segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Das famílias dos 111 presos mortos no Massacre do Carandiru, apenas 43 foram indenizadas

Complexo Penitenciário do Carandiru após a demolição, em 2002
Há 25 anos atrás, 111 detentos foram mortos por policiais militares armados no episódio que ficou conhecido como Massacre do Carandiru, na Casa de Detenção de São Paulo. O complexo penitenciário não existe mais desde 2002, quando foi implodido, dando lugar ao Parque da Juventude, mas essa longa novela ainda não teve fim.
O G1 publicou que, das famílias dos 111 mortos, apenas 43 foram indenizadas, número que não chega perto nem da metade. A pesquisa foi feita feita pela professora de direito Maíra Rocha Machado. "Não houve esforço nem por parte do estado em lidar com o que ocorreu", explica ela, que integrou um grupo de pesquisa para analisar as páginas do caso.

Protesto de 2012 em São Paulo relembra o nome dos 111 mortos no Massacre do Carandiru
A procuradoria geral do estado se pronunciou, afirmando que o processo de indenização das outras famílias das vítimas ainda está correndo na justiça, inclusive o julgamento dos PMs envolvidos no massacre.

Relembre o caso

Policiais chegam para conter a rebelião, em 02/10/1992
Aconteceu em 02 de outubro de 1992 no Pavilhão 9 da Casa de Detenção da cidade. Tudo começou com uma briga entre dois detentos, que resultou em um deles ferido e na omissão de socorro por parte dos carcereiros, revoltando assim todos os presos que estavam ali. A PM foi acionada pelo diretor do complexo, José Ismael Pedrosa, e comandada pelo Coronel Ubiratan Guimarães. Ambos foram assassinados em 2005 e 2006, respectivamente.

Multidão lota a frente da Casa de Detenção, alguns curiosos, e outros amigos e familiares dos presos
Detentos relatam que policiais ordenaram que eles ajudassem a carregar os corpos de seus companheiros de cadeia, objetivando dificultar o trabalho da perícia e eliminar testemunhas. Alguns insistem em dizer que o número de presos mortos passa de 200.