quinta-feira, 1 de junho de 2017

Pessoas próximas viram sinais de uma 'fase difícil' de Andreas Von Richthofen


SÃO PAULO - Depois que Andreas Von Richthofen, único irmão de Suzane, condenada pelo assassinato dos pais, foi internado, na manhã de terça-feira, na ala psiquiátrica de um hospital em São Paulo, pessoas que estiveram com ele nos últimos meses rememoraram detalhes que poderiam ser sinais de que o rapaz, doutor em Química pela Universidade de São Paulo, entrava em um novo momento difícil na vida. De acordo com os relatos, ele vinha se vestindo com cada vez mais displicência, seus dentes da frente teriam começado a apresentar marcas. Apesar disso, todos os amigos ou conhecidos ouvidos pelo GLOBO se disseram surpreendidos pelo episódio.
— Ele é um menino fantástico, esteve no meu escritório há dois anos para me visitar e estava cheio de planos, concluindo o doutorado, com a carreira acadêmica a toda, propostas de universidades e empresas. Ao mesmo tempo, o inventário da família finalmente começava a se resolver, ele estava se livrando dessa tralha do passado — afirmou o advogado e ex-procurador Roberto Tardelli, responsável pela acusação criminal de Suzane, seu namorado Daniel Cravinhos e o cunhado Cristian Cravinhos.

Andreas von Richthofen aos 15 anos
Graças ao desenrolar dos processos, a casa onde os pais foram mortos pôde ser vendida em 2015. Andreas, no entanto, não foi para longe dali. Morava em uma rua paralela à do imóvel em que cresceu.
Tardelli, no entanto, ressalta que Andreas teria “todos os motivos para ser infeliz”. Quando a irmã matou os pais, ele perdeu praticamente toda a família. Sobraram apenas a avó, já falecida, e um tio materno, o médico Miguel Abdalla, que foi tutor de Andreas até a maioridade. O rapaz tímido perdeu ainda o melhor amigo, o cunhado Daniel, que costumava levá-lo para jogar jogos online em lan houses. Na noite do crime, enquanto os pais eram assassinados, Andreas estava entretido com uma dessas maratonas em lan house, longe da cena do crime.

Apesar do baque emocional, o rapaz teve disciplina e talento suficientes para passar em terceiro lugar no curso de Farmácia Bioquímica da USP apenas três anos após a morte dos pais e a prisão da irmã.
— Ele é simplesmente brilhante. Muito inteligente e excelente aluno — afirmou o advogado Alberto Toron, auxiliar da acusação no caso Richthofen.

Colegas e veteranos da USP não tiveram dúvida de quem era o novo aluno ao ler o sobrenome na lista de aprovados. Decidiram, no entanto, ter o cuidado de jamais abordar o assunto com ele, nem mesmo em brincadeiras como o trote. Mas não foi sempre assim. Jovem, Andreas se incomodava com o fato de que não podia entrar nem mesmo em uma balada sem ser imediatamente reconhecido. A conhecidos, ele lamentava carregar tal “rótulo”, o que fez com que muitas vezes optasse por não ir a festas e bares e atrapalhou sua interação social.
A disputa da herança com a irmã, que acabou deserdada por decisão da Justiça, também custou caro à saúde mental de Andreas. Ela era a pessoa em que ele mais confiava, e o rapaz oscilava entre nunca mais querer contato e a vontade de se reaproximar de Suzane. Teria ainda acumulado alguns desentendimentos com o tio, que ainda não o viu desde a internação.
Nos próximos meses, porém, as questões de herança, a carreira acadêmica ou o relacionamento com a irmã e o tio terão que ficar de lado. Andreas aceitou se tornar um dentre os mais de 100 internados na Casa de Saúde São João de Deus. Sua permanência na unidade será custeada pelo SUS, em convênio com a Prefeitura de São Paulo. Ali ele deve se dedicar a uma rotina de atividades lúdicas, artesanais e de jardinagem, além de tratamento psiquiátrico.

Fonte: Extra