domingo, 11 de junho de 2017

Usuários de drogas são revistados e voltam para praça na Cracolândia após ação policial

Usuários de drogas retornam à Praça Princesa Isabel, no Centro, oito horas depois que uma operação da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana dispersou os grupos para limpeza do espaço neste domingo (11). A Polícia Militar e a Guarda Civil liberaram algumas ruas que estavam interditadas no entorno do local, mas antes revistaram os usuários, que ficaram sem barracas e pedras de crack.
Por volta das 6h, a Cracolândia foi alvo de uma nova operação policial. Agentes da Força Tática e da Tropa de Choque da Polícia Militar, e da Guarda Civil Metropolitana a Praça Princesa Isabel, que reúne a maioria dos usuários de drogas, e informaram que o local seria limpo e deveria ficar sem barracas.
O quarteirão da praça foi isolado. Os usuários foram retirados da praça e concentrados em um quarteirão da Rua Helvetia. Por volta das 14 horas, a polícia iniciou a revista de cada usuário e formou um corredor, para que eles pudessem transitar pela região e até mesmo entrar na Praça Princesa Isabel, agora proibidos de levar barracas. Os policiais apreenderam drogas, facas e outros objetos.

Usuários voltam a circular na Cracolândia
Operação
Na tentativa de evitar a ação da polícia, os usuários incendiaram os próprios pertences, formando barreiras. Após dispersar os usuários, a polícia formou um cordão no entorno da Praça Princesa Isabel.
Pelo menos um terço do grupo que estava instalado na praça se reuniu em um quarteirão da Rua Helvetia, enquanto os demais se espalharam pelo Centro da cidade. Apesar do incêndio na praça, a ação foi considerada relativamente pacífica pelos próprios usuários, conforme disseram ao G1.
A Secretaria de Segurança Pública disse que desde a primeira operação no local, que aconteceu em 21 de maio, outras 98 pessoas foram detidas na região da Cracolândia, 96 por tráfico de entorpecentes e duas por roubo. Além dos presos, foram apreendidos cerca de 40 kg de drogas, entre crack, maconha, cocaína e outros, R$ 74.977,95 em dinheiro, 70 celulares, além de seis armas de fogo, 43 facas, 305 munições e 35 balanças de precisão.

Policiais retiram drogados da Praça Princesa Isabel
Agentes apagam fogo na Cracolândia
A Praça Princesa Isabel estava cheia de pertences de usuários misturados ao lixo, mas dessa vez, incendiado. Um fiscal da Inova disse ao G1 que até as 11 horas, cerca de 23 caminhões da empresa saíram lotados levando cerca de 170 toneladas de materiais, sem contar os veículos da Loga, que ofereciam apoio transportando 14 mil kg de material comprimido cada um.


Praça da Cracolândia cheia de pertences dos usuários de drogas
Agentes recolhem pertences dos usuários

Dois traficantes foram presos na nova operação da Polícia Militar e da Guarda Civil na região da Cracolândia. Segundo o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, eles levavam 774 g de crack e mais R$ 1,6 mil em dinheiro além de três celulares.
Alckmin destacou que na operação do dia 21 de maio houve prisão de mais de 50 traficantes. Em seguida, governo e Prefeitura iniciaram o trabalho de abordagem e internação de usuários de drogas. "Foram 320 internações no Cratod ou comunidade terapêutica ou hospital. Mais de 3 mil abordagens."
"Esse é um trabalho permanente, não vai resolver do dia para a noite. Não deve haver concentração porque facilita a vida do traficante e dificulta a abordagem", disse Alckmin. "Tem que ser o trabalho de tirar o traficante e não deixar ter arma. E de outro lado equipes multiprofissionais abordando."
Doria afirmou que as ações na Cracolândia vão continuar. "Não tem recuo. Vamos continuar avançando em ação medicinal, urbanística e social", disse o prefeito. "Não podemos proibir de circular. O que não vamos permitir é instalação de equipamentos financiados pelo PCC. Acabou o shopping center ao ar livre. A Polícia Civil, Denarc, PM e GCM vão manter a ação de combate que já proporcionou redução no volume de vendas, que era de R$ 15 milhões por mês. Isso vai continuar."
"A intenção não é estabelecer novos endereços, é fazer ações contínuar para que as pessoas possam ser acolhidas, tratadas para garantir a sua sobrevivência. E a reurbanização de toda a área central, com habitação popular, CEU, creche e instalação hospitalar. Tudo em regime de parceria pública com investimentos privados."
O secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, disse que o objetivo foi acabar com a estrutura de tráfico de drogas montada no local. "Como se monta estrutura como estava montada você vai facilitando isso. É o próprio pequeno traficante que termina abastecendo, aí não é lucrativo para a facção criminosa", disse o secretário.

Ativistas
Ativistas estavam no local nesta manhã, apreensivos sobre o futuro dos usuários. Integrantes do coletivo A Craco Resiste questionam qual, afinal, seria o objetivo da ação deste domingo, já que os usuários voltaram para a praça.
“Não está claro como funciona efetivamente o Programa Redenção ou o motivo da dispersão de hoje. A Secretaria de Direitos Humanos prometeu uma audiência pública para esclarecer, mas não aconteceu até hoje”, disseram. “Não está claro para a militância, e nem mesmo para os assistentes sociais dos programas”, completaram.
Quando questionados pelo G1, alguns assistentes sociais disseram não saber o objetivo da ação deste domingo. Outros foram vistos tentando convencer usuários a entrar em peruas para ser levados para locais de acolhimento.
Os comerciantes das imediações da Praça Princesa Isabel afirmam que o movimento caiu muito desde o início das ações na Cracolândia, no dia 21 de maio. O gerente Juarez, que trabalha em um posto de combustível em frente à praça, estima que o movimento tenha caído no local em até 40%.
“Está dando muito prejuízo. Hoje estamos fechados por conta da operação e no dia 21 também. O movimento caiu cerca de 30 ou 40%, e em contrapartida não temos sequer um desconto no IPTU, que custa cerca de R$ 70 mil”, contou.

Fonte: G1