sexta-feira, 2 de junho de 2017

Leia aqui a vida e o drama de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, que matou os pais Marísia e Manfred


Desde que os pais foram assassinados pela irmã e antes de ser retirado da Cracolândia há poucos dias, Andreas nunca mais havia posto as caras na mídia. O jovem de 29 anos chegava a ser questionado pelas pessoas se tinha alguma participação no crime, cometido à mando de Suzane pelos irmãos Christian e Daniel (o namorado de Suzane) Cravinhos, em 31 de outubro de 2002. O caso deu muito que falar no Brasil e no exterior pela crueldade e frieza de Suzane, então com 18 anos.
No momento em que ocorreu o assassinato, Andreas, que tinha 15 anos, estava em um jogo de computador num cyber-café, levado pelos três, que voltaram à mansão para assassinar o engenheiro Manfred e a psicóloga Marísia, mas só foram descobertos oito dias depois.


Andreas era descrito como um garoto caseiro, tímido e de poucos amigos. Segundo a ex-empregada da família, Silândia Costa dos Santos, ele passava mais tempo no quarto, assistindo televisão ou mexendo no computador. O seu jogo preferido era Counter Strike, um dos jogos de tiro mais populares dos anos 2000. Ele também gostava de cuidar de um porquinho-da-índia e de brincar com espingarda de chumbo no quintal da casa. Ainda segundo ela, os dois sempre se deram bem e eram mais do que irmãos: eram também amigos e confidentes.
Foi através de Suzane e Daniel que Andreas conheceu um motel e experimentou maconha pela primeira vez. O namorado levava-o para passeios de mobilete, skate, bicicleta e corridas de autorama.
Apesar dos "bons momentos" e ao contrário do que a mídia espalhou, nem Andreas nem seu tio e tutor Miguel perdoaram Suzane quando ela foi solta por um habeas corpus em 2005, nem mesmo aceitaram acolhê-la na casa em que moravam, na Vila Congonhas.

Andreas e Suzane no enterro dos pais em 2002

Apesar de tudo, Andreas tocou sua vida pra frente. Em 2004, foi aprovado em cinco universidades de São Paulo, cursou, entre 2005 e 2009, Farmácia e Bioquímica na USP (Universidade de São Paulo), e fez doutorado em Química Orgânica em 2010 na mesma universidade.
Saiu da USP em 2015 ao concluir seu doutorado, e de lá pra cá não se têm informações sobre como Andreas conduzia sua vida. Em março do mesmo ano, Andreas foi entrevistado pela Rádio Estadão, do Rio de Janeiro, e durante a conversa, evitou falar sobre a morte dos pais e sobre a irmã, apenas deixou claro que pretendia deixar o país por causa do peso de seu sobrenome, já que ele apareceu em várias manchetes de jornais pelo Brasil inteiro.

Em 2006, Andreas perde sua avó, Lourdes Magnani Silva Abdalla, mãe de Marísia. Quando Suzane foi solta, Lourdes disse que perdoou a neta, mas que "não poderia aceitar atitudes como essa".

No começo deste ano, três casas da rua Engenheiro Alonso de Azevedo foram invadidas, e vizinhos começaram a ficar preocupados, por isso decidiram criar um grupo no WhatsApp para serem comunicados sobre qualquer movimento atípico. Às 6h48 da manhã de terça (30), Andreas foi encontrado deitado por Sônia Ferreira, de 39 anos, e seu marido, no quintal da casa vizinha, e decidiram chamar a polícia. Assustado, dizia palavras desconexas, e quando foi perguntado sobre sua identidade, dizia apenas "não queiram saber da minha vida". Disse também que morava na Rua da República, perto de onde ocorreu a tragédia que envolveu Manfred e Marísia.
Foi reconhecido ao ser levado no Hospital Municipal do Campo Limpo, levando consigo uma caixa de jóias com o brasão dos 'von Richthofen', num perplexo estado de higienização e com as pernas cheias de escoriações e ferimentos. O rapaz ficará internado em um período de até 30 dias para o regime de desintoxicação.

Andreas von Richthofen em maio deste ano
A notícia de sua internação e envolvimento com drogas deixou todos os seus professores e colegas da USP surpresos. Cláudio Di Vitta, um dos professores da unidade estudantil, disse que o rapaz era um aluno brilhante. "Ele foi excepcional, talvez um dos melhores alunos que tenham passado por aqui", afirmou a professora doutora Liliana Marzorati, que nunca conversou com Andreas sobre seus assuntos particulares e não percebeu nenhum empecilho dele com relação ao seu sobrenome. "Ele usava o nome, no artigo estava o nome normal". Rebeca Garcia Morafazia, aluna da USP, dizia que ele, no dia a dia, era muito comunicativo e prestativo, sempre tirando dúvidas dos alunos e ajudando-os no que fosse preciso na ausência do orientador. "A gente não tinha contato pessoal, era mais de conversar na área acadêmica. Ele tinha muito conhecimento, sabia muito de química orgânica", contou.

Andreas fugindo da polícia