domingo, 30 de dezembro de 2018

Google ganha layout fofo de réveillon

O Google, assim como milhares de pessoas ao redor do mundo, também está aguardando a virada do ano e já está em festa! Foi irresistível compartilhar esse doodle abaixo, com dois elefantinhos nos preparativos para receber 2019 com muita alegria! São bonitinhos eles, não?

6 meses de exercício físico pode reverter o prejuízo cognitivo leve


Estadão - Uma nova pesquisa descobriu que um regime de exercícios aeróbicos de 6 meses pode reverter os sintomas de comprometimento cognitivo leve em idosos. O comprometimento cognitivo leve (CCL) é caracterizado por uma leve perda de habilidades cognitivas, como habilidades de memória e raciocínio. Uma pessoa com CCL pode achar difícil lembrar de coisas, tomar decisões ou se concentrar em tarefas.
Embora a perda de habilidades cognitivas não seja grave o suficiente para interferir nas atividades diárias, o CCL aumenta o risco de doença de Alzheimer e outras formas de demência. Novas pesquisas sugerem que pode haver uma maneira de reverter esses problemas cognitivos relacionados à idade. Os participantes incluídos na pesquisa eram sedentários no início do estudo. Eles tinham fatores de risco cardiovascular e relataram sintomas de CCL.
Os participantes seguiram a dieta das Abordagens Dietéticas para Parar a Hipertensão (DASH). A dieta DASH consiste em alimentos com alto teor de fibras e baixo teor de sódio, como frutas, verduras, nozes, feijões, grãos e carne magra, além de laticínios com baixo teor de gordura. Os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos: um grupo fez apenas exercícios aeróbicos, outro aderiu à dieta DASH (sem qualquer exercício), outro se exercitou e adotou a dieta DASH e outro recebeu telefonemas educacionais relacionados à saúde.
Aqueles que se exercitaram o fizeram três vezes por semana em sessões de 45 minutos, incluindo exercícios de aquecimento seguido de caminhada, corrida ou ciclismo. O novo estudo revelou um aumento médio de 5 pontos nas habilidades de função executiva entre as pessoas que se exercitavam e faziam dieta, em comparação com aquelas que apenas faziam exercícios ou apenas faziam dieta.
A função executiva é a capacidade cognitiva que permite que uma pessoa planeje e organize ações direcionadas por objetivos, bem como enfoque e regulação do seu comportamento. Os pesquisadores não encontraram melhora significativa na memória.
O investigador principal explica que as pontuações da função executiva dos participantes eram, no início do estudo, equivalentes às de 93 anos, embora a idade cronológica fosse 28 anos mais jovem. No entanto, após 6 meses de exercício adicional, a pontuação média correspondeu àquelas de pessoas com 84 anos de idade, o que equivale a uma melhora de 9 anos na função executiva.

Trump culpa democratas por morte de crianças imigrantes

Jornal do Brasil - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar a oposição e responsabilizou os democratas pela morte das duas crianças guatemaltecas, que estavam sob custódia das autoridades na fronteira. Em sua conta no Twitter, o republicano escreveu neste sábado(29) que são as políticas de imigração "patéticas" dos democratas que levam as pessoas a acreditar que podem entrar no país de forma ilegal.
"Qualquer morte de crianças ou outras pessoas na fronteira é estritamente culpa dos democratas e de sua patética política migratória, que permite às pessoas fazer uma longa viagem achando que podem entrar ilegalmente em nosso país", escreveu.


O chefe de Estado norte-americano ainda ressaltou que as crianças já estavam doentes antes de serem entregues na fronteira. "As crianças estavam muito doentes antes de serem entregues à patrulha fronteiriça. O pai da menina disse que não foi culpa deles, ele que não havia dado água a ela por dias", acrescentou. Segundo Trump, "a patrulha precisa do muro" na fronteira com o México para conter a imigração. Neste mês, duas crianças, entre 7 e 8 anos de idade, faleceram de causas desconhecidas sob custódia dos guardas, após chegarem nos Estados Unidos.

Bolsonaro recebe filho mais velho e se despede de seguranças da campanha


Jornal do Brasil - Sem agenda oficial prevista para este domingo, 30, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) recebeu o seu filho mais velho, o deputado estadual, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), na Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência. O senador eleito pelo Rio chegou dirigindo um carro, em companhia da mulher e de uma das filhas do casal. Ele não parou para falar com a imprensa.
Recentemente, Flávio se viu em uma polêmica envolvendo um ex-assessor, Fabrício Queiroz, que foi citado em um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) devido a movimentações atípicas em sua conta. O caso foi revelado pelo Estadão. Também foram identificados depósitos feitos por funcionários do gabinete de Flávio da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na conta de Queiroz.
Mais cedo, Bolsonaro recebeu agentes da Polícia Federal que cuidaram de sua segurança desde o início da campanha eleitoral. Durante a despedida, Bolsonaro cumprimentou o grupo e agradeceu pelo trabalho. Depois, os agentes posaram para fotos em frente à piscina da casa. A partir da posse, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) passa a ser responsável pela segurança do presidente.

Inteligência valorizada
Neste domingo, Bolsonaro também usou suas redes sociais para informar que pretende valorizar o trabalho na área de Inteligência, reconhecendo a importância estratégica do serviço para o País. "O trabalho de Inteligência é dos mais importantes e sensíveis para a segurança da Nação. No entanto, por sua natureza discreta, raramente é reconhecido. No que depender deste governo não faltará apoio e valorização para os profissionais da área!", afirmou.
O trabalho de inteligência é dos mais importantes e sensíveis para a segurança da nação. No entanto, por sua natureza discreta, raramente é reconhecido. No que depender deste governo não faltará apoio e valorização para os profissionais da área!

Lady Gaga faz cover de David Bowie em espetáculo em Las Vegas


Rolling Stone - Na noite da última sexta, 28, Lady Gaga fez o show de estreia da sua residência no hotel Park MGM, em Las Vegas. Na apresentação, ela aproveitou o momento para tocar pela primeira vez ao vivo o single “Shallow”, da trilha sonora de Nasce Uma Estrela, e também uma versão especial de “I’m Afraid of Americans”, do David Bowie.
O evento, nomeado de Enigma, será uma retrospectiva pelos maiores sucessos da carreira da cantora. A enorme e clara influência de Bowie na trajetória dela foi o que a levou a homenageá-lo, sendo a primeira vez que tocou ao vivo a faixa de 1997, do álbum Earthlings. A composição entrou na parte do show em que Gaga toca os hits da era Born This Way.
Para encerrar o espetáculo, a cantora tocou uma versão em voz e piano de “Shallow”, cantando tanto sua parte quanto a parte cantada por Jackson Maine, personagem de Bradley Cooper no filme.
Antes de iniciar a balada, Gaga anunciou: “Eles acharam que eu era superficial, mas essa porra aqui é profunda pra cacete”.
Assista abaixo a “I'm Afraid of Americans” e “Shallow”.

O que dizem aqueles que são contra o Estatuto do Desarmamento?


A questão de armar ou não o cidadão de bem voltou a ser discutida depois que o político Jair Bolsonaro, que presidirá o país à partir do dia 1º de janeiro, prometeu aos 'cidadãos de bem' a posse de armas como legítima defesa. Lembrando que posse é diferente de porte, pois neste caso, a arma não deve ser usada em nenhum momento fora de casa. Mas porque nenhuma das duas coisas são recomendáveis? O texto à seguir é do site O Sul:
Segundo especialistas em desarmamento, revogar o Estatuto e devolver a população o direito a possuir ou portar sua arma, seria um grande equivoco, pois para eles os brasileiros não se encontram aptos para manusear suas armas, bem como faria que o Brasil retornasse a era do ‘faroeste’, pelo temperamento mais caloroso. Ainda segundo os defensores do desarmamento, disponibilizar ao cidadão a opção de se armar com poder de fogo, o faria mais suscetível a incidentes entre crianças que por ventura poderiam achar as armas em casa e acabar em uma ‘brincadeira’ com suas próprias vidas.
Ainda há o fato do despreparo físico e emocional que o cidadão brasileiro estaria sujeito, para os especialistas em desarmamento, as mortes em assaltos ou roubos, poderiam terminar em verdadeiras tragédias, dado ao fato de que uma reação inesperada ao bandido, terminaria com a situação em morte da vítima.

Temer desiste de editar indulto de Natal em 2018


Jornal do Brasil - O presidente Michel Temer desistiu de editar neste ano o decreto do indulto de Natal, que concede perdão a presos condenados a determinados crimes não violentos. A decisão ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrar o ano sem finalizar o julgamento sobre a validade do indulto natalino assinado por ele no ano passado. As regras do ano passado foram suspensas após o presidente reduzir as restrições e incluir condenados por corrupção entre os beneficiados.
É a primeira vez desde a redemocratização que o decreto não será editado. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, Temer já tinha em mãos a proposta do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), ligado ao Ministério da Justiça e responsável por elaborar as regras para o indulto a cada ano. O documento previa endurecer as condições para um condenado obter o perdão da pena e incorporava restrições impostas em decisão liminar do ministro do STF Luís Roberto Barroso, como o veto do indulto a condenados por corrupção.
Além de vedar o benefício a condenados por corrupção, havia a previsão de que o perdão só poderia ser concedido a quem tivesse cumprido um terço da pena e sob a condição de a condenação não ser superior a oito anos. O texto também ampliava a lista de crimes pelos quais não poderia haver o indulto, como os cometidos contra agentes de segurança, estupro de vulnerável e homicídio culposo em acidentes de trânsito. Temer, no entanto, poderia alterar o texto proposto pelo conselho.
"A Constituição confere ao Presidente a autoridade para conceder indulto quando ele considerar oportuno. Ele não é obrigado a faze-lo", afirmou o presidente do CNPCP, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo César Mecchi Morales.

Supremo
No fim de novembro, o STF formou maioria para derrubar a liminar e manter o indulto de Temer de 2017, que admitia o perdão a condenados por crimes sem violência - como corrupção - que tivessem cumprido um quinto da pena até 25 de dezembro de 2017, ponto contestado pela Procuradoria-Geral da República e suspenso por Barroso.
"O presidente não quis confrontar o Supremo neste momento. Ele preferiu se resguardar, não quis tripudiar em cima de nenhuma decisão de ministro", afirmou o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP). Para ele, o Supremo formou maioria no entendimento de que o presidente pode até se desgastar politicamente, mas não pode ser impedido de fazer algo que é prerrogativa sua definida pela Constituição, como o indulto de Natal.
Previsto na Constituição da República, o indulto natalino foi criticado por mais de uma vez pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, que já prometeu não conceder o benefício em seu governo.

Nando Reis homenageia Cássia Eller no aniversário de morte da cantora


Metro Jornal - A amizade entre Nando Reis e Cássia Eller é, praticamente, tão conhecida quanto as músicas de sucessos dos artistas. Inclusive, a composição All Star retrata essa relação de amor e em duetos os dois deixaram claro a sintonia que tinham. Neste sábado, 29, em que a morte da cantora completou 17 anos, Nando usou o Instagram para resgatar uma foto e falar sobre a falta que ela faz. "Você… Meu mundo ficou incompleto. 17 anos sem Cássia", escreveu.


A cantora Lan Lanh, que trabalhou com Cássia, também homenageou a cantora. "A saudade é do tamanho das nossas lembranças, infinita", publicou na rede social.
Cássia Eller morreu depois de sofrer três paradas cardíacas em 29 de dezembro de 2001.

Quatro mitos sobre o “cidadão de bem armado”


Site: Carta Capital (12 de fevereiro de 2016)
O Brasil possui o maior número de homicídios perpetrados com o uso de armas de fogo do mundo. Esta situação não é fruto do acaso, mas ocorreu como consequência de inúmeros fatores, entre os quais da corrida armamentista nacional dos anos 80 e 90. Apesar das dificuldades relacionadas à confiabilidade dos bancos de dados e registros, um levantamento feito em 2010 revelou que aproximadamente 17,6 milhões de armas leves circulavam no País, dentre as quais 57% seriam ilegais.
De fato, a proliferação das armas se deu ao mesmo tempo em que se verificou um crescimento acelerado da taxa de homicídio por arma de fogo. Enquanto em 1980 de cada 100 pessoas assassinadas 44 eram vitimadas por armas de fogo, em 2003, nas vésperas da sanção do Estatuto do Desarmamento (ED), esse número já era de 77, diminuindo para 75 nos anos subsequentes. Em países como a Inglaterra e a Espanha tal proporção gira na ordem de 7 e 14 vítimas, respectivamente.
Portanto, a tese do “cidadão de bem armado” como solução para a coibição de crimes já foi experimentada no Brasil. Ao invés de segurança, a sociedade só colheu mais violência, mais crimes e mais tragédias.
Ainda assim, há hoje na Câmara dos Deputados um perigoso movimento para revogar o Estatuto do Desarmamento, que flexibiliza os critérios para a posse e porte de armas de fogo e que, em linhas gerais, possibilita que todo indivíduo com mais de 21 anos de idade (inclusive aqueles que estejam sendo processados judicialmente por homicídios) possa adquirir até seis armas de fogo e portá-las nas vias públicas.
É preciso ressaltar que tal iniciativa vai na contramão do consenso das evidências científicas nacionais e internacionais. Elas mostram que mais armas causam mais crimes. Abaixo apresentamos quatro mitos que vêm sendo usados pelos defensores do fim do Estatuto para legitimar o desatino em curso.

Mito 1: O cidadão armado provê maior segurança à sua família
As pesquisas baseadas em evidências empíricas seguem no sentido oposto. A disponibilidade de armas em casa faz aumentar o risco de suicídio, acidente e homicídio entre os familiares e não inibe a ação do criminoso profissional (que conta com o fator surpresa). Uma boa ilustração desses achados científicos pode ser obtida pela pesquisa do professor David Hemenway, da Universidade de Harvard, que entrevistou cerca de 300 cientistas, autores de artigos nas revistas especializadas em criminologia. O que ele encontrou?
Enquanto 72% dos estudiosos afirmavam que a disponibilidade de armas no domicílio faz aumentar o risco de uma mulher residente ser vítima de homicídio (contra 11% que discordavam), 64% dos especialistas disseram que a arma dentro de casa torna o lugar mais perigoso do que mais seguro (contra 5%). Ainda, 73% dos entrevistados concordaram que a arma não é um instrumento efetivo para a autodefesa, ao passo que 8% discordaram.

Mito 2: A regulação mais restritiva de acesso às armas de fogo não é importante, uma vez que as armas dos bandidos entram ilegalmente pelas fronteiras.
Ainda que muitas armas entrem ilegalmente no país (sobretudo os fuzis e rifles), pesquisas no Rio de Janeiro e São Paulo mostraram que cerca de 75% das armas utilizadas no crime apreendidas pela polícia são pistolas e revólveres fabricados no Brasil. Uma pesquisa recente do Ministério Público de São Paulo com o Instituto Sou da Paz mostrou que 38% das armas envolvidas em crimes fatais e apreendidas com criminosos, além de serem de procedência nacional, eram armas registradas por brasileiros que haviam sido desviadas para a ilegalidade.
Ou seja, inúmeras vezes, as armas envolvidas nos assassinatos que destruíram famílias foram compradas legalmente por outros cidadãos que pensavam em se defender.

Mito 3: O cidadão de bem armado irá dissuadir o criminoso, fazendo com que o número de crimes e de homicídios diminua
Este é um debate que chamou a atenção de muitos estudiosos nos EUA, sobretudo a partir de 1987, quando uma nova legislação menos restritiva passou a ser implementada em vários estados americanos. Pesquisadores de muitas universidades, incluindo de Harvard e Chicago, acumularam evidências comprovando que a flexibilização do acesso e posse de armas está associada ao aumento de homicídios, roubos e invasões a residências.
Uma das principais razões que associam o aumento do número de mortes à proliferação das armas em circulação é o alto número de mortes ocasionadas por motivos banais, em brigas familiares, entre vizinhos, e no trânsito.
Um estudo feito pelo Conselho Nacional do Ministério Público revelou que, entre 2011 e 2012, 83,03% dos homicídios esclarecidos no Estado de São Paulo foram cometidos por motivos fúteis. Três teses de doutorado – da Puc-Rio, da FGV e da USP – mostraram que a proliferação das armas de fogo faz aumentar os homicídios, mas não tem efeito para fazer diminuir os crimes contra o patrimônio.

Mito 4: O ED não evitou o crescimento da violência armada no Brasil
O número de homicídios, que cresceu 8,4% a cada ano entre 1980 e 2003, pela primeira vez sofreu uma redução nos anos posteriores ao ED. Na média, entre 2004 e 2013 o número de vítimas aumentou num ritmo bem inferior ao que vinha acontecendo anteriormente, de 0,5% a cada ano.
Um estudo da PUC do Rio de Janeiro mostrou que o ED contribuiu para a diminuição de 12% dos homicídios, entre 2004 e 2007. Outro estudo de pesquisadores do IESP/UERJ e do Ipea apresentou evidências de que se o ED não tivesse sido implementado, cerca de 121 mil pessoas teriam morrido a mais entre 2004 e 2014.
O controle responsável das armas de fogo não é uma panaceia para resolver todos os males da insegurança pública no Brasil. A maior efetividade das organizações do sistema de justiça criminal no sentido de reduzir a impunidade, bem como a implementação de uma agenda preventiva focalizada na educação e criação de oportunidades para que as crianças e os jovens de hoje não sejam os criminosos de amanhã são outros elementos cruciais.
Porém, não podemos permitir retrocessos nesta agenda: quanto menos armas de fogo em circulação no País, mais mortes e outros crimes serão evitados.

*Robert Muggah é diretor de Pesquisas do Instituto Igarapé e Daniel Cerqueira é ex-diretor da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

Porque sou a favor do Estatuto do Desarmamento

[foto: Mídia Max]
* Site: Diário de Pernambuco - 15 de novembro de 2015
* Texto: Raul Jungmann (Deputado Federal e Presidente da Frente Parlamentar Pelo Controle de Armas, Vida e Paz)
Se o porte de armas fosse liberado para todos, e o Estatuto do Desarmamento revogado, o que aconteceria? Estaríamos mais seguros, como alguns dizem? Veja a seguir, na história de Jonas e sua família, uma resposta a essas perguntas...
Jonas estava feliz, pois, enfim, havia comprado uma arma para se defender dos bandidos. Assim, foi logo mostrando o %u201Cberro%u201D aos amigos da rua para que os ladrões soubessem que, na casa dele, a história agora era diferente. Foi aí que teve seu primeiro baque: não é que, com a liberação do porte de armas, quase toda a rua agora também estava armada? Inclusive seu vizinho, o Arnaldo, um cara violento, comprou um fuzil automático com capacidade de disparar até 600 tiros por minuto, o que também passou a ser permitido, constatou um consternado Jonas...Sem falar que o seu João da Bodega, o da esquina, tinha agora seis armas e 600 balas na sua cota anual. Chegando a sua casa, tomou outro susto. Seu filho Joãozinho, que tinha completado recentemente 21 anos, mostrava ao caçula um reluzente 38. Jonas não gostou nada do que viu e quis chiar, mas seu filho foi direto ao ponto: %u201CPai, todos os meus amigos estão se armando. Liberou geral! Até o Zeca, que tem antecedentes criminais, está com duas armas novinhas. E vai ser assim na balada, no estádio aos domingos, nas aulas... A galera toda%u201D.
Jonas ficou mudo e, preocupado, franziu a testa. Mais ainda quando Salete, sua esposa, que, nervosa, perguntou: %u201COnde vamos guardar essas armas aqui em casa? Onde, me digam? Na cômoda? Em cima do guarda-roupa? Debaixo do colchão? Nem pensar! Ao alcance dos nossos filhos, seus irmãos, sobrinhos e amigos? E quando tiver festa, bebida e churrasco aqui em casa, em dia de jogo, como vai ser? Me digam?!%u201D.
Jonas agora olhava fixamente para a arma do Joãozinho. Quem sabe o irmão Joel, policial, não lhe aconselharia o que fazer? Foi pensando e ligando, porém Joel nem lhe deixou falar e contou que na PM estava complicado. Com a liberação do porte de armas para todos, subiram, e muito, os confrontos e, consequentemente, o número de policias feridos e mortos. E isso em todo o país. O comando da polícia, inclusive, estava muito preocupado - onde aquilo tudo iria parar?! Antes de desligar correndo, pois tinha uma reunião de emergência na Associação dos Cabos e Soldados sobre o assunto, Joel disse estar arrependido de ter apoiado o fim do Estatuto do Desarmamento.
No jantar, uma cabidela que Jonas tanto gostava e que Salete tinha caprichado, mas a sua via-crúcis continuou. O Jornal Nacional trazia como manchete que o trágico número de 58 mil homicídios do ano anterior havia disparado depois que qualquer um passou a poder andar armado. Isto porque, não só os bandidos continuavam armados, como os cidadãos de bem estavam se matando, por coisas como uma briga no trânsito, uma discussão na fila de ônibus ou com a mulher em casa. Sem falar que, como nos Estados Unidos, não passava um mês sem que uma matança sacudisse nossas escolas.
Mudando de canal, Jonas não escapou do assunto que, convenhamos, o perseguia. Pesquisa de uma universidade mineira, a UFMG, constatou que uma pessoa armada, surpreendida por bandidos, tinha nove entre dez chances a mais de ser agredida. Aí foi demais! Nosso herói resolveu que era hora de dormir. Porém, coitado, mal havia deitado e o som do miserável do vizinho, justo o Arnaldo, o do fuzil automático, explodiu nos seus ouvidos. Ao seu lado, soluçando, Salete repetia baixinho: %u201CNossa vida virou um inferno, um inferno..., Jonas%u201D. The end.
Quem pensa que se armando sua vida será mais segura esquece que TODOS também poderão ter armas %u2013 em casa, no trabalho, na escola, na festa, na vizinhança ou nos campos de futebol. E que isso, em vez de diminuir, só aumentará a insegurança, a violência e as mortes. Igualmente, quem fala que %u201Cos bandidos estão armados e os homens de bem desarmados, por isso devemos nos armar%u201D, desistiu de desarmar os bandidos e é, queira ou não, cúmplice e está do lado deles.
Um cidadão de bem, de acordo com a lei e desde que cumpra os requisitos, pode ter uma arma em casa quando comprovadamente necessário. Porém, quem fala em armar toda a sociedade, não acredita na Justiça, nas leis e nas polícias, uma vez que desiste de equipá-las, de fortalecê-las.
Deseja transformar nossas vidas num faroeste; cada um por si e todos contra todos. Quem defende o fim do Estatuto do Desarmamento, que poupou 160 mil vidas de 2003 até hoje, vai engordar os lucros da indústria de armas e aumentar as mortes de jovens e policiais, dentre outros. Quem defende armas para todos vai por armas nas mãos dos nossos filhos e netos, deixando-lhes como legado um mundo e uma cultura de violência e medo.