terça-feira, 27 de junho de 2017

Calma: a NASA não encontrou alienígenas. Mas nunca esteve tão perto


Um vídeo publicado na semana passada pelo grupo hacker Anonymous em seu canal do Youtube caiu como uma bomba na internet, reverberando muito tanto nas redes sociais quanto em certos sites jornalísticos. Logo de cara, um ativista trajando a famigerada máscara do revolucionário britânico Guy Fawkes declara, com voz metalizada: "a humanidade está prestes a descobrir vida extraterrestre". Ele atribui a informação a Thomas Zurbuchen, cientista-chefe da agência, que recentemente até se pronunciou por Twitter, desmentindo qualquer anúncio pendente.
Mas calma, jovens, sentem aqui e vamos conversar. Uma alegação grandiosa como essa requer evidências sólidas para se sustentar, certo? Vindo do Anonymous, pode-se esperar que os hackers tenham vazado algum documento sigiloso e obtido informações confidenciais. Mas nada disso: tudo o que eles fizeram, desta vez, foi pegar uma declaração que Zurbuchen fez ao Congresso dos Estados Unidos e tirá-la de contexto.
Na ocasião, o cientista destacou diversos esforços da NASA que aumentam a cada ano as chances de respondermos a pergunta que nunca quis calar: estamos sós no Universo? Zurbuchen mencionou coisas como a descoberta de milhares de exoplanetas pelo telescópio Kepler, além dos gêiseres de hidrogênio e vapor d'água emanando das luas Encélado (de Saturno) e Europa (de Júpiter) — ambas com oceanos subterrâneos de água líquida e com potencial de abrigar vida.
No entanto, no vídeo do Anonymous, esses tópicos científicos são misturados com ufologia e com especulação sobre a presença de vida no recé-descoberto sistema planetário da estrela TRAPPIST-1, que abriga sete planetas rochosos, todos potencialmente ricos em água e alguns deles, provavelmente, habitáveis.
Mas a ciência caminha a passos lentos e, apesar de a própria NASA assumir que o tão aguardado anúncio da descoberta de ETs está próximo devido a todas essas frentes de pesquisa, posições como a do Anonymous são precipitadas e não têm qualquer base científica. Elas criam a expectativa de que a agência esteja ocultando informações ou se preparando para anunciar a descoberta nos próximos meses — o que muito provavelmente não vai acontecer.

Fonte: Galileu