quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Leia as cartas psicografadas de famosos que viralizaram na internet

O Dia de Finados (2) serve para lembrar daqueles que se foram, não é mesmo? Ultimamente não se fala em outra coisa se não em espíritos e cartas psicografadas, e muitos querem saber ainda o que acontece quando se morre: existe vida após a morte? A reencarnação é mais uma certeza que nós tempos depois da morte? Alguns dizem que não, mas outros dizem que sim, e alguns ainda se aproveitam de gente famosa e morta para ganhar ibope em cima, escrevendo cartas psicografadas. Sendo verdade ou mentira, vamos ler algumas dessas cartas de pessoas, artistas ou não, que caíram na internet e deram no que falar.


Elis Regina (1945-1982)
A morte precoce da cantora Elis Regina, aos 36 anos, por overdose de drogas, mexeu com o país inteiro. Há sites que dizem até que o espiritismo era a religião seguida pela cantora antes de morrer, chegando até a psicografar cartas e fazer shows beneficentes em favor de instituições sociais.
Dois sites, Louren Junior (webnode) e Tudo da Doutrina (blogspot), postaram duas cartas supostamente escritas pela cantora, e numa delas, ela diz que percebeu todas as suas imperfeições depois de morta. "Todas as minha vaidades, arrogâncias, indiferenças, todas as minhas chatices".
Após morrer, ela conta que acordou em um lugar cinzento, com o corpo todo cheio de cortes, se sentindo suja e fedida. "De repente gritei, chamei pela minha filha. Pensei logo nela após ter percebido estar em um lugar esquisito", relatou a artista, desesperada.
Em outra carta, ela agradece a todos os espíritos pelo seu discernimento e se auto propôs a levar uma caminhada, de fato, cristã, lá no plano espiritual.

Carta publicada pelo Tudo da Doutrina (2012):
Posso contar? Estou lúcida, agora. Bem mais tranqüila. Mas não sabia o que estava acontecendo. Eu acordei apavorada dentro de um lugar cinzento. Era, naquela ocasião o que via. Também não ouvia nada. Eu me percebi cheia cortes em meu corpo que não sei o que era nem sei explicar. Me sentia suja e fedendo. De repente gritei, chamei pela minha filha. Pensei logo nela após ter percebido estar em um lugar esquisito. Gritei pela minha filha. A minha preocupação era ela... Tudo era inquietação. Não tinha noção do tempo; que horas eram, dia da semana... só pensava em minha filha. Com quem ela estava naquele momento. Nada me foi passado naquele momento. Eu parecia estar num sonho sem saber de absolutamente nada. Em algum momento, apareceu um moço que me abraçou e perguntei a ele sobre a minha filha. Depois desse abraço, não sei o que aconteceu de fato porque ele me adormeceu. Não sabia o que estava ocorrendo comigo. Não tinha noção do tempo, de nada. Sei que adormeci profundamente. Não sabia de nada, de nada mesmo. Sei que me acordei sobre um leito de um hospital, cheia de soros e, estava lá aquele moço que me abraçou e que me fez dormir. Ele me olhava profundamente e eu sem noção do que acontecia comigo. Sabia que estava num hospital e dessa vez não tinha como perguntar sobre minha filha porque estava anestesiada. Mas estava limpa sobre lençóis limpos. Tudo era tranqüilo. Ouvia canções muito baixinhas. Não sei quanto tempo estava ali sendo cuidada. Devo ter passado muito tempo mesmo. Sei que um dia perguntei sobre o que acontecia. Aquele rapaz... aquele moço estava me ajudando. Ainda meio perdida, me sentia aliviada, me sentia bem. Participei de algumas reuniões, mesmo estando assim. Não entendia. Depois comecei a chorar bastante. Alguém me deu um remédio, alguém me disse o que aconteceu: tinha morrido. Me desesperei e aos poucos fui me acalmando. Voltei àquele hospital e aquele moço sempre acompanhando. Foi quando perguntei sobre minha filha, sobre meus filhos e Samuel. O show marcado, o compromisso, os pagamentos... Eu deixei a terra. Para me consolar o moço disse que foi um lapso. Todos são amparados por Deus. Aí comecei chorar e ver os testemunhos das situações que criei para chegar precocemente aqui. Ainda sinto dores, tonturas, vontade de fumar e de beber. Tudo é muito forte; pareço estar presa a carne. Voltei ao hospital após uma reunião acompanhada por esse moço, que não me disse o nome. Voltei a ser medicada e a ser ouvida. Comecei a contar o que aconteceu. Naquele dia estava preocupada com o meu relacionamento; preocupada por estar tomando um destino artístico sozinha, depois de muito tempo com o César; preocupada com os meus filhos... tudo assim. Resolvi ligar para o namorado, meio aflita, meio duvidosa, extremamente insegura de tudo, excedi em tudo. E tudo sumiu da minha frente. Agora estou aqui sem a conclusão da minha última vida. Estou num recomeço exaustivo; ainda doente, traumática e ansiosa. Eu pressinto meu corpo a todo instante. De vez em quando, tenho de voltar aquele hospital e procurar aquele moço, que não diz o nome, que não sei nada dele. Às vezes ele me chega e me leva. Parece um anjo, parece um homem bom. Um dia disse pra ele que sou a Elis Regina. Ele me disse: Elis? Mas quem é Elis? Ele me disse que eu era um espírito como todos. O nome agora não me importava. Importava agora em me ajudar. E ele me ajudou. E continua me ajudando. Sinto, às vezes, incomodada pela euforia de muitos ainda me chamarem. Não é fácil carregar uma fama e depois dela continuar existindo. Isso me deixa um pouco doente. Sinto-me puxada por essa comoção... Depois que vi a realidade, precisei aprender a conviver com o NOME que deixei. Dói muito essa manifestação. Não estava e nem estou ainda preparada. Estou aprendendo, escutando muito... Aceitei a aprender. Tenho amigos aqui. Esse moço ainda não se descreveu para mim. Apenas diz que está me ajudando. E creio que há muito tempo. Ele me disse que a minha morte foi um acidente. Não tinha intenção, mas, como estou aprendendo a aceitar as lições, as disciplinas, as orientações, as medicações, ainda levarei muito tempo para reajustar minha condição mental. Todas as minha vaidades, arrogâncias, indiferenças, todas as minhas chatices; só percebi aqui. Numa análise profunda de muitas horas diárias, sem entender em que tempo estou ainda, procurei descobri todos os meus egos. Agora tenho um pouquinho de paz. Não quero me alimentar de culpas. Aconteceu na minha vida na terra. Assimilei todas as confusões que vivenciei. Estou ouvindo muito e movida a medicações. Voltar, só Deus é quem sabe. Eu sinto saudades. Tive uma vida intensa; de luta; briga; busca; conquista. Briguei muito e muito me arrependo. Peço desculpas a todos. A Maria Betânia, principalmente. Aos meus filhos. A todos que não me entenderam. Deus me ajude. Deus ajude a todos. “A Esperança equilibrista...”

Carta publicada pelo Louren Junior (2014):
Numa demonstração de equilíbrio, posso daqui do além, trazer-lhes o testemunho da vida além do corpo físico, que os serve de envoltório quando encarnados.
Este meu discernimento, que faz que possibilite meu testemunho, foi pôr duras penas conquistado.
O torpor que envolvia meu espírito ao desencarnar era dessas coisas que só os espíritos acostumados ao socorro divino lhes poderiam explicar.
A certeza das responsabilidades das nossas ações é sem favor algo que escapa a nossa rotina. Ao tomarmos atitudes intempestivas, desaparece nosso preparo interior e nosso conteúdo moral.
E, continuaremos atados ao resgate até sua total emancipação.
No Universo os nossos mínimos atos pôr mais inconsequentes que possam parecer, tem na sua redundância o alcance do próprio desvirtuamento.
Como poderemos com equidade prover o próximo, se não contarmos com essa possibilidade de ajuda!
Nossos atos intempestivos, só não causam prejuízo a nossa evolução, como a todos que estão sob nossa responsabilidade.
Mas, apesar de tantas frustrações e atitudes inconfessáveis, resta-nos o conforto e o consolo, que somos espíritos oriundos de um Deus Bondoso e Justo..., dando-nos oportunidades como esta de aflorar-mos a responsabilidades de nossos atos, para um futuro mais consequente e responsável.
A alegria que transmitia as minhas apresentações, de fato era a minha grande arma para o sucesso, procurava que todos me acompanhassem na minha trajetória artística, que fizessem parte dessa minha jovialidade, que procurava transmitir na sua maior pureza.
Agradeço aos espíritos que abriram a minha mente e meu coração e que neste breve despertar, com a Bondade do Infinito Deus possa com a mesma alegria que transmitia nas minhas apresentações, ressarcir os danos causados ao meu espírito, postulando uma nova caminhada sinceramente cristã.
Aos amigos que temporariamente deixei no plano físico, patenteio a riqueza e a grandeza da nossa profissão, que tem muito de sutileza e de sensibilidade.
Se delas fizermos o palco para futuras empreitadas, dela também nos serviremos para a felicidade íntima e progressista de nossos espíritos.


Cássia Eller (1962-2001)
Cássia faleceu em 29 de dezembro de 2001 após infartar repentinamente, mas há quem diga que sua morte foi causada também pelas drogas, já que Cássia usava cocaína desde a adolescência. Isso foi descartado totalmente após uma necrópsia feita pelo Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro. Ela deixou um filho, Francisco (Chicão), hoje com 24 anos.
"Se eu disser para vocês que o inferno existe, acreditem, pois eu estava mergulhada nele, de corpo e alma, num espaço sombrio e frio, bem interno do ser, dos pés à cabeça, sem tempo, sem luz, nem descanso". Assim começou a carta supostamente psicografada pela cantora, que apareceu em espírito na cidade de 2015, no Lar de Frei Luiz, localizado no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. O inferno que ela disse ter ido, na verdade, é o umbral na versão espírita. Lá, segundo a carta, não tem luz, chove e troveja constantemente, e todos os espíritos passam muito tempo lá sofrendo, sempre abalados e chorosos.
"Perguntava-me porque ali estava se nada fizera por merecer tão infeliz destino, depois de ser expulsa do corpo de carne através do uso maciço de drogas", desabafa a cantora na carta, que revela ainda seu gosto por filmes de terror quando estava viva. "Os filmes de horror que assisti, quando encarnada, estariam ainda muito distantes dos padecimentos, pânicos, pavores e temores que ficariam para sempre registrados na minha memória mental".
Tempos depois, ela conta ter acordado em um campo verde e encontrado o cantor Cazuza, que veio na sua direção para que os dois, enfim, pudessem conversar à vontade por ali. "Meu ídolo ali estava resgatando e cuidando de sua fã, debilitada e muito carente".

Realmente, com todos os absurdos lidos, essa carta é ainda muito intrigante. Leia o conteúdo completo:
"Se eu disser para vocês que o inferno existe, acreditem, pois eu estava mergulhada nele, de corpo e alma, num espaço sombrio e frio, bem interno do ser, dos pés à cabeça, sem tempo, sem luz, nem descanso e afogava-me, a cada segundo, num oceano de matéria viscosa que roubava até minha ilusória alegria… Naquele lugar não havia luz, somente nuvens cinza e chuvas com raios e trovões, gritos estridentes e desesperados, gemidos surdos, pedidos de socorro, lágrimas, desalento, tristeza e revolta…
Preciso descrever mais as cenas dantescas de animais que nos mastigavam e, em seguida, nos devoravam sem consumir nossos corpos; se é que posso dizer que aquilo, que sobrou de mim, era um corpo humano. queria fugir para bem longe dali, mas tudo em vão, quanto mais me debatia no fluido grudento, mais me afundava e, quando alcançava, de novo, a superfície apavorante, mãos e garras afiadas faziam-me submergir naquele líquido pastoso e mal cheiroso.
Dragões lançavam chamas de suas bocas sujas e nos queimavam, machucando e estilhaçando a pouca consciência que me restava da lembrança de minha estada no corpo físico, neste planeta azul. Guardiões das trevas olhavam atentos seus presos e vigiavam todos os movimentos realizados naquele imenso espaço de sofrimentos, dores, lamentos, depressões, angústias e arrependimentos tardios… O ar era ácido e provocava convulsões diversas.
Perguntava-me porque ali estava se nada fizera por merecer tão infeliz destino, depois de ser expulsa do corpo de carne através do uso maciço de drogas. A dúvida assaltava-me os raros momentos de raciocínio menos desequilibrado e as crises de abstinência trancavam todas as portas que dariam acesso à saída daquele campo de penitência de espíritos rebeldes e viciados com eu.
Os filmes de horror que assisti, quando encarnada, estariam ainda muito distantes dos padecimentos, pânicos, pavores e temores que ficariam para sempre registrados na minha memória mental, os piores dias que vivi até hoje, como joguete e marionete de forças que me escravizavam o ser, debilitado, fraco, desprovido de energias, suja, carente e chorosa.
Não me lembrava do que acontecera comigo… Quando o medo é maior que as necessidades básicas, a mente fica encarcerada num labirinto hipnótico e “torporizante” de emoções truncadas e desconectadas da realidade… Assemelha-se a um pesadelo sem fim, sempre com final trágico e apavorante. Quando conseguia conciliar um pequeno tempo de sono; era imediatamente desperta por seres que me insultavam e xingavam, acusavam-me de suicida maldita e jogavam-me lama misturada com pedras… Insetos e anfíbios ajudavam a traçar o perfil horrendo dos anos que passei no umbral. Preciso escrever estas palavras para nunca mais me esquecer: “Com o fenômeno da morte, nós não vamos para o umbral, nós já estamos no umbral quando tentamos forjar as leis maiores da criação com nossas más intenções e tendências viciantes”.
Tudo fica registrado num diário mental que traça nosso destino futuro, no bem ou no mal. O umbral não fora criado por Deus; ele é de autoria dos espíritos que necessitam de um autêntico e genuíno estágio educativo em zonas inferiores, onde poderão se depurar de suas construções aleijadas no campo dos sentimentos e dos pensamentos disformes, mal estruturados e mal conduzidos por nossa irresponsabilidade, de mãos dadas com a imensa ignorância que nos faz seres infelizes e distantes da tão sonhada paz de consciência.
Após alguns anos umbralinos, despertei numa tarde serena, num campo verdejante e calmo. Não acreditava no que via, pois tudo, agora, parecia um sonho… Percebi, ao longe, o canto de uma ave que insistia em acordar-me daquele pesadelo no qual já me acostumava a viver; a morrer todos os dias… Seu canto era uma música que apaziguava meu coração e aguçava meus pensamentos na lembrança de como fui parar ali naquele campo gramado e repleto de árvores. Consegui sentar-me na relva e ao olhar todo aquele espaço natural, deparei-me com milhares de outros seres como eu, nas mesmas condições de debilidade moral, usufruindo, agora, de um bem que não merecia, mas vivia ! Todos nós dormíamos e fomos despertos com música e preces em favor de todos os presentes…
A maioria era de jovens e adultos, poucos idosos e centenas de enfermeiros que olhavam atentos para nossos movimentos no gramado. Com seus olhos serenos, projetavam em nós a mansidão e a paz tão esperadas por nossos corações enfermos, débeis e carentes de atenção, de afeto e carinho.
Alguém me tocava, de leve, os ombros e chamava-me pelo nome, como se me conhecesse há muito tempo. Eu identifiquei aquela voz e “temia” olhar para trás e confirmar minha impressão auditiva, era Cazuza todo de branco, como lindo enfermeiro, de cabelos cortados bem curtos e estendia suas mãos para que eu levantasse, caminhasse e conversasse um pouco em sua companhia. Não consegui me levantar, porque uma enxurrada de lágrimas vertia dos meus olhos, como nascente de rio descendo a montanha das dores que trazia no peito. Meu ídolo ali estava resgatando e cuidando de sua fã, debilitada e muito carente. Ele cantou pequena canção e tive a capacidade de avaliar o que Deus havia reservado para aqueles que feriam suas leis e buscavam consolo entre erros escabrosos e desconcertantes.
A misericórdia divina sempre conspira a nosso favor, nós desdenhamos do amor divino com nossas desatenções e desequilíbrios das emoções comprometedoras, que arranham e esmagam as mais puras sementes depositadas no ser imortal. aprendi palavras boas ! Somente agora enxergo que sou espírito e que a vida continua e precisa seguir o curso natural das existências, como na roda-gigante: hora estamos aqui no alto; hora estamos aí embaixo encarnados. Daqui de cima, parece ser mais fácil compreender porque temos de respeitar as leis e descer num corpo físico para, igualmente, quando aí estivermos, conquistarmos, pelo trabalho no bem, a lucidez que explica porque há a reencarnação, filha da justiça divina.
Após um tempo no campo reconfortante, fui reconduzida para um hospital onde me recupero até hoje dos traumas e cicatrizes que criei no corpo do perispírito. As lesões que provoquei foram muito graves, passei por várias cirurgias espirituais e soube que minha próxima encarnação será dolorosa e expiarei asma, deficiência mental e tuberculose. Mesmo assim, estou reunindo forças para estudar, pois sempre guardamos, no inconsciente, todos os aprendizados conquistados. Reencarnarei numa comunidade carente no interior do Brasil e passarei por muitos reveses, para despertar em mim o valor da vida do espírito na pobreza e na doença crônica. Peço orações e a caridade dos corações que já sabem o que fazem e para onde desejam chegar. Invistam suas forças e energias espirituais em trabalhos de auxílio ao próximo e serão, naturalmente, felizes. Obrigada por me aceitarem como necessitada que sou!"


Clara Nunes (1942-1983)
Considerada uma das maiores intérpretes do país em seu tempo, Clara morreu aos 40 anos, em 02 de abril de 1983, após uma mal sucedida cirurgia de retirada de varizes, tendo uma reação alérgica a um dos componentes do anestésico. Ficou 28 dias internada na UTI da Clínica São Vicente, mas não resistiu.
Em setembro de 1984, a irmã de Clara Nunes, Maria, foi atrás do médium Chico Xavier para receber uma carta sua, que tem até veracidade e emociona qualquer um. Ela conta em um trecho da carta que foi recebida pelos seus pais, Manoel, e Amélia, e os três abraçaram-se com muita alegria.

Querida Maria

Eu pressentia que o encontro através das notícias seria primeiramente com você. Somente você teria disposição de viajar de Caetanópolis até aqui, no objetivo de atingir o nosso intercâmbio.
Descrever-lhe o que se passou comigo é impossível agora. Aquela anestesia suave que me fazia sorrir se transformou numa outra espécie de repouso que me fazia dormir.
Sonhava com vocês todos e me via de regresso à infância.
Era uma alegria que me situava num mundo fantástico.
Melodias e cores, lembranças e vozes se mesclavam e eu me perdia naquele estado desconhecido.
Não cuidava de mim. Lembrava-me dos que ficavam, mas ainda não sabia se a mudança seria definitiva
Acordei num barco engalanado de flores, seguido de outras embarcações, nas quais muitos irmãos entoavam hinos que me eram estranhos. Hinos em que o amor por Iemanjá era a tônica de todas as palavras.
Os amigos que me seguiam falavam de libertação e vitória.
Muito pouco a pouco me conscientizei e passei da euforia ao pranto da saudade, porque a memória despertava para a vida na retaguarda e o nosso Paulo se fazia o centro das minhas recordações.
Queria-o ali naquela abordagem maravilhosa, pois os barcos se abeiravam de certa praia encantadoramente enfeitada de verde nas plantas bravas que as guarneciam.
Quando o barco que me conduzia ancorou suavemente, uma entidade de grande porte se dirigiu a mim com paternal bondade e me convidou a pisar na terra firme. Ali estavam o meu pai Manuel, e nossa Mãezinha Amélia.
Os abraços que nos assinalavam as lágrimas de alegria pareciam sem fim.
Era muita saudade acumulada no coração.
Ali passei ao convívio de meus pais e os meus guardiões retornavam ao mar alto.
Retomei a nossa vida natural e, em companhia de meu pai, pude rever você e os irmãos todos me comovendo ao abraçar a nossa Waldemira, que me pareceu um anjo preso ao corpo.
Querida irmã, não disponho das palavras exatas que me correspondam às emoções. Peço a você reconfortar o nosso Paulo e dizer-lhe que não perdi o sonho de meu filhinho que nascesse na Terra de nossa união e de nosso amor.
O futuro é luz de Deus. Quem sabe, virá para nós uma vida renovada e diferente para as mais lindas realizações?
Você diga ao meu poeta e letrista querido que estou contente por vê-lo fortalecido e resistente, exceção feita dos “copinhos” que ele conhece e que estou vendo agora um tanto aumentados...
Desejo que ele saiba que o meu amor pelo esposo e noivo permanente que ele continua sendo para mim, está brilhando em meu coração, que continua cantando fora do outro coração que me prendia.
A cigarra, por vezes, canta com tanta persistência em louvor a Deus e a Natureza, que se perde das cordas que coordenam a cantiga, caindo ao chão, desencantada. O meu coração da vida física não suportou a extensão das melodias que me faziam viver, e uma simples renovação para tratamento justo me fez repousar nas maravilhas diferentes a que fui conduzida.
Espero que o nosso Paulo consiga ouvir-me nestas letras.
Agradeço a ele as atitudes dignas com que me acompanhou até o fim do corpo, tanto que agradeço a você e as nossas irmãs e irmãos o respeito com que me honraram a memória, abstendo-se de reclamações indébitas junto aos médicos humanitários que se dispuseram a servir-nos.
Querida irmã, continue com o nosso grupo em Caetanópolis. O irmão José Viana e o Dr. Borges estão conquistando valiosas experiências. Muitas saudades e lembranças a todos os nossos e para você um beijo fraternal com as muitas saudades de sua, Clara.


Cazuza (1958-1990)
Uma das poucas cartas psicografadas em que realmente se vê que são verdadeiras é a do cantor Cazuza, que morreu aos 32 anos por complicações do vírus HIV. Ela veio a público no ano de 1996, e dá pra acreditar que é do cantor de fato por dois motivos: assim como a de Clara Nunes, esta também foi psicografada por Chico Xavier, um ser humano e tanto; e as palavras não são nada difíceis. Assim como ele é no plano superior, com certeza ele deveria ser assim na Terra, como mostravam as músicas compostas por ele. Lembrando que o espírito que escreveu a carta não se identificou, mas obviamente essa carta é a dele, como mostram os trechos a seguir:

“Pensava que após ressacas eu era sempre perdoado por todos os anjos do amor. Tinha sempre uma noção de ser feliz, aqui esta felicidade é muito mais explorável. Eu já sentia algum ar novo e certas paisagens dela, nada volta ao seu estado natural como eu pensava apenas não sou muito como disseram num certo livro sobre minha insignificante pessoa idealizada. Inventarão o meu show. Não sei como te oferecer certezas disso, nós ainda vemos tudo daqui.
Estou numa sociedade socialista democrática perfeita. Eu nunca quis saber destas coisas de eternidade, porque para mim era coisa de papa. Então arduamente e com certa teimosia eu procurei algum outro mais legal, foi difícil, pedi que encerrasse o livro anterior e não divulgasse nada ainda por ordens superiores, e achei um que já foi muito pirado na vida desde a infância, uma piração mais controlada, claro, mas que tivesse mais a ver com minhas intenções de volúpia de escola em palcos de doutor. Todos já deviam saber que eu não pertenceria a federações, editoras ou onde existir lucros financeiros em meu nome, excluam-me disto; onde tiver isso com certeza não será eu.
Não quero ser o mesmo babaca e nunca irei mais fazer parte disso, baby! Essa é minha vida atual, sempre foi e realmente não podemos enganar o que vem da natureza. Aqui não tem jogo político. Não adianta inventar que sempre fui o garotinho exemplar da mamãe depois de aloprar no pó durante minha vida quase toda. Mas, graças que eu achei um que parecia me aceitar, foi realmente difícil achar algum que tivesse a ver, mas quer mesmo saber? Dane-se sobre isto! Eu os apoio e ele entende é muito bem da minha música, entende muito bem sobre o mesmo amor que conhecemos nos tempos dos palcos. Eu atacava quem estava manso e agora entendo que pretendo consertar algumas coisas dentro de mim, deixar de ser tão bêbado em certos momentos, estarrado, moleque, preciso controlar mais os meus palavrões.
Aqui temos escolha de sermos mais sérios, e eu escolhi ser um pouco mais sério mesmo, responsável. Tudo começou alguns segundos antes da minha morte, apesar de debilitado, eu me sentia muito vivo apesar de me encontrar sem forças. Eu me sentia apagando como luzes do palco quando não se tinham mais plateias, acabou, amanheceu! Vamos embora! Eu ainda insistindo com os meus cigarros nas mãos olhando cores cinzas para onde quer que os meus olhos olhassem. De repente, o meu corpo franzino de alguma forma sabia que naquele dia estava mesmo para morrer e que de alguma forma sabemos quando acontecerá, é bastante assustador. Eu só aguardava tudo escurecer para depois poder esquecer de mim. Eu estava ansioso com o corpo dolorido. Eu já havia atravessado e nem sabia. Eu já havia lido que não doeria e isso me ajudou bastante a suportar. De fato eu já procurava pelo momento mais esperado da vida, mas será que já havia acontecido isso por muito tempo e eu não sabia? Impressionante, não senti passagens, mas minha visão não foi interrompida em nenhum segundo. Todo o ritmo tinha o seu fim, doses mais fortes pareciam que não. Era assim que eu me sentia. Percebi que o universo era bem maior do que tudo que eu já havia conhecido com várias atmosferas umas sobre outras. Não sei te explicar, de alguma forma sabemos o momento exato quando deixamos o físico, não sei como foi feita essa separação não flagrei esse momento como eu flagrava doidão, mas bem atento sobre curvas de quem adormecia comigo num motel barato de Copacabana; realmente não senti isso acontecer. E o fato de saber que minha visão não cessou tornou-se muito maior do que saber de fato sobre polêmicas do fim, mas depois que atravessei percebi que esta questão era a mais pueril de todas, é pífia e é babaca, ao mesmo tempo para mim foi do caral… Saber que eu ainda me mexia. Mas alguma dúvida ainda pairava toda minha mente. Realmente havia partido? Era estranho ou um sonho? Pois minha moleza era muito forte e tonturas me levavam ao delírio constante. Eu tinha fortes disenterias, dores de barriga, forte abstinência. É inevitável viver o nosso drama, conhecer-nos detalhe a detalhe. Foi mais do que dizer coisas insanas no ouvido de um padre no tempo de escola. No mundo realmente eu me envolvi com tudo que fizesse parte da música, rock e poesia (mas eu era bom de letras), mas sabia que não havia nascido para o drama.
Fizeram-me até o garotinho do samba. Aproveitei tudo para aloprar, “cheiração” e muita putaria. Com os mais luxuosos segredos. Que bom para mim amor. Ledo engano. E daí se eu estava com HIV? Não vou dizer que não me arrependi, pois me arrependi mesmo. Foi muito triste essa fase da minha vida. Ninguém gosta. Foi no que mais sofri , foi quando soube da notícia, quando eu pensei na conseqüência, quando eu pensei em todo o meu passado e na minha mais inocente felicidade de embriaguez, quando pensei nos meus sorrisos ingênuos. Se eu pudesse fazer diferente eu teria feito e não teria pego essa porra, teria me cuidado muito mais e teria morrido pelo menos chique como uma dama velha ao som da vida em bandos e com uma bela garrafa de vodka ao meu lado. Esses eram os pensamentos juntos aos desgostos que ao mesmo tempo eu sentia quando ainda deitado antes de partir febrilmente. Mas isso não feriu completamente o meu ótimo senso de humor. Não fui recebido por ninguém. Seria extremamente infantil que religiões fossem resolver transcendentes questões deste infinito.
Agora que me fiz curioso sendo assim, quantas existências será que eu tive? Quantos atos de barbaridades será que cometi? Quantos séculos de conhecimento será que eu tenho? De serviços? De triunfos? Quantos sopros renovadores será que eu suportei? No fundo é muito difícil entender dentro do nosso íntimo sabermos que continuamos. Você pode até estudar toda teoria, ser “expert” no assunto, nada é mais forte do que você viver essa situação. Senti falta foi da minha multidão, das baratas dos palcos apertados, da minha sintonia com o público, do calor humano, dos meus pais, da loura que me deu em segredo um par de rosas no almoço, dos amigos queridos da infância do amor e ódio. Eu queria mesmo era poder ficar pasmo e maravilhado com tudo que estava acontecendo comigo. Foi assim que eu percebi que eu não tinha nada de astro, tudo fazia parte da alegria somente para vaidades. E essa realidade onde estou é muito diferente.
Permaneço por aqui como um mero espectador na última cadeira do teatro divino. Estou bem, estou bem, estudando bastante (finalmente peguei gosto por algum estudo) e indo para recomendadas palestras continuamente, hoje é o que importa. Nestas palestras sinto-me 2. tomando o mesmo soro. Existe muito mais que eu poderia dizer, mas através de outros já foi e será melhor dito, não é minha tarefa. Mas garanto não foi nada fácil o meu inferno astral após o desencarne. Hoje só estou aqui para somar e ajudar na sua fé. E eu pensei que ser novo era viver sempre numa fria. Nessa idade só queremos uma transa boa. O olhar eu traduzia ser o passaporte para o sexo casual. O sorriso a confirmação indébita dentro da dose do meu despretensioso Whisky de Leblon. Eu simplesmente fazia de tudo, até fingia ser príncipe, na verdade eu estava mais para ser, se continuasse por aí, mais algum incansável bobo da corte. ‘Dias sim, dias não.’ Ou ‘Segredos de liquidificador.’ Ou ‘Partidos’. Ou ‘Burguesia’. Não importa mais. Desculpe pelas minhas interpretações doidas e pelos meus estresses nervosos.
Desculpe de paixão a todos. Eu não venceria minha provação por isso de repente fui retirado abruptamente da vida, mas também amenizei muito mais dores da punição e sou muito grato por tudo que eu fiz. Que Deus os proteja hoje e sempre minha querida até então última humanidade, pais, todos os meus fãs e amigos. Só queria que soubessem que agora encontro-me mais completo, feliz, aprendendo novas boemias, o de sempre, reaprendendo, cantando novas músicas, nada de drogas, nada de egos. Beijos!”


Chorão (1970 - 2013)
Dois anos após sua morte por overdose de cocaína, o cantor apareceu em espírito no Lar Frei Luiz de Jacarepaguá (RJ), que nem a de Cássia Eller. O médium que publicou se chama Eduardo Fructuoso, e este psicografou a situação que o cantor se encontrava após a morte, e não era nada boa, segundo ele. Até que esta também aparenta ser verdade, porque na vida real, o cantor se meteu em um monte de problemas. Se envolvia em vários problemas, se drogava muito, muita cocaína, muito crack... Deu nisso. Sendo mentira ou verdade, essa é a carta do cantor. Leia:

Voltei aos quintos dos infernos
Enlouquecido pelas drogas
Com padecimentos internos
Que nem a morte derroga

Hoje de mil tormentos padeço
Deles não me livrou a morte
Por isso aqui e agora peço
Que orem para que eu seja forte

Durmo hoje como um mineral
Sonhando me sinto vegetal
Desperto pareço um animal
Deixei de ser um Ser hominal

Regredi no tempo e no espaço
Meu ser a droga desfigurou
Só o que ela quer eu faço
Já não sei quem de fato sou

Assim é que aqui e agora
Comigo combate eu travo
Pedindo em prece a toda hora
Que eu não seja mais escravo

E liberto desse vício demoníaco
Mais pesado que qualquer cruz
Que me faz sentir um maníaco
Desprovido de paz e luz

Sem pátria, família, nem Deus
Imploro mesmo sem devoção
Que Jesus amenize os sofrimentos meus
E tenha compaixão desse CHORÃO


Hebe (1929 - 2012)
A saudosa artista Hebe Camargo entrou em contato com o mundo terrestre duas vezes. A primeira carta foi especialmente escrita para Sílvio Santos, de quem era muito próxima. "Sei que está a passar por momentos bastante difíceis e desagradáveis, mas desejo sinceramente que esta mensagem te traga conforto e esperança diante deste período de convalescênça", dizia Hebe, referindo-se a um problema de saúde que o apresentador enfrentou dois meses antes da carta. Ele havia se tratado de um câncer de pele na perna esquerda, de onde tirou um tumor que se originou de uma ferida.
Ao longo da carta, a apresentadora e cantora rasgou vários elogios ao apresentador e à sua emissora, o SBT, à esposa dele, Íris, e aos filhos e netos do apresentador, além de anunciar que um novo neto viria, nove meses depois. "Sempre acreditei em ti, na tua força e na tua capacidade de dar a volta por cima, de saíres das situações mais críticas e delicadas", derreteu-se.





Este ano, segundo o site TV Foco em outra carta psicografada por Lino Zechetto, a cantora afirmava estar bem e levando uma vida dedicada à Jesus Cristo, fazendo o bem. De vez em quando, ela aparece até no plano terrestre para ajudar aos que estão precisando.
Hebe convida ainda as pessoas a fazerem o bem sempre, mesmo que não sejam espíritas, além de revelar que lá do outro lado também tem mais espíritos querendo se comunicar com seus parentes e amigos encarnados.