quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Pink indigna-se contra presidente do Grammy

P!NK
JN.pt - A cantora não gostou de ouvir o presidente da Recording Academy - a organização norte-americana responsável pela entrega dos prémios Grammy -, Neil Portnow, desculpar o baixo número de mulheres vencedoras na edição deste ano - que se realizou este domingo, dia 28 - com a necessidade de as mulheres "subirem o nível do seu trabalho" na música.
"As mulheres da música não precisam de 'subir o nível' - as mulheres têm-no feito desde o início dos tempos. Têm subido o nível ('steppingup') e afastado (os assediantes). As mulheres ganharam a música este ano. Elas têm arrasado, este ano e em cada ano antes deste. Quando celebramos e honramos o talento e as realizações das mulheres, e o quanto elas sobem o nível, todos os anos, contra todas as probabilidades, mostramos à próxima geração de mulheres, meninas, homens e meninos o que significa a igualdade e o que é a justiça", escreveu a cantora, numa nota redigida à mão e digitalizada e publicada nas suas redes sociais.

Pink, que protagonizou um dos momentos altos da noite dos Grammy, em Nova Iorque, com a performance do seu tema "Wild Hearts Can not Be Broken", mostrou-se assim indignada com a explicação de Neil Portnow para o facto de apenas duas artistas do sexo feminino terem ganhado prémios em 2018.
Outro aspeto que causou indignação entre o público foi o facto de Lorde, que era a única mulher nomeada para o Grammy de álbum do ano, se ter recusado a atuar na cerimónia. A cantora foi convidada a subir a palco, mas recusou a proposta da organização, que queria que esta atuasse com outros músicos numa homenagem a Tom Petty - que morreu a 2 de outubro do ano passado -, mas não a solo. Lorde pretendia atuar sozinha, à semelhança do que fizeram os restantes nomeados para Álbum do Ano (todos homens), o que lhe foi negado.
Questionado sobre essas questões nos bastidores no Madison SquareGarden, onde se realizou a cerimónia de entrega dos prémios, Neil Portnow causou polémica ao afirmar que "as mulheres que têm criatividade nos seus corações e almas, que querem ser músicas, que querem ser engenheiras, produtoras e que querem fazer parte da indústria no nível executivo precisam de subir o nível". "Acho que elas seriam bem-vindas", acrescentou, à revista "Variety".
Recorde-se que estas declarações surgem poucos meses depois de uma onda de acusações de assédio sexual ter abalado a indústria de Hollywood e no decorrer de uma cerimónia em que o movimento "Time's Up" - o movimento que pretende denunciar os casos de assédio e violação e que celebra os direitos das mulheres - foi onipresente no discurso dos convidados que subiram ao palco.
A cantora Alessia Cara foi a única mulher vencedora entre as principais categorias, levando o prémio de melhor artista revelação.