terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

PM entra em greve no Espírito Santo e a violência aumenta, mesmo com ajuda das Forças Armadas

Desde sábado (4), o Espírito Santo está sem proteção da PM, levando assim ao aumento da violência no estado, resultando em mortes, assaltos e saqueamentos.
Os ônibus voltaram a circular em Vitória, mas a população não sai de casa com medo. Só na capital foram registradas 75 mortes, segundo o Sindicato da Polícia Civil, porém o governo ainda não confirmou o número. A Delegacia de Furtos e Roubos amanheceu lotada, e o DML (Departamento de Medicina Legal) ficou sem geladeira suficiente para armazenar todos os corpos, e 16 permaneceram no chão.
Para tentar ajudar na segurança, 1.200 soldados das Forças Armadas foram convocados para fazer policiamento.

Loja da Ricardo Eletro é saqueada em Vitória, no Espírito Santo
Entenda a crise na segurança no ES:
– Os PMs reivindicam aumento nos salários, pagamento de benefícios e adicionais e criticam as más condições de trabalho.
– Como os PMs não podem fazer greve, as famílias foram para a frente dos batalhões para impedir a saída das viaturas policiais.
– O bloqueio começou no sábado (4) e atinge a Grande Vitória e cidades como Linhares, Aracruz, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Piúma. 
– Desde então, a Grande Vitória registrou 68 mortes violentas, ante 4 em todo o mês de janeiro, segundo o sindicato da Polícia Civil.
– Escolas, postos de saúde e parte do comércio estão fechados desde segunda-feira (6), quando ônibus também pararam de circular. Os coletivos voltaram a rodar na manhã desta terça (7), mas serão recolhidos novamente às 19h.
– 1.000 homens das Forças Armadas fazem policiamento na Grande Vitória desde segunda; 200 integrantes da Força Nacional começam a atuar nesta terça.

Soldados revistam pessoas nas ruas de Vitória (foto desta segunda-feira, 6)
DML de Vitória lotado
Aulas foram suspensas devido à violência

"No domingo, o WhatsApp começou a borbulhar de vídeos de violência, fotos, áudios, todo mundo falando para ninguém sair de casa. Ficamos com muito medo, começamos a escutar tiros", conta Lucia Vasconcellos, de 30 anos, que mora em Vitória. A consultora de marketing chegou a sair para trabalhar na segunda-feira, mas voltou para casa na hora do almoço. Desde então tem permanecido em casa e não tem planos de sair até que se sinta mais segura. "O mais estranho é a sensação de medo a todo momento. Qualquer barulho de moto você assusta, carro que passa você fica atento", conta.
A produtora Tatiana Martinelli, de 40 anos, também tem vivido dias de tensão dentro de casa em Vila Velha, na Grande Vitória. Ela veio de São Paulo visitar a mãe nesta semana e se surpreendeu ao encontrar a cidade em um cenário de caos. "Do aeroporto até Vila Velha vi ônibus apedrejados, pessoas com pedaços de madeira na mão nos pontos de ônibus e um carro vindo na contramão fugindo de um assalto", conta. A mãe de Tatiana, que é dona de uma fábrica de roupas, no bairro da Glória, teve que fechar o local e as quatro lojas que possui após a explosão de saqueamentos na cidade. Nesta terça-feira a família também optou por manter os locais fechados, seguindo a recomendação de entidades ligadas ao comércio.
Apesar dos transtornos, as mulheres que se encontram em frente aos batalhões defendem o movimento. Fernanda Teixeira, de 31 anos, mulher de um PM, garante que não são os policiais que estão de greve. “Somos nós que estamos lutando pelos direitos mínimos deles", diz junto a um grupo de mulheres no 4º Batalhão da PM de Vila Velha. Elas estão acampando no local desde sexta-feira e asseguram que só irão deixar o local quando houver um "realinhamento salarial" dos policiais. "Queremos o básico, eles não podem ter o pior salário do Brasil", explica. De acordo com a Associação de Cabos e Soldados da PM e Bombeiro Militar do Estado (ACS), o salário base de um policial no Espírito Santo é de 2.600 reais, enquanto a média nacional chega a 4.000 reais.

Fonte: Folha Vitória; G1; F5 (imagem); El País;