segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O que ainda não foi respondido sobre a morte do jogador Daniel Corrêa


Tribuna PR - A investigação da morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, entra no 17.º dia nesta segunda-feira (12). O jogador do São Paulo, que estava emprestado ao São Bento, foi morto na manhã de 27 de outubro, mesma data em que seu corpo foi encontrado com o órgão genital mutilado e com marcas de violência em um matagal, na região rural de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Desde então, a polícia tenta desvendar o que realmente ocorreu naquele dia, depois da balada que celebrava a festa de aniversário de 18 anos de Allana Brittes, da filha do empresário Edison Brittes Júnior, 38 anos, assassino confesso do jogador.
Entre as muitas questões ainda não respondidas neste caso, não se confirmou, por exemplo, se Daniel estava vivo quando chegou ao matagal, qual era a real relação do jogador com a família Brittes, se há imagens de câmeras de segurança que revelam detalhes do crime, se os três jovens que estavam no carro com Edison participaram do exato momento da morte do jogador, se Edison Brittes tem envolvimento com o tráfico de drogas e outros crimes, se os envolvidos fizeram uso de drogas na noite do crime e de onde vem o dinheiro da família para pagar festas de quase R$ 30 mil, entre outros detalhes. E, por último, se há outro motivo suficiente para Edison matar Daniel de forma tão cruel que não seja apenas por ciúme.

A Polícia Civil aguarda os laudos de necropsia e do local do crime para ter mais detalhes sobre o que ocorreu e a maneira exata como Daniel foi morto
Para desvendar estas e outras as dúvidas, o delegado Amadeu Trevisan, da 1.ª Delegacia Regional de São José dos Pinhais, trabalha com as hipóteses de que não houve sexo entre o jogador e a esposa do empresário, Cristiana Brittes, 35 anos. As mensagens de Daniel num grupo de amigos sobre a madrugada de sexo com Cristiana a pedido de Edison, seriam apenas para contar vantagem e chamar a atenção entre seus amigos.
Segundo informações que vêm sendo divulgadas ao longo desses 17 dias de investigação, pelos advogados que trabalham no caso e pela própria polícia, o laudo pericial completo que pode ajudar a responder a muitas perguntas deve sair ainda nesta semana. O laudo é aguardado, por exemplo, para que o delegado Trevisan possa retomar o interrogatório com Edison Brittes. O empresário depôs na semana passada, na quarta-feira (7), mas contou detalhes apenas até o momento em que Daniel foi colocado no porta-malas do carro. Na oportunidade, a defesa de Brittes disse que o empresário usava do seu direito constitucional de não levantar provas contra si e que abordaria outros detalhes só mediante apontamentos do laudo.

Outros depoimentos
Além do laudo, em entrevista coletiva, o delegado afirmou que mais cinco depoimentos devem ser tomados nos próximos dias. Entre eles está o do vendedor autônomo Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, 19 anos, que a polícia acredita que possa ter participado ativamente da morte de Daniel. Eduardo estava no carro com Edison e outros dois jovens, Igor King, 20 anos, e David Willian da Silva, 18 anos. Os três jovens estão temporariamente presos. Também deve ser ouvida a esposa de Eduardo, que está em Foz do Iguaçu e que foi convocada a vir a Curitiba prestar depoimento. Outra pessoa que será ouvida é a jovem que teria ficado com Daniel na casa noturna, durante o aniversário de Allana Brittes.
“Seguimos na tese de que o Edison teria encontrado a esposa na cama com o Daniel e isso teria desencadeado toda a reação dele”, afirmou o delegado Trevisan na sexta-feira (9). No entanto, ele refuta a tese de crime passional, já que o acusado teve muito tempo para pensar no que iria fazer. Além disso, o delegado destacou que a reação de Edison Brittes foi exagerada e cruel. A Polícia Civil aguarda os laudos de necropsia e do local do crime para ter mais detalhes sobre o que ocorreu e a maneira exata como Daniel foi morto. Também serão ouvidas outras duas testemunhas que não estão diretamente relacionadas com o crime.

Allana com o ex-jogador Daniel, na festa de aniversário dela no ano passado
Conforme o delegado, além de Edison, a polícia entende que também participaram das agressões, ainda dentro da residência da família Brittes, David, Igor e Eduardo. Para colocar Daniel no porta-malas do carro e dar um “sumiço” no jogador, Edison teria contado com a ajuda de Eduardo e dos dois irmãos.
Em depoimento, Igor e David afirmam que quando chegaram no matagal, Edison disse para eles não saírem do carro, para não verem o que ia acontecer. Caso contrário, teriam o mesmo destino do jogador. Assim, dizem os dois rapazes, o jogador saiu vivo do porta-malas do carro (o Veloster pertencente à Cristiana), murmurando, tentando dizer algo, e em seguida eles teriam ouvido um barulho como se Daniel tivesse sido estrangulado.
Por enquanto, estão indiciados no inquérito, por homicídio e coação de testemunhas, Edison, Alana, Cristiana, Igor, David e Eduardo. As outras pessoas que estavam na casa e presenciaram as agressões contra Daniel são tidas pela polícia apenas como testemunhas.

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