Zeca Pagodinho. Esse projeto é um encontro de gerações que atende a todos os gostos, por fazer uma ponte entre esses dois públicos. As pessoas que forem vão encontrar uma noite muito emocionante”, assegura. A síntese desse pensamento podemos identificar nos convidados ilustres que vão subir ao palco ao lado do mais novo. “Convidei o Sombrinha, que é uma das pessoas que tem mais músicas com ele; Ronaldinho, que representa o Fundo de Quintal; e o Bom Gosto. Juntos, marcam o novo e o velho da carreira de Arlindo Cruz”, resume.
Arlindinho pode ser comparado ao pai quanto ao físico e ao nome, mas assume que as semelhanças devem parar por aí. “Não dá para me comparar musicalmente a ele, seria uma maldade. É como comparar o Neymar, um cara promissor que está chegando, ao Pelé, que é um cara consagrado. Mas sinto que as pessoas estão curtindo o que eu faço, sou mais novo e tenho um jeito mais agitado no palco. Semelhança sempre existe, mas sou outro homem”, acredita o cantor exibindo um respeito muito grande pela obra do mais velho. O rapaz vê sua participação no meio artístico como algo muito positivo, principalmente, em um momento que, segundo ele, o samba está sofrendo uma dificuldade estrutural. “O mercado do samba está carente de renovação. Estamos perdendo espaço nas rádios. É preciso apostar nas pessoas que estão chegando. Há vários sambistas e grandes cantores modernos com uma linguagem nova e bacana. Talento na área existe, mas falta investimento para que a turma se desenvolva. Até porque é o ritmo do país, qualquer pessoa um dia vai tocar samba”, sugere.
O respeito pelo pai é latente no depoimento de Arlindinho que, a todo o momento, fala sobre a pessoa ilustre que o mais velho é. “Se eu pudesse resumir o meu pai em uma palavra seria generosidade, porque ele sempre fez samba para qualquer pessoa desde o artista mais novo até o mais velho. Arlindão sempre respeitou e ajudou todos. Talvez, ele nunca tenha entendido o tamanho dele e se colocado no lugar de artista que merece”, relembra.

Fonte: Jornal do Brasil (Heloísa Tolipan)