quinta-feira, 29 de março de 2018

“Eu não sabia que Jesus tinha sofrido tanto”, afirma atriz de Paixão de Cristo

A ex-panicat Nicole Bahls foi convidada a participar da peça “A Paixão de Cristo”, apresentada todos os anos no Teatro Nova Jerusalém, em Brejo da Madre de Deus, agreste de Pernambuco. Ela foi convidada para interpretar a rainha Herodíades.
Quando começou os ensaios, disse ter ficado surpresa. “Eu não sabia que Jesus tinha sofrido tanto. É muito triste reviver de perto tudo o que ele passou”, revela.
Embora tenha apenas duas falas na peça, Bahls diz que ficou muito tensa, pois trata-se do maior espetáculo a céu aberto do mundo. O espetáculo, que chega em sua 51 edição, já foi visto por mais de 3,8 milhões de pessoas.
A modelo diz que a experiência lhe ajudou a conhecer mais a história de Jesus. Como ela não sabia muito sobre o relato bíblico, precisou pesquisar. O Novo Testamento fala sobre o rei Herodes ter casado com a mulher de Filipe, seu irmão (Mc 6:17). Em algumas versões seu nome é traduzido como “Herodias”.
Em cena, Bahls aparece brevemente ao lado de Herodes (Vitor Fasano) quando ele recebe Jesus já capturado pelos guardas do Templo.
“Eu não conhecia a história dela e muitas outras da Bíblia que passei a conhecer pelo espetáculo. Aqui renovei minha fé. É muito emocionante. Não tem como entrar nesse teatro e sair a mesma pessoa. Não dá para explicar”, conta.
A atriz disse ainda que muitos se surpreendem quando a veem em cena. “Ainda mais quando é um espetáculo bíblico porque a imagem de Nicole sempre foi associada como panicat”, assegura.
Após a Paixão de Cristo, que encerra dia 31, ela pretende retomar a carreira de atriz e sonha em fazer novela: “Para Deus nada é impossível. Quero me dedicar. Desde que comecei a atuar na peça meu telefone não para de tocar para fazer presenças vips. Me deu uma visibilidade muito grande”, encerra. Com informações UOL

#FalsoRecorde - Lugares vagos marcam sessões de estreia de filme de Edir Macedo


IstoÉ - Apesar do anúncio de 4 milhões de ingressos vendidos antecipadamente para Nada a Perder, de Alexandre Avancini, cinebiografia do bispo Edir Macedo, as sessões de cinema que foram visitadas pela reportagem nesta quinta-feira, 29, não estavam cheias.
No Espaço Itaú de Cinema da Pompeia, no shopping Bourbon, o filme foi exibido em 14 sessões espalhadas por três salas. Porém os postos de venda exibiam como ocupados assentos que na verdade estavam vagos. Na sessão das 18h, na sala 7, a única opção disponível era a primeira fileira, mas durante a exibição do longa havia apenas um espectador na segunda fileira, dois na terceira e pouco menos da metade das poltronas ficaram vazias.

Sessão do filme 'Nada a perder' sobre Edir Macedo na sala do Espaço Itaú do Botafogo (Rio de Janeiro) com lotação para 251 pessoas
Já no Cinemark do Central Plaza Shopping, a lotação foi ainda menor. Após o início da exibição do filme, havia apenas cerca de 10% dos ingressos para a sessão das 20h20, na sala 1, e somente quatro poltronas estavam indisponíveis para compra na sessão das 20h40, na sala 8. Apesar de quinta-feira ser o dia das estreias cinematográficas, havia pouco movimento próximo à entrada do cinema.
O filme ultrapassa Os Dez Mandamentos, outro trabalho de Avancini, que levava para a tela grande a novela homônima da TV Record. Na época, a adaptação da história bíblica vendeu 2,3 milhões de ingressos antes da sua estreia, em 2016. Durante o período em circuito, Os Dez Mandamentos se tornou a maior bilheteria da história do cinema nacional, com um total de 11,3 milhões de ingressos vendidos.
Nada a Perder, além de ter uma estreia já maior, leva a vantagem de ter um alcance mais amplo que Os Dez Mandamentos. São 1.108 salas pelo País (um terço da quantidade disponível no Brasil) e um número pouco maior do que a estreia do filme derivado da emissora do bispo, que estreou em 1.099 telas.
Em números absolutos, Os Dez Mandamentos ultrapassou Tropa de Elite 2 para se estabelecer no topo em 200 mil ingressos vendidos. A questão levantada, na época, apurada pelo jornal O Estado de S. Paulo, era o relato de que sessões inteiras de Os Dez Mandamentos estavam vazias e que funcionários da Universal compravam os ingressos para distribuir aos frequentadores da igreja – e, também, a fim de estabelecer o novo recorde de bilheteria.
Na época, a Igreja Universal negou tais possibilidades, assim como o faz agora. Em um comunicado à imprensa publicado no seu site, o texto acusa a “mídia” de “apelar” para as “fake news” para responder às questões sobre as salas esvaziadas, mesmo com ingressos esgotados, como ocorreu no filme anterior.
“O que existe é a mobilização espontânea de grupos e de membros da Universal, que se organizaram para que o maior número de pessoas tenha chance de assistir ao filme. Da mesma forma que os espíritas impulsionaram a audiência dos filmes Chico Xavier e Nosso Lar, bem como os católicos que lotaram sessões para acompanhar Aparecida – O Milagre. Mas, em uma pesquisa rápida, não encontramos registros deste fato como notícia”, diz o texto.
O texto, assinado pela UNIcom, nome do departamento de comunicação social e de relações institucionais da Universal afirma: “É claro que a Igreja Universal estimula seus adeptos a assistirem ao filme Nada a Perder”, diz. “Temos convicção de que, além da edificante história de vida do Bispo Edir Macedo – já contada na trilogia literária best seller que baseia o roteiro -, o longa-metragem é também a história da vida das pessoas que frequentam a Universal.”
E também se dirige diretamente aos jornalistas. “Talvez, alguns jornalistas imaginem que a Universal esteja proibida de recomendar filmes a seus fiéis. Pois chegaram tarde”, diz um trecho. Noutro, a imprensa é tratada como “rancorosa e preconceituosa”.
“Milhões de espectadores no Brasil e no mundo irão aos cinemas para ver o que a Palavra de Deus é capaz de produzir na vida das pessoas. E não há nada que a imprensa rancorosa e preconceituosa possa fazer contra isso.”
Em tempo, a compra de ingressos para grupos e fechar salas para exibições é uma prática comum entre as distribuidoras de cinema. E também não se questiona os números de venda de entradas e, sim, a presença do público nas salas de cinema. A Universal não trata do tema no comunicado.

#HouseClassics - 'Not Over Yet', de Grace


A recomendação de hoje é a música Not Over Yet, do projeto de dance music Grace formado pela cantora Dominique Atkins, o DJ Paul Oakenfold e o produtor Steve Osborne, todos nascidos na Inglaterra.
É uma das canções mais famosas no exterior, e chegou a ser a #1 nas paradas de sucessos da Inglaterra e dos Estados Unidos. Lançada em 1995, foi eleita em novembro de 2011 pela MTV como uma das 100 melhores músicas de dance music dos anos 1990.

Maluf permanece internado em hospital e sob observação, diz boletim médico

O hospital Home, de Brasília, divulgou na manhã desta quinta-feira (29) um boletim médico informando que o deputado Paulo Maluf (PP-SP), de 86 anos, permanece internado e continua em observação.
De acordo com o boletim, assinado pelo diretor-técnico, Cícero Dantas Neto, Maluf "apresentou durante a madrugada leve desconforto respiratório e necessidade do uso de oxigênio suplementar".
O parlamentar será, portanto, "submetido a novos exames de controle para planejamento de possível alta hospital" e segue em observação, "com diminuição da dor após o procedimento de infiltração teleguiada".

Maluf foi amparado quando se entregou à polícia, em dezembro
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse mais cedo ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, que ainda não há previsão de quando será a transferência do deputado para a prisão domiciliar, em São Paulo.

Fonte: Estadão

Filha de João Gilberto pede à Justiça que apartamento do pai seja arrombado


Clic RBS - A cantora Bebel Gilberto, filha de João Gilberto, entrou com um pedido na Justiça para que a porta do apartamento de seu pai, no Rio, seja arrombada. As informações são da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. O objetivo do pedido é a internação à força do criador da Bossa Nova, que hoje tem 86 anos.
O pedido foi encaminhado pela advogada de Bebel, Simone Kamenetz, ao juiz Renato Lima Charnaux Sertã, da 5ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro. Sertã acolheu o recurso, mas decidiu que, antes de arrombar as portas, Bebel deverá "indicar um médico de confiança para acompanhamento da diligência, zelando-se assim pela integridade física" de João.
O juiz determinou também que Bebel deve "esclarecer quais as providências que serão adotadas caso haja a necessidade de imediata remoção" de João do apartamento para um hospital, segundo informações de O Globo. O procedimento deve ser acompanhado pessoalmente por Bebel. Sertã ainda determinou que a filha de João indicasse "um profissional do ramo da engenharia, habilitado a providenciar, no ato da diligência, o reparo da porta, com troca de fechaduras, se necessário".

Drama antigo
Em novembro, a filha do cantor João Gilberto conseguiu na Justiça a interdição do pai para "pôr fim aos negócios temerários que João vinha sendo orientado a firmar, que resultaram na atual condição de quase miserabilidade do artista". Assim, Bebel pôde decidir por ele sobre assinaturas de contratos e movimentações financeiras. Entretanto, a curatela era provisória e terminou em meados de março. Dessa vez, Bebel tenta a curatela definitiva.
O pai da bossa nova fez 86 anos em junho do ano passado. Em 2011, quando completou 80, uma turnê foi anunciada. Os produtores prometiam interpretações de canções que João nunca havia tocado e cantado, e a captação de imagens para exibição ao vivo, via satélite. Logo depois, o projeto foi cancelado.
Então geriatra de João, o médico Jorge Jamili afirmou que ele ficara muito debilitado pelo estresse causado pela iminência das apresentações, uma vez que é notório perfeccionista. Desde o cancelamento da turnê, os problemas financeiros de João, que não possui sequer apartamento próprio, se agravaram. Isso porque o cantor chegou a receber uma parte do pagamento adiantado pelos shows, que não teria sido devolvida.

#Netflixmorrendodemedo - Lula diz que vai processar empresa pela série 'O Mecanismo'

Mal sabe ele que a causa vai ser perdida. Tá sem moral, hein, cara?
Zero Hora - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai processar a Netflix devido à série O Mecanismo, baseada na Operação Lava-Jato, que estreou no streaming na última sexta-feira (23). O ex-presidente fez o pronunciamento na noite de quarta-feira (28), no Paraná, no último ato de sua caravana pelo sul do país.
No discurso, o ex-presidente disse que processará "essa tal da Netflix” porque “estão fazendo uma festa e nós não podemos aceitar isso e eu não vou aceitar".
— Nós vamos processar. Se for necessário, processar no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e em qualquer lugar.
Na série, em certo momento da trama, o personagem baseado nesse rato branco (Lula) diz a um advogado que é preciso "estancar a sangria". Na realidade, a frase foi usada em uma conversa do senador Romero Jucá (PMDB-RR) com o delator Sérgio Machado – quando o parlamentar disse ser preciso fazer um grande acordo nacional para “estancar a sangria da Lava-Jato”.
Desde o seu lançamento, a série da Netflix vem sofrendo acusações de distorções contra partidos de esquerda. A ex-presidente Dilma Rousseff, que é retratada com outro nome na obra, também atacou a produção, afirmando que o diretor, José Padilha, inventa fatos e cria fake news.
Padilha rebateu as críticas de Dilma afirmando que esse "é um debate boboca".

Bala perdida mata homem com bebê no colo na Rocinha


Diário de Pernambuco - Em mais um dia de violência na Rocinha, na zona sul, um homem foi baleado e morto na varanda de casa, enquanto segurava o filho de dez meses no colo. O homem, identificado com Davidson Farias de Sousa, de 28 anos, chegou a ser levado para a UPA local, mas não resistiu. Empunhando a camiseta repleta de sangue que Davidson vestia na hora em que foi atingido, Diogo, irmão da vítima, fez um protesto em frente à 11ª Delegacia de Polícia. Na última semana, pelo menos dez pessoas morreram na Rocinha vítimas da violência.
De acordo com testemunhas, eram por volta de 16h30 da tarde quando policiais do Batalhão de Choque chegaram a uma localidade chamada de Larguinho da Vila Verde atirando. Davidson estava sentado na varanda de casa com o filho no colo quando foi atingido por um dos disparos na barriga. A criança caiu de seu colo e teria batido com a cabeça no chão. Ela está sendo atendida na UPA, mas não há ainda informações sobre o seu estado de saúde.
A Polícia Militar negou que tenha efetuado disparos na Rocinha nesta quinta-feira. Nota divulgada pela PM informa que os policiais do Batalhão de Choque estavam patrulhando a Vila Verde quando ouviram disparos. "Como não se viu a origem dos disparos, não houve revide por parte dos policiais militares. Logo a seguir, a equipe tomou conhecimento que um homem baleado havia sido levado para a UPA Vila Verde e não resistira ao ferimento", diz a nota oficial.
Desde sábado passado, essa é a décima morte na comunidade. A Delegacia de Homicídios abriu seis inquéritos diferentes para investigar oito mortes ocorridas durante operação do Batalhão de Choque na Rocinha no último fim de semana, entre elas a de Matheus da Silva Duarte de Oliveira, de 19 anos, que era dançarino de um projeto social. Na segunda-feira, foi registrada mais uma morte durante uma incursão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na comunidade.

Filme sobre Edir Macedo estreia com recorde

Folha Vitória - Com quatro milhões de ingressos vendidos no período de pré-venda, Nada a Perder, novo longa de Alexandre Avancini, que retrata a história contada pelo bispo Edir Macedo na autobiografia homônima lançada em 2012, já é a maior estreia do cinema no País.
O filme ultrapassa Os Dez Mandamentos, outro trabalho de Avancini, que levava para a tela grande a novela homônima da TV Record. Na época, a adaptação da história bíblica vendeu 2,3 milhões de ingressos antes da sua estreia, em 2016. Durante o período em circuito, Os Dez Mandamentos se tornou a maior bilheteria da historia do cinema nacional, com um total de 11,3 milhões de ingressos vendidos.
Nada a Perder, além de ter uma estreia já maior, leva a vantagem de ter um alcance mais amplo que Os Dez Mandamentos. São 1.108 salas ao redor do País (um terço da quantidade disponível no Brasil) e um número pouco maior do que a estreia do filme derivado da emissora do Bispo, que estreou em 1.099 telas.


Em números absolutos, Os Dez Mandamentos ultrapassou Tropa de Elite 2 para se estabelecer no topo em 200 mil ingressos vendidos. A questão levantada, na época, apurada pelo Estado, era o relato de que sessões inteiras de Os Dez Mandamentos estavam vazias e que funcionários da Universal compravam os ingressos para distribuir aos frequentadores da igreja - e, também, a fim de estabelecer o novo recorde de bilheteria nacional.
Na época, a Igreja Universal negou tais possibilidades, assim como o faz agora. Em um comunicado à imprensa publicado no seu site, o texto acusa a "mídia" de "apelar" para as "fake news" - termo bastante em voga atualmente - para responder às questões sobre as salas esvaziadas, mesmo com ingressos esgotados, como ocorreu no filme anterior.
"O que existe é a mobilização espontânea de grupos e de membros da Universal, que se organizaram para que o maior número de pessoas tenha chance de assistir ao filme. Da mesma forma que os espíritas impulsionaram a audiência dos filmes Chico Xavier e Nosso Lar, bem como os católicos que lotaram sessões para acompanhar Aparecida - O Milagre. Mas, em uma pesquisa rápida, não encontramos registros deste fato como notícia", diz o texto.
O texto, assinado pela UNIcom, nome do departamento de comunicação social e de relações institucionais da Universal tem tom agressivo em diversos pontos. "É claro que a Igreja Universal estimula seus adeptos a assistirem ao filme Nada a Perder", diz. "Temos convicção de que, além da edificante história de vida do Bispo Edir Macedo - já contada na trilogia literária best seller que baseia o roteiro -, o longa-metragem é também a história da vida das pessoas que frequentam a Universal."
E também se dirige diretamente aos jornalistas. "Talvez, alguns jornalistas imaginem que a Universal esteja proibida de recomendar filmes a seus fiéis. Pois chegaram tarde", diz um trecho. Noutro, a imprensa é tratada como "rancorosa e preconceituosa".
"Milhões de espectadores no Brasil e no mundo irão aos cinemas para ver o que a Palavra de Deus é capaz de produzir na vida das pessoas. E não há nada que a imprensa rancorosa e preconceituosa possa fazer contra isso."
Em tempo, a compra de ingressos para grupos e fechar salas para exibições é uma prática comum entre as distribuidoras de cinema. E também não se questiona os números de venda de entradas e, sim, a presença do público nas salas de cinema. A Universal não trata do tema no comunicado.

#Tbt - Há 14 anos, estava no ar o fenômeno das sete 'Da Cor do Pecado'


Sites: Na Telinha, Terra, Memória Globo


A novela Da Cor do Pecado marcou a estréia do escritor João Emanuel Carneiro como autor de novelas, e logo na estréia já conseguiu emplacar seu trabalho de 185 capítulos transmitidos entre 26 de janeiro e 28 de agosto do ano de 2004 às sete da noite. A trama conseguiu levantar bastante o horário, que vinha capengando no Ibope de São Paulo desde o fim de Uga Uga, em 2000, e como todos sabem, se a capital paulista não estiver bem, o Brasil todo não vai estar bem nesse quesito (a não ser que dependa da repercussão de uma determinada atração). Terminou com média geral de 43 pontos, 8 acima da meta exigida pela emissora, tornando-se a mais assistida do horário nos anos 2000.
João Emanuel Carneiro na época da novela
João Emanuel já estava escalado para escrever a novela em maio de 2003. Primeiramente, tinha escolhido gravar as primeiras cenas da primeira fase na Bahia, mas seus planos não se concretizaram devido à dificuldade que a produção teve em negociar as gravações nos locais devidos, e ele escolheu ir para as cidades de São Luís e Alcântara, no Maranhão.

Pela primeira vez na história da dramaturgia global, esta novela trouxe uma atriz negra para viver o papel principal. Taís Araújo, que também protagonizou Xica da Silva (1996), da extinta Rede Manchete, assumiu a personagem Preta de Souza, uma maranhense que vendia ervas numa barraca junto com a mãe, Lita (Solange Couto). Em comemoração aos 14 anos da estréia, em janeiro, Taís elogiou a novela e todo o elenco em seu Instagram. "Minha primeira protagonista na Globo. Que novela!!! Texto afiadíssimo do João Emanuel Carneiro e a direção certeira de Denise Saraceni. Fiz amigos pra vida inteira, como @natigrim, @mathnachtergaele, @reynaldogianecchini, @mmedicis, @cauareymond… isso sem contar o filho que ganhei, né, @sergio_malheiros?".

Taís Araújo na época que fez a Preta
No início, Preta conheceu o botânico Paco Lambertini (Reynaldo Gianecchini), herdeiro de uma grande fortuna, e passou a ter vários embates com a interesseira Bárbara (Giovanna Antonelli), namorada dele. Seja por amor ou por ambição, as duas se ofendiam e até saiam no tapa por causa deste mesmo homem.

Preta e Paco durante a primeira fase da trama
Giovanna Antonelli como Bárbara na primeira fase de Da Cor do Pecado
Cena que Preta sente a bolsa estourar em Da Cor do Pecado e é socorrida pela mãe
Passou-se 8 anos, e Preta já era mãe de Raí, que era fruto de seu relacionamento com Paco, morto em um acidente de helicóptero. Decidida a não buscar a família do amado, preferiu ficar no Maranhão, mas a perda da mãe, Lita (Solange Couto) e a vontade do menino em saber quem era o pai fez com que a moça decidisse viajar para o Rio de Janeiro para apresentá-lo à família Lambertini. Com isso, passou a enfrentar novamente a rival, Bárbara, que armava para afastá-la do pai de Paco, Afonso (Lima Duarte), com medo de perder a pensão que recebia por conta do filho, Otávio (Felipe Latgé), que na verdade era filho do amante, Kaíke (Tuca Andrada).
Ao contrário do que todos pensavam, Paco não havia morrido, mas preferiu não dar sinal de vida para não ir pra um hospício à mando de Afonso, e viu no acidente a oportunidade de recomeçar.

Giovanna Antonelli nos bastidores de Da Cor do Pecado
Preta e Raí na segunda fase de Da Cor do Pecado
Lima Duarte (Afonso), Felipe Latgé (Otávio) e Sérgio Malheiros (Raí) em cena de Da Cor do Pecado
Um fato de sua vida que Paco desconhecia era sobre sua verdadeira mãe, a ex-empregada da família, Edilásia (Rosi Campos), que no passado teve um caso com seu pai e foi obrigada a dá-lo, já que a esposa dele não podia ter filhos.
Edilásia escondeu de Afonso o irmão gêmeo de Paco, Apolo, cuja paternidade fora assumida pelo lutador de artes maciais Napoleão Sardinha, que aparece como uma espécie de espírito materializado em um quadro preso na sala da família. Além do Apolo, Edilásia também é mãe de Ulisses (Leonardo Brício), Thor (Cauã Reymond), Dionísio (Pedro Nercshling) e Abelardo (Caio Blat), e sustentava todo mundo vendendo sanduíches e bebidas naturais.

Todos do núcleo dos Sardinhas da esquerda para a direita: Abelardo, Apolo, Edilásia (também chamada carinhosamente de Mamuska pelos filhos - era muito amor envolvido), Thor, Dionísio e Ulisses.
Lima Duarte posa com Aracy Balabanian, a Germana (governanta dos Lambertini), no intervalo das gravações.
A personagem de Aracy criou Paco como se fosse seu filho de verdade.
Alinne Moraes, a surfista e desenhista de pranchas Moa, e Thiago Martins, o ajudante Sal
Karina Bacchi (a atriz loira) foi a cômica Tina, que se envolve com os três filhos de Edilásia ao mesmo tempo.
Na foto, contracena com Rosi Campos e Samara Felippo, que tinha terminado Chocolate com Pimenta para entrar em Da Cor do Pecado e interpretar a praticante de luta livre Greta Bazarov.
E junto com os Sardinhas, o humor ficou por conta dos pais falidos de Bárbara, Eduardo (Ney Latorraca) e Verinha (Maitê Proença), que faziam qualquer parada para subirem na vida novamente. A falência também foi motivo do casamento deles degringolar de vez.

Maitê Proença e Ney Latorraca posam juntos por trás das câmeras
Quem também fez os espectadores rirem muito foi o "vidente" Helinho, amigo de Preta que ganhava a vida na base do charlatanismo, e o papel que marcou a estréia de Matheus Nachtergaele nas novelas. Ele conta que só aceitou fazer Da Cor do Pecado porque o convite partiu do próprio autor, João Emanuel. Os dois já se conheciam desde a época de Central do Brasil, filme de 1998.

Matheus Nachtergaele foi o Pai Helinho em Da Cor do Pecado
"O ambiente desta novela não é doentio como algumas pessoas me descreveram. E que também me fizeram adiar a experiência. 'Ah, você é esperto porque só faz o filé mignon da televisão. Quero ver você numa novela, fazendo aquelas cenas horrorosas e aguentando aquela gente mal-humorada...'. Sinceramente, não é isso que eu estou vendo em Da Cor do Pecado. Primeiro, porque todas as cenas da novela são realmente boas. Todas as cenas de todos os personagens. E, segundo, porque como são poucos personagens, todos os atores estão felizes, satisfeitos... Hoje, estou convencido de que é possível fazer um trabalho bonito também em novela.", declarou Matheus na época.

Pai Helinho em cena com Tancinha (Vanessa Gerbelli), mulher com quem ele se envolve.
Na cena, os dois personagens estão possuídos
O ator fez só quatro novelas até agora, pois ele ainda prefere produções de tempo menor. As outras foram América (2005), Cordel Encantado (2011) e Saramandaia (2013).

Na segunda fase, entra em cena Guilherme Weber, outro estreante, como o grande vilão Toni, que fazia par com Bárbara. Antes dela, ele só havia feito uma participação em Um Anjo Caiu do Céu, três anos antes, e outra em Os Normais. Além disso, toda sua carreira era voltada para o teatro e cinema. "A novela tinha quatro protagonistas, que era o Paco, a Preta, a Bárbara e o Tony. Foi uma novela onde aprendi a fazer televisão", relembra ele, que fez outros personagens, como o judeu Freddy em 'Belíssima' (2005), o homossexual Benny na minissérie 'Queridos Amigos' (2008), o ator alcoólatra Antônio Marcondes na série 'Lara Com Z' (2011), e o drag queen Douglas Saldanha, também gerente do Copacabana Pallace em 'Pega Pega' (2017). "É uma mudança de caminho, uma janela a mais que se abriu com o convite, que partiu do João Emanuel Carneiro, da Denise Saraceni e do Silvio de Abreu que é o coordenador de dramaturgia na Globo. Foram as pessoas que me acompanhavam".

Guilherme Weber posa com Giovanna Antonelli no intervalo das gravações da cena que Bárbara é jogada no lixão por Toni. As cenas foram gravadas em 13 de abril de 2004, e foram exibidas seis dias depois.
A música usada na abertura da novela é cantada por Luciana Mello, de mesmo título, e foi uma das 16 músicas incluídas na trilha sonora nacional, estampada por Taís Araújo. A que abre o álbum é Vou Deixar, de Skank, presente no sexto álbum da banda, Cosmotron.


Impossível se lembrar de Palavras Ao Vento sem associá-la à novela. Usada como tema de Paco e Preta, foi composta por Marisa Monte e Moraes Moreira, e interpretada pela falecida intérprete Cássia Eller. A canção fez parte de seu quinto álbum, 'Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo', marcado pela inovação da cantora, que antes cantava apenas rock. Outro tema usado para o casal foi Jura Secreta, de Zélia Duncan, faixa bônus de 'Eu Me Transformo Em Outras', lançado em 2004.
Para a surfista Moa (Alinne Moraes), foi selecionada É Você, dos bem sucedidos Tribalistas, que venderam mais de 2 milhões de cópias ao redor do mundo com o álbum de estréia no qual a música está incluída.
Outros destaques foram os cantores maranhenses Zeca Baleiro, com Samba do Approach, para os golpistas Eduardo e Verinha, e os novatos Antônio Vieira, que cantou Tem Quem Queira, para o farsante Helinho; e a banda também formada no mesmo estado, Mystical Roots, com a música Pras Bandas de Lá.

  1. "Vou Deixar" - Skank (tema geral e abertura nas reprises)
  2. "Jura Secreta" - Zélia Duncan (tema de Preta e Paco)
  3. "Samba do Approach" - Zeca Baleiro e Zeca Pagodinho (tema de Eduardo e Verinha)
  4. "É Você" - Tribalistas (tema de Moa e Paco)
  5. "Pras Bandas de Lá" - Mystical Roots (tema de Locação: Maranhão)
  6. "Você Me Vira a Cabeça (Me Tira do Sério)" - Alcione (tema de Preta e Felipe)
  7. "Palavras ao Vento" - Cássia Eller (tema de Paco e Preta)
  8. "Temporal" - Pitty (tema de Kika e Sal)
  9. "Dezembros" - Fagner (tema de Paco)
  10. "Márcia Rodinha" - Ramatis (tema de Tina)
  11. "Atordoado" - CPM 22 (tema de locação: Surfistas)
  12. "Maior Que o Verão" - Adelmo Casé (tema de Ulisses e Verinha)
  13. "Tem Quem Queira" - Antônio Vieira (tema de Pai Helinho)
  14. "Da Cor do Pecado" - Luciana Mello (tema de abertura)
  15. "Só Você" - Fábio Almeida (tema geral)
  16. "Da Cor do Reggae" (Instrumental) - Alpha Beth
O álbum internacional, com Alinne Moraes na capa, é aberto pela cantora e também atriz Macy Gray. A canção When I See You foi lançada no ano passado em The Trouble with Being Myself, terceiro álbum de estúdio de Macy que vendeu em torno de 1,5 milhão de cópias no mundo.


Em seguida, vem a música Times Like These, de Jack Johnson, originalmente composta pelo baterista e vocalista Dave Grohl para sua banda, Foo Fighters.
Foi com Epoca que o grupo Gotan Project ficou conhecido no Brasil. A canção foi usada como tema de Bárbara, e fez parte do álbum de estréia da banda, La Revancha del Tango, lançado em 22 de outubro de 2001, que vendeu em torno de 700 mil cópias.
Em 2003, surgiu a cantora Joss Stone, presente na trilha internacional com o remake Super Duper Love, originalmente escrito e lançado nos anos 1970, mas que ficou popular na voz de Stone.
Mais um remake aparece na trilha: Crazy Little Thing Called Love, de Michael Bublé, foi uma canção escrita por Freddie Mercury para a sua banda, Queen, no final do ano de 1979, sendo uma das mais tocadas nas rádios brasileiras da época.
A banda The Darkness foi mais uma que estreou no mesmo ano. A canção que está incluída na novela, I Believe in a Thing Called Love, foi muito bem recebida no Brasil e alcançou a 28ª posição na parada de sucessos. Faz parte do álbum de estréia da banda, Permission to Land, que teve quase 2 milhões de cópias distribuídas no mundo todo.

  1. "When I See You" - Macy Gray (tema geral)
  2. "Times Like These" - Jack Johnson (tema de Paco)
  3. "Don't Leave Home" - Dido (tema de Kika e Sal)
  4. "I Believe in a Thing Called Love" - The Darkness (tema de Abelardo)
  5. "Epoca" - Gotan Project (tema de Bárbara)
  6. "Crash Push" - Robi Draco Rosa (tema geral)
  7. "What a Difference a Day Made" - Jamie Cullum (tema de Afonso e Germana)
  8. "Super Duper Love" - Joss Stone (tema de Tina)
  9. "Françafrique" - Tiken Jah Fakoly (tema de Raí)
  10. "Crazy Little Thing Called Love" - Michael Bublé (tema de Edilásia e Frazão)
  11. "Unbelievable" - Stereo Bros. (tema de Thor e Dhio)
  12. "Désert D'amour" - De Phazz (tema de Verinha e Eduardo)
  13. "Try" - Nelly Furtado (tema de Moa)
  14. "The Last Goodbye" - Lara Fabian (tema geral)
  15. "Paradise Island" (Instrumental) - Ibiza

Da Cor do Pecado está na lista das 10 novelas produzidas pela Rede Globo mais exportadas para o resto do mundo, empatando com Escrava Isaura e sendo superada apenas por Avenida Brasil, que foi exportada para 132 nações e também é de João Emanuel; Caminho das Índias, levada ao ar em 132 países, e A Vida da Gente, para 113 países.

Veja como foi a reconstituição da morte de Isabella

Isabella Nardoni e a mãe, Ana Carolina Oliveira
Leiam a matéria abaixo retirada do G1 sobre a reconstituição de um dos crimes que mais chocaram o país na década de 2000. Trata-se do assassinato da menina Isabella Nardoni, que tinha apenas 5 anos quando foi arremessada pelo seu próprio pai, Alexandre Nardoni, do 6º andar no prédio onde todos moravam, o edifício London, localizado na Zona Norte de São Paulo.

Casal Nardoni: Alexandre Nardoni e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, que também teve
participação no crime
Ana Carolina Oliveira deixa flores no túmulo de sua filha, Isabella,
em foto tirada em março de 2009
27.04.2008 - às 18h39

Equipe
O trabalho da perícia começou às 9h40, com quatro peritos, dois médicos legistas, dois desenhistas e dois fotógrafos. 
Além deles, estiveram no local os delegados titular e auxiliar do 9º Distrito Policial (do Carandiru), Calixto Calil Filho e Renata Pontes, que conduzem as investigações, o promotor do Ministério Público Francisco Cembranelli e da delegada seccional da Zona Norte de São Paulo, Elizabete Sato.

Perícia trabalhando no Caso Isabella Nardoni
1ª fase
Da janela, vizinhos do edifício acompanharam a movimentação policial. Os trabalhos começaram na garagem do edifício, com a simulação da chegada do casal de carro, acompanhado de Isabella e dos dois filhos. O veículo do casal foi utilizado. Toda a primeira parte da reconstituição foi baseada no que disseram Alexandre e Anna Carolina em interrogatório. 

2ª fase
Por volta das 10h40, policiais e testemunhas saíram da garagem e entraram no apartamento. Peritos abriram pela primeira vez a janela do quarto dos irmãos de Isabella, de onde a menina foi jogada. No mesmo momento, no andar térreo, um fotógrafo fez imagens do jardim onde a menina caiu.
Após o fim do trajeto entre o carro e o apartamento, por volta das 11h, uma policial surgiu na janela segurando uma boneca.
Perto das 11h30, peritos retiraram a tela de proteção do quarto de Isabella e a colocaram na janela do quarto do irmãos de Isabella, de onde ela foi atirada. A transferência da tela ocorreu para que fosse reproduzido o momento em que a menina foi atirada.

Simulação da morte de Isabella Nardoni
Às 12h50, um dos peritos cortou a tela, já colocada no quarto dos irmãos da menina. A simulação da queda da menina começou pouco depois, às 13h. Policiais se aproximaram da janela carregando no colo uma boneca especial - com peso e tamanho similares aos de Isabella.
Este foi o momento mais dramático da reconstituição. Os peritos fizeram a boneca sair pelo buraco da tela, colocando primeiro os pés para o lado de fora. O manequim foi segurado pelos braços. Primeiro, só o braço esquerdo da boneca foi solto. Depois, o direito. Isso porque a menina apresentava fraturas no braço esquerdo, provavelmente provocada pelo momento em que teria ficado pendurada.

Simulação da morte de Isabella Nardoni
Logo depois, o braço direito da boneca foi solto, mas ficou pendurado por cordas, a cerca de dois metros da janela. A imagem chocou quem assistia à reconstituição. A cena foi repetida às 13h10. Nas duas ocasiões, ela foi fotografada da varanda e filmada a partir da rua.
Após reconstituir o momento em que a Isabella foi jogada, os peritos marcaram o local em que ficaram o braço esquerdo e o direito da boneca no momento em que ela estava pendurada.

3ª fase
Por volta das 14h30, começou, no andar térreo do edifício, a terceira fase da reconstituição - após as passagens pela garagem e pelo apartamento. Os peritos foram minuciosos, reproduzindo cenas como a que Anna Carolina Jatobá reclama do porteiro da suposta falta de segurança no prédio.

Peritos fazem a reconstituição do caso, com Isabella já
jogada no gramado do prédio
Às 16h, peritos dirigiram-se ao prédio vizinho ao Edifício London acompanhados da delegada Renata Pontes e do promotor Francisco Cembranelli. O objetivo era saber se é possível ou não ouvir ruídos mais altos vindos do prédio de onde caiu Isabella.
Depois, por volta das 16h50, um casal de moradores do prédio ao lado desceu para a área externa do Edifício London, da mesma forma que fez no dia do crime. Eles são testemunhas da suposta discussão entre Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá naquela noite.
Após o fim da reconstituição, o delegado Calixto Calil Filho, responsável pelas investigações, a delegada assistente Renata Pontes e o promotor Francisco Cembranelli se reuniram dentro do prédio com a equipe de peritos por cerca de uma hora e 30 minutos. O grupo deixou o Edifício London por volta das 18h40 sem falar com os jornalistas.

Leiam o depoimento prestado por Ana Carolina Oliveira dois anos depois do assassinato de Isabella Nardoni


Em depoimento a Época, reproduzido abaixo na íntegra, a mãe de Isabella descreve em primeira pessoa como ela e a família viveram os dois últimos anos. Carol, como é chamada pelos amigos, diz que “esperou muito” o dia do julgamento dos acusados pelo assassinato de sua filha. Revela que intensificou a terapia para atravessar o “período difícil” do julgamento e conta como cada membro de sua família viveu a sua maneira o luto pela perda da menina. O avô de Isabella mergulhou no trabalho; a avó lutou para esquecer a imagem da menina morta no hospital. Ana Carolina diz que são os primos de Isabella que trazem hoje alegria para a casa onde ela espera, num futuro ainda sem data, criar outro filho.

Como começar a descrever os meus últimos dois anos? No dia 29 de março de 2008 a minha vida literalmente caiu do 6º andar de um prédio, houve um terremoto, um turbilhão de acontecimentos. Difícil de acreditar e de assimilar como tamanha crueldade possa ter acontecido. Mais um crime bárbaro passaria na televisão, só que desta vez o fato bateu na minha porta, era minha filha que havia sido brutalmente assassinada. Foi-lhe tirada a oportunidade de viver o que de tão bonito a vida poderia lhe mostrar: amigos, família, alfabetização, valores, princípios, amor ao próximo, entre tantas coisas que lhe seriam proporcionadas.
Hoje infelizmente entrei para a estatística das mães que perderam seus filhos, uma lista que parecia ser distante de minha realidade. Hoje a vivo diariamente e entendo o que é sentir essa dor. Uma dor profunda, infinita, um vazio eterno, insuperável. É difícil lidar com a morte, especialmente com a morte do ser que você gerou, carregou durante nove meses e não via a hora de ver o rostinho. Ela nasceu. Era minha estrela de luz, a minha Isabella, aquela que com certeza eu poderia chamar de MINHA. Minha filha, minha princesa, ou melhor… MINHA PRINCESS.
A partir deste momento tudo parou e passei a viver a outra vida, a vida de mãe. A maior dádiva que uma mulher pode ter é o prazer de se tornar mãe. Começou aí outra etapa da vida, a de cuidar, criar, ensinar a sorrir, andar, falar, ensinar a essência da vida para sempre fazer o bem. Posso me sentir vitoriosa por isso. Minha Isabella tinha qualidades inexplicáveis. Uma menina calma, doce, meiga, carinhosa, educada, que sabia falar um português corretíssimo (claro que com alguns ajustes no meio do caminho… rs), mas inteligente demais.
Seu sonho: aprender a ler. Já estava quase lá. Sabia soletrar e, com isso, eu a ajudava a completar as frases. Para escrever, eu soletrava e ela completava. Já sabia escrever seu nome inteiro… eu diria que era um exemplo de criança e quem teve a GRANDE oportunidade de conhecê-la e saber quem ela era pode confirmar o que estou falando.
Seu brinquedo preferido: jogo da memória. Esse ela dava um show de esperteza. Ganhava todas e, se algo desse errado, ela queria competir mais uma vez. Coisas de ariana.
Bem, mais isso lhe foi tirado, arrancado, jogado pela janela. O que fazer depois de perder tudo isso? Como continuar a vida?
Meus últimos dois anos não têm sido de muitas novidades. Acordo cedo para trabalhar e peço a Deus para me proteger e me dar forças. Quando vou me trocar, lembro que não tenho mais aquele rostinho preguiçoso, amassado e lindo para me dizer “Mamãe, você está linda”, ou “Mamãe, esta blusa não está combinando, você pode trocar?”. Aquela manha para pedir o ‘tetê’. Minha mãe também sente a cama vazia. Era lá que ela ia todas as manhãs continuar seu sono, pois disso ela gostava muito… dormir. Ensinar a fazer lição, dançar, ver filmes, mexer no computador, soletrar os sites (‘www’ ao invés de falar ‘ponto’ ela fala [sic] ‘conto’)…
À noite é o vazio de não ter ninguém para entrelaçar as pernas, dar banho, trocar, beijar, cheirar, apenas deitar e agradecer a Deus por mais um dia de vida e pedir para que minha filha esteja protegida, onde estiver – e agradecer também a oportunidade de ter me tornado mãe de uma menina tão iluminada e maravilhosa, um verdadeiro presente.
Os momentos sem ela e a vida sem ela são muito tristes, mas graças a Deus tenho meus sobrinhos, a Gigi, a Gabi, o João e a Marcella. Eu os amo demais e eles me dão a maior atenção do mundo.
A Gigi está a cada dia mais mocinha e isso me faz pensar que minha filha estaria bem parecida, por suas idades serem próximas. Quando ela está na minha casa, sempre me elogia, me abraça, diz que me ama. Poucos dias atrás estávamos conversando e perguntei a ela se lembrava da Isabella. Ela me respondeu com um sorriso lindo que SIM e ainda completou que sente muita falta dela. Eu falei que também sentia e ficamos lembrando os momentos e passeios que fizemos todas juntas.
O João Vitor e a Gabriela são menores. Com isso, comentam menos. O João é todo molecão e gosta de brincar de Ben 10, essas coisas de menino. A Gabi é toda meiga, bastante parecida com a Isabella. Adora usar as roupas que eram da prima.
Meus pais e irmãos sofrem cada um a sua maneira. Cada um tem o seu modo de se expressar e viver o luto. Minha mãe, porque conviveu com ela todas as manhãs, cada dia que acorda lembra e revive os momentos. Durante muito tempo ficou com a imagem dela no hospital, morta, mas conversamos muito e trouxemos as melhores imagens dela novamente para nossas lembranças. Meu pai se jogou de cabeça no trabalho. Ele sofre um pouco mais calado. Visita o cemitério todos os fins de semana.
Meus irmãos sempre lembram dela com seus filhos: o Leonardo, por ser pai da Gigi e saber que, quando a leva para passear, as duas poderiam estar juntas, eram muito companheiras. O Felipe, pai da Gabi, é mais emotivo. Como ela lembra muito (Isabella) pelo jeito de ser, ele sempre chora de saudades.
Hoje continuo com a terapia, pois é lá que descarrego um pouco do peso que sinto. Não é fácil carregar esta falta. É mais difícil ainda lidar com o que a perda faz em nossa mente e em nosso coração. Para não cair de uma vez em um buraco sem fundo, eu fui logo procurar ajuda e me apoiar nas pessoas que estavam ao meu lado: pai, mãe, irmãos, tios, primos e amigos. Foi para eles que chorei, gritei, abri meu coração. De cada um retirei um pouco de força para continuar a dura caminhada da vida.
Para o futuro não tenho planos ainda. Quero continuar trabalhando, seguindo minha vida. A única coisa que é certa é a vontade de me tornar mãe novamente. Mas estes não são planos para agora.
As pessoas ainda me reconhecem na rua, me apontam, dão sorrisos, um tchau, e isso me fortalece. Ainda recebo cartas, mensagens, presentes – claro que hoje com menos frequência, mas ainda recebo, e percebo que ainda existem pessoas com corações bons no mundo. Em uma das últimas cartas que recebi, em fevereiro de 2010, um trecho diz assim: “Você teve uma filhinha que fez o Brasil refletir e é uma santinha que no céu pede muito a Deus por você e sua família. Parabéns pela graça que Deus lhe deu”. Tem como ler isso e não se emocionar?
Agora estou em outra fase difícil, que é o julgamento. Um dia que esperei muito. É uma dor ter de enfrentar tudo novamente, relembrar cada detalhe. Intensifiquei a terapia para poder estar preparada a enfrentar tudo o que virá durante os próximos dias.
Minha força vem da fé que carrego dentro de mim, vem da minha base familiar, muita oração e conversa com Deus.
Quero terminar aqui agradecendo a todos os profissionais competentes que trabalharam desde o começo no caso, desde a delegacia, Instituto Médico-Legal, Instituto de Criminalística, entre outros órgãos;
Aos profissionais que ficaram dia e noite para poder passar a verdade única sobre tudo o que aconteceu. Ao promotor, doutor Francisco Cembranelli, por sua dedicação e competência. À doutora Cristina Christo Leite, minha advogada, pelo empenho e paciência;
A minha família, pela educação e honestidade que me deram, pelo colo, pelo abraço, o ombro, a compreensão e a paciência durante todos estes anos de vida;
Aos meus verdadeiros e grandes amigos por estarem comigo quando eu mais precisei de vocês;
E agradecer a todo o Brasil. A todo mundo que abraçou esta causa, que passou a AMAR e ter minha filha como parte da família, a minha eterna gratidão pela solidariedade.

Obrigada a todos.
Beijos, Carol

Assassinato da menina Isabella Nardoni completa 10 anos nesta quinta-feira (29)


Isabella de Oliveira Nardoni tinha apenas 5 anos quando foi jogada pela janela do apartamento onde morava. Os culpados (embora tentem provar o contrário) são Alexandre Alves Nardoni, o pai, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, a madrasta.

Ana Carolina Oliveira e Isabella Nardoni
Ana Carolina Oliveira visita o túmulo da filha, em março de 2010
O crime ocorreu em 29 de março de 2008 no edifício London, localizado na Zona Norte de São Paulo, mas até hoje continua na cabeça da mãe, Ana Carolina Oliveira, que tinha apenas 18 anos quando a menina nasceu. "Eu também fico triste ainda, ainda choro, ainda tenho vários sentimentos, mas hoje ele é mais ameno. Um dor menos sofrida do que foi um dia".

Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni quando foram presos em 2008
Os condenados Alexandre e Anna foram sentenciados em março de 2010 a uma pena de 31 anos de prisão em regime fechado por homicídio doloso qualificado, mas os dois ainda têm esperança de serem inocentados. Ela, em entrevista para a revista IstoÉ em 2013, se vitimizou, dizendo que morre a cada dia que passa por estar presa. "No meu dia a dia, estou sendo executada aos poucos. É a conta-gotas a minha câmara de gás". Já o marido pôs fé numa perícia feita nos EUA. "Minha esperança é que a verdade de nossa inocência venha à tona. Acredito na Justiça de meu país".

Os assassinos, com a cara mais cínica do mundo, no Fantástico
(ano: 2008)
As perícias de São Paulo e dos Estados Unidos apontaram resultados completamente diferentes. A primeira diz que Anna Carolina teria estrangulado a enteada com as duas mãos, mas a segunda diz que as marcas deixadas no corpo não são compatíveis com as mãos e dedos da esposa de Alexandre, e que não são de quem foi esganada.
Alexandre Nardoni passa o tempo na biblioteca do presídio
IstoÉ - Se fosse colocado em liberdade hoje, qual seria a primeira coisa que faria?
Alexandre - Visitar o túmulo da minha filha. E me dedicaria a cumprir a promessa que fiz junto ao seu caixão: "vou descobrir quem matou Isabella". Quero me dedicar à minha mulher, aos meus filhos, ao meu irmãozinho e à minha sobrinha.

Em depoimento à polícia, o pai teria dito que deixou a menina na cama e desceu do apartamento para ajudar a esposa a carregar as outras duas crianças, uma de 3 anos e outra de 11 meses, e que ao voltar, teria se deparado com a tela do quarto da menina cortada, e a mesma no gramado estendida no chão.
Isabella chegou a ser levada para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, mas não resistiu e morreu na madrugada do dia seguinte.
Os vizinhos de Alexandre no London disseram que escutaram gritos de "Para, pai! Para, pai!", dados pela menina antes de morrer, além de várias discussões protagonizadas pelo casal e agressões físicas à menina.

No mês de outubro do ano passado, Anna Carolina Jatobá, que cumpre pena na Penitenciária de Tremembé, conseguiu pela primeira vez o benefício da saidinha temporária devido ao Dia das Crianças. A notícia deixou a mãe de Isabela indignada. "Como é que pessoas que cometem crimes tão bárbaros, cruéis tem a opção de estar livre? Tem a opção de liberdade?... Sair justamente em datas tão fortes: dia das mães, dia das crianças?".
Anna Carolina Jatobá presa em 2013, escrevendo carta pro marido
IstoÉ - O que faria imediatamente se fosse libertada hoje?
Anna Carolina Jatobá - Abraçaria meus filhos e não deixaria nunca mais que me separassem deles.

Mesmo abalada com a morte de Isabella, Ana Carolina recomeçou a vida. Aos 33 anos, ela está casada com o administrador Vinícius Francomano, com quem teve Miguel, que completará dois anos em junho. Em entrevista concedida ao G1 no dia 18, ela afirmou que, embora a filha não esteja mais viva, continua tendo dois filhos, mas a diferença é apenas o convívio.

Ana Carolina Jatobá com o marido e o filho
G1 – As pessoas se questionam como foi ter um filho após perder uma filha.
Ana Carolina - Então, eu não substituí. Simplesmente agreguei. Hoje eu tenho dois filhos, apenas não convivo mais com uma. Não substituí um filho pelo outro, e eu pensava assim desde quando queria engravidar novamente. Acho que tem a ver com uma realidade. Nenhum filho substitui o outro, e hoje, se eu engravidar de novo, terei o meu terceiro filho convivendo com outro.

G1 – A morte dela já está superada pra você?
Ana Carolina - Eu não sei se a palavra é superação. Acho que a gente aprende a lidar com a dor. Ela é menos dolorida, mas nunca vai ser esquecida. Óbvio que eu sofro muito menos do que eu sofria há dez anos.